Pular para o conteúdo
Tecnologia

A computação quântica promete revolucionar a tecnologia, mas a América Latina enfrenta um obstáculo inesperado para não ficar para trás

Enquanto empresas e governos se preparam para a próxima grande revolução digital, um desafio ameaça desacelerar a adoção da computação quântica na América Latina: a falta de profissionais qualificados. Especialistas alertam que a corrida tecnológica já começou, e a formação de talentos será decisiva para definir quem liderará essa transformação.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial domina as discussões sobre inovação tecnológica, mas outra revolução avança silenciosamente nos laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo. Trata-se da computação quântica, uma tecnologia capaz de resolver problemas extremamente complexos que desafiam até mesmo os supercomputadores mais avançados da atualidade.

Apesar do potencial gigantesco, a América Latina enfrenta um desafio que pode limitar sua participação nessa nova era tecnológica: a escassez de profissionais especializados. O problema já preocupa empresas e organizações que buscam se preparar para um futuro cada vez mais dependente da computação quântica.

A falta de especialistas preocupa empresas

Computadores Quânticos4
© Adventtr – Getty Images

Dados do Quantum Readiness Index, elaborado pelo IBM Institute for Business Value, mostram que 71% das organizações apontam a falta de profissionais qualificados como uma das principais barreiras para adotar soluções quânticas.

Segundo Alexandre Pfeifer, líder de negócios quânticos da IBM para a América Latina, a dificuldade está diretamente ligada à complexidade da área.

A computação quântica combina conhecimentos avançados de física, matemática, ciência da computação e engenharia. Isso exige uma formação técnica profunda e uma curva de aprendizado muito mais acentuada do que em outras áreas da tecnologia.

Para Pfeifer, a região ainda está construindo a base educacional necessária para atender à futura demanda por especialistas.

O que torna a computação quântica tão especial

Diferentemente dos computadores convencionais, que processam informações utilizando bits representados por 0 ou 1, os computadores quânticos utilizam qubits, que podem existir em múltiplos estados simultaneamente.

Essa característica permite realizar determinados cálculos de forma muito mais eficiente do que os sistemas tradicionais.

A tecnologia já vem sendo utilizada em áreas como simulação molecular, descoberta de novos medicamentos, otimização logística, desenvolvimento de materiais avançados e pesquisa científica.

Um dos exemplos mais conhecidos envolve a empresa de biotecnologia Moderna, que utilizou recursos de computação quântica para realizar simulações avançadas relacionadas ao desenvolvimento de estruturas de RNA mensageiro.

A relação entre computação quântica e inteligência artificial

Plano ousado da IBM para revolucionar a computação quântica até o fim da década
© Pexels

Ao contrário do que muitos imaginam, a computação quântica não surge para substituir a inteligência artificial nem os sistemas de computação de alto desempenho.

Na prática, ela tende a atuar como uma tecnologia complementar.

Segundo o levantamento da IBM, 54% das organizações latino-americanas já enxergam a computação quântica como uma ferramenta capaz de ampliar o potencial da IA e da computação tradicional. Além disso, 80% dos entrevistados acreditam que ela acelerará significativamente essas tecnologias nos próximos anos.

A expectativa é que sistemas híbridos combinem inteligência artificial, computação clássica e processamento quântico para enfrentar desafios que hoje parecem impossíveis.

Os profissionais mais procurados nessa nova indústria

À medida que os projetos deixam a fase experimental e começam a ganhar aplicações comerciais, cresce a demanda por equipes multidisciplinares.

Entre os perfis mais procurados estão desenvolvedores e engenheiros de software capazes de integrar algoritmos quânticos a sistemas empresariais e plataformas em nuvem.

Especialistas em algoritmos quânticos também desempenham um papel central, traduzindo problemas complexos em modelos compatíveis com o processamento quântico.

Cientistas de dados e profissionais de inteligência artificial aparecem entre os mais valorizados, principalmente para criar sistemas híbridos que aproveitem o melhor das duas tecnologias.

A área de cibersegurança também ganha importância. Isso porque a computação quântica poderá, no futuro, desafiar muitos dos sistemas de criptografia utilizados atualmente.

Além dos perfis técnicos, empresas buscam líderes de negócios, gestores de inovação e especialistas em governança capazes de avaliar riscos, regulamentações e estratégias de adoção responsável da tecnologia.

Como reduzir a distância tecnológica

Para especialistas da IBM, ampliar o acesso à educação é o caminho mais importante para reduzir a lacuna de talentos na região.

A empresa vem investindo em programas de capacitação gratuitos, incluindo cursos online em espanhol e português através das plataformas IBM SkillsBuild e IBM Quantum Learning.

Outra iniciativa busca democratizar o acesso à tecnologia. Por meio de planos gratuitos, estudantes e interessados podem utilizar computadores quânticos reais durante períodos limitados para treinamento e experimentação.

Segundo Pfeifer, o crescimento dos investimentos no setor também deve atrair mais jovens para a área. À medida que surgirem aplicações com impacto econômico concreto, a computação quântica poderá se tornar uma das carreiras mais desejadas da próxima década.

Uma corrida que já começou

Embora a computação quântica ainda esteja nos estágios iniciais de desenvolvimento comercial, a disputa global por talentos já está em andamento.

Universidades, empresas de tecnologia e governos investem bilhões de dólares para construir infraestrutura, formar especialistas e desenvolver aplicações práticas.

Para a América Latina, o desafio não será apenas acompanhar a evolução tecnológica, mas garantir que exista uma geração de profissionais preparada para participar dela. Caso contrário, a região corre o risco de se tornar apenas consumidora de uma tecnologia que promete redefinir a economia digital nas próximas décadas.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados