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Ciência

Novo estudo forense sobre o Santo Sudário revela pistas biológicas inéditas, mas não determina sua origem

Pesquisadores aplicaram técnicas modernas de genética e metagenômica ao Santo Sudário de Turim para analisar sua "assinatura biológica". O estudo não resolve o debate sobre a autenticidade da relíquia, mas oferece uma nova forma de reconstruir sua história por meio dos microrganismos preservados em suas fibras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Santo Sudário de Turim continua sendo uma das relíquias mais estudadas e debatidas do cristianismo. Décadas após as controversas datações por carbono-14, uma nova pesquisa propõe uma abordagem completamente diferente: em vez de tentar determinar a idade do tecido, os cientistas decidiram investigar sua história biológica.

Publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, o estudo utiliza técnicas modernas de biologia molecular e genética para analisar os vestígios orgânicos preservados nas fibras de linho. O objetivo não é confirmar ou refutar a autenticidade da peça, mas compreender quais marcas biológicas ela acumulou ao longo dos séculos.

Segundo os pesquisadores, essa estratégia permite acessar informações que permaneciam invisíveis utilizando apenas análises microscópicas ou químicas tradicionais.

A peça foi analisada como um ecossistema microbiano

A principal inovação do estudo está no uso da metagenômica, técnica capaz de identificar o DNA de microrganismos presentes em um ambiente.

Em vez de tratar o Sudário apenas como um objeto histórico ou religioso, os pesquisadores passaram a enxergá-lo como um ecossistema biológico que registrou, ao longo do tempo, os diferentes ambientes pelos quais passou.

A equipe analisou pequenas amostras das fibras de linho para identificar bactérias, fungos e outros resíduos orgânicos preservados no tecido.

Segundo os autores, qualquer objeto antigo que tenha sido manipulado por pessoas e exposto a diferentes condições ambientais funciona como um reservatório de material biológico. Com as tecnologias atuais de sequenciamento genético, esse material pode ser identificado com alto grau de precisão.

DNA de microrganismos revela possíveis pistas sobre sua trajetória

Durante a análise, os pesquisadores isolaram fragmentos de DNA pertencentes a diferentes espécies de bactérias e fungos.

Alguns desses microrganismos são característicos de regiões de clima temperado, enquanto outros apresentam perfis genéticos compatíveis com ambientes de temperatura e umidade diferentes daqueles encontrados atualmente em Turim, na Itália.

Embora os resultados sejam considerados preliminares, eles permitiram elaborar um mapa das possíveis regiões por onde o Sudário pode ter circulado ao longo de sua história.

Os cientistas sugerem que parte dos microrganismos identificados possui associação com áreas do Mediterrâneo Oriental e de diferentes regiões da Europa, oferecendo novas pistas sobre a trajetória histórica da relíquia.

O estudo não tenta provar a autenticidade do Sudário

Os próprios autores deixam claro que o objetivo da pesquisa não foi responder se o tecido realmente envolveu o corpo de uma pessoa crucificada.

Segundo a equipe, o trabalho busca demonstrar como as técnicas modernas das ciências forenses podem ser aplicadas ao estudo de objetos históricos para extrair informações que antes eram inacessíveis.

Essa abordagem representa uma mudança significativa em relação às pesquisas anteriores. Em vez de recorrer principalmente à física nuclear e às datações por radiocarbono, os pesquisadores utilizaram ferramentas da genômica ambiental para investigar a história do tecido.

Eles também ressaltam que os novos resultados não confirmam nem invalidam as análises de carbono-14 realizadas em 1988, que apontaram uma origem medieval para o Sudário. As evidências apresentadas constituem apenas uma linha complementar de investigação e devem ser interpretadas em conjunto com o contexto histórico e documental da peça.

Como a análise foi realizada

Para preservar a integridade da relíquia, os pesquisadores coletaram apenas quantidades mínimas de fibras do tecido.

O DNA extraído passou por amplificação utilizando a técnica conhecida como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), um método amplamente empregado na biologia molecular para multiplicar milhões de vezes pequenos fragmentos de material genético antes do sequenciamento.

A análise revelou uma grande diversidade de microrganismos presentes nas fibras.

Segundo os autores, futuramente será possível combinar esses dados com estudos sobre as diferentes camadas de contaminação biológica para reconstruir uma cronologia relativa das exposições ambientais sofridas pelo Sudário ao longo dos séculos.

Embora a pesquisa não encerre o debate sobre a origem ou a autenticidade da relíquia, ela demonstra como os avanços da genética e da ciência forense estão abrindo novas possibilidades para investigar objetos históricos, oferecendo perspectivas que vão além das tradicionais técnicas de datação.

 

[ Fonte: La Brújula Verde ]

 

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