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A decisão que pode mudar os rumos de Bolsonaro avança no STF

Uma votação crucial no Supremo se aproxima do fim e pode selar a imposição definitiva de medidas restritivas a Jair Bolsonaro. A maioria dos ministros já se posicionou, revelando os bastidores de uma disputa judicial que envolve tornozeleira eletrônica, tentativas de influência externa e acusações graves.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O ex-presidente Jair Bolsonaro está no centro de mais uma intensa deliberação do Supremo Tribunal Federal. Com quatro votos já proferidos, a Primeira Turma da Corte está prestes a confirmar medidas cautelares que incluem uso de tornozeleira eletrônica. A votação ocorre em ambiente virtual e deve se encerrar nas próximas horas, selando mais um capítulo de uma investigação de grande repercussão.

Votação virtual e maioria formada

A decisão que pode mudar os rumos de Bolsonaro avança no STF
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A análise das medidas cautelares contra Bolsonaro ocorre no plenário virtual da Primeira Turma do STF. Até agora, quatro ministros já votaram a favor da decisão tomada inicialmente por Alexandre de Moraes, restando apenas o voto do ministro Luiz Fux, que pode selar ou ampliar a maioria. Os votos favoráveis partiram de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Flávio Dino fez duras críticas à atuação do ex-presidente, classificando como inédita a tentativa de pressionar instituições por meio de uma espécie de “sequestro da economia nacional”. Segundo ele, a intenção era forçar o arquivamento de uma ação penal através da imposição de sanções internacionais. Dino ainda afirmou que o episódio será objeto de estudos acadêmicos por seu caráter inusitado.

Cármen Lúcia também sustentou a manutenção das medidas ao apontar indícios de que Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo atuaram para interferir no andamento da Ação Penal 2.688, em que o ex-presidente já é réu. Para a ministra, as publicações e ações anexadas ao processo justificam a necessidade de cautela.

O que levou Moraes a impor restrições

As medidas cautelares foram determinadas por Alexandre de Moraes após a Polícia Federal indicar que Bolsonaro buscava apoio de autoridades dos Estados Unidos para impor sanções contra agentes públicos brasileiros, sob pretexto de perseguição política. Moraes viu na conduta do ex-presidente uma tentativa de obstruir a justiça, influenciar investigações e comprometer a soberania nacional.

Segundo o ministro, houve “atos executórios” e até “confissões explícitas” por parte de Bolsonaro, evidenciando crimes como coação no curso do processo e tentativa de interferência em investigações em andamento, especialmente na ação penal que apura suposta tentativa de golpe de Estado. A PF cumpriu recentemente mandados de busca na residência de Bolsonaro e na sede do PL, partido ao qual é filiado.

Medidas já em vigor e próximos passos

As medidas cautelares impostas a Bolsonaro incluem o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno durante a semana e integral nos fins de semana e feriados, além da proibição de contato com embaixadores, autoridades estrangeiras e aproximação de representações diplomáticas.

Essas condições foram solicitadas pela Polícia Federal com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A PGR, aliás, já apresentou as alegações finais da ação penal em curso e pede a condenação de Bolsonaro por cinco crimes relacionados à tentativa de ruptura democrática.

Com o julgamento prestes a terminar, a expectativa recai agora sobre o voto final de Luiz Fux. Independentemente de seu posicionamento, a maioria já está formada, e o STF caminha para referendar mais uma vez medidas severas contra o ex-presidente.

[Fonte: O globo]

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