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Brasil quer controlar uma das matérias-primas mais disputadas do planeta — e aprovou uma lei estratégica às vésperas de encontro entre Lula e Trump

O Congresso brasileiro avançou em uma legislação que amplia o controle do governo sobre as chamadas terras raras, minerais essenciais para carros elétricos, turbinas e equipamentos militares. A medida chega em um momento de disputa global crescente entre Estados Unidos e China por recursos considerados críticos para tecnologia e defesa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Brasil acaba de dar um passo importante em uma das disputas econômicas mais estratégicas do século XXI.

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia os poderes do governo brasileiro sobre a exploração de terras raras — grupo de minerais fundamentais para tecnologias modernas, indústria militar e transição energética.

A decisão aconteceu em um momento altamente simbólico: um dia antes do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca.

E as terras raras estão justamente entre os temas centrais da reunião.

O que são as terras raras

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© https://x.com/JohnLeePettim13/

Apesar do nome, terras raras não são exatamente raras.

O termo se refere a um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos considerados essenciais para a economia moderna.

Eles aparecem em:

  • carros elétricos;
  • turbinas eólicas;
  • smartphones;
  • chips eletrônicos;
  • sistemas militares;
  • radares;
  • mísseis;
  • baterias avançadas.

O problema é que separar e processar esses minerais exige tecnologia complexa, cara e altamente especializada.

E atualmente a China domina grande parte dessa cadeia global.

O Brasil possui uma das maiores reservas do planeta

Segundo estimativas internacionais, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China.

Mas existe uma limitação importante.

O país ainda não possui estrutura industrial suficiente para explorar plenamente esses recursos em larga escala.

Isso transformou o Brasil em alvo crescente do interesse de governos e empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, que tentam reduzir dependência estratégica da China.

A nova lei aumenta o poder do governo brasileiro

O projeto aprovado pela Câmara dá ao Executivo brasileiro autoridade para vetar acordos com empresas estrangeiras caso considere que eles ameaçam a segurança econômica ou geopolítica do país.

Além disso, o governo poderá intervir em mudanças de controle societário das empresas do setor.

Na prática, isso significa que Brasília quer manter supervisão direta sobre quem controla projetos ligados às terras raras brasileiras.

Lula quer investimento estrangeiro — mas com processamento no Brasil

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© https://x.com/SamPancher

O governo brasileiro vem sinalizando interesse em atrair investimentos internacionais para desenvolver a cadeia de terras raras.

Mas Lula tem repetido uma condição considerada fundamental: os minerais não devem sair do país apenas como matéria-prima bruta.

A ideia é criar capacidade industrial local para processamento e agregação de valor dentro do território brasileiro.

Esse ponto é estratégico porque a etapa mais lucrativa e tecnologicamente importante da cadeia não está apenas na mineração, mas no refinamento químico e fabricação de componentes industriais.

A disputa global por minerais críticos está acelerando

Nos últimos anos, terras raras se tornaram peça central da rivalidade econômica entre Estados Unidos e China.

Pequim controla grande parte da produção e do processamento global desses elementos, o que preocupa Washington em setores considerados sensíveis, especialmente defesa e tecnologia avançada.

Por isso, os Estados Unidos vêm buscando novos parceiros estratégicos para diversificar fornecedores.

E o Brasil aparece como um dos candidatos mais importantes.

O tema vai além da mineração

A discussão sobre terras raras mistura economia, geopolítica e segurança nacional.

Quem controla esses minerais pode influenciar cadeias globais inteiras ligadas à energia limpa, indústria eletrônica e armamentos modernos.

Por isso, vários países passaram a tratar esses recursos quase como ativos estratégicos de soberania.

O Senado ainda precisa aprovar a proposta

Apesar da aprovação na Câmara, o projeto ainda será analisado pelo Senado brasileiro.

Mesmo assim, o movimento já sinaliza uma mudança importante na postura do país.

O Brasil parece disposto a evitar repetir modelos históricos nos quais exportava apenas commodities brutas enquanto outros países concentravam tecnologia e industrialização.

E talvez esse seja justamente o ponto central de toda essa disputa: no século XXI, minerais estratégicos podem valer tanto quanto petróleo — especialmente quando o futuro da economia mundial depende cada vez mais de tecnologia, energia limpa e inteligência artificial.

 

[ Fonte: DW ]

 

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