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A hegemonia da Starlink começa a ser desafiada: FCC aprova constelação de mais de 4 mil satélites e inaugura nova fase da corrida espacial

A empresa Logos Space Services recebeu autorização para lançar 4.178 satélites de banda larga em órbita baixa. O movimento intensifica a disputa pelo domínio da internet espacial, até agora liderada pela Starlink, e aponta para um mercado cada vez mais estratégico — inclusive no campo militar.

A órbita baixa da Terra está deixando de ser território quase exclusivo da Starlink. A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) autorizou a empresa Logos Space Services a implantar uma megaconstelação de até 4.178 satélites de banda larga.

A decisão marca o início de um novo ciclo competitivo no setor de internet via satélite, que vinha sendo amplamente dominado pela Starlink, da SpaceX.

Por que isso é relevante

Um milhão de satélites no céu: o plano que pode mudar a internet — e a própria Terra
© https://x.com/DimaZeniuk

Hoje, cerca de 14 mil satélites orbitam a Terra, segundo estimativas da Agência Espacial Europeia. Desse total, aproximadamente 9.600 pertencem à Starlink.

Essa concentração consolidou a empresa como líder absoluta no fornecimento de internet por satélite em órbita baixa (LEO, na sigla em inglês). A aprovação da Logos começa a fragmentar esse domínio.

Sob a presidência de Brendan Carr, a FCC tem adotado uma postura mais ágil na análise de megaconstelações, com o objetivo de manter a liderança espacial dos Estados Unidos diante da crescente competição internacional.

Quem é a Logos Space Services

A Logos foi fundada em 2023 por Milo Medin, ex-diretor de projetos da NASA e ex-vice-presidente de serviços sem fio do Google, ao lado do executivo Rama Akella.

Com sede em Redwood City, na Califórnia, a empresa levantou US$ 50 milhões em sua rodada Série A, liderada pelo fundo U.S. Innovative Technologies (USIT), ligado ao empresário Thomas Tull — investidor também em empresas como Anduril e Stoke Space.

O plano de implantação

Segundo os documentos apresentados à FCC, os satélites da Logos operarão em sete camadas orbitais, entre 870 e 925 quilômetros de altitude, com inclinações variando de 28 a 90 graus.

A regulamentação exige que a empresa coloque em operação ao menos metade da constelação nos próximos sete anos, concluindo o projeto até 30 de janeiro de 2035.

Medin afirmou que a companhia precisaria de apenas um quarto da constelação proposta para atender sua base inicial de clientes globais. O primeiro satélite deve entrar em operação até 2027.

A diferença em relação à Starlink

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© YouTube

Enquanto a Starlink se concentra principalmente no mercado residencial e no consumidor final, a Logos mira um público distinto: clientes corporativos e governamentais.

O modelo é semelhante ao projeto Kuiper, da Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, que também recebeu autorização para milhares de satélites.

A constelação da Logos utilizará bandas de alta frequência (V, E, Ka e Q/V), permitindo feixes extremamente estreitos e mais difíceis de interceptar ou bloquear — uma característica relevante para aplicações militares e de segurança nacional.

Além disso, os satélites contarão com enlaces ópticos coerentes entre si, reduzindo a dependência de estações terrestres e criando uma rede global mais resiliente e com menor latência.

Mercado estratégico e uso dual

A empresa não pretende disputar o mercado doméstico. Seu foco está em oferecer conectividade do tipo MPLS e Ethernet com desempenho semelhante à fibra óptica para multinacionais, centros de dados remotos e até embarcações militares em alto-mar.

Esse caráter de “uso dual” — civil e militar — foi determinante para atrair investidores.

Infraestruturas de comunicação seguras e resilientes tornaram-se ativos estratégicos em um cenário global marcado por conflitos e disputas geopolíticas.

E o futuro da órbita baixa?

A Agência Espacial Europeia projeta que, até 2030, cerca de 100 mil satélites poderão estar orbitando a Terra.

A própria SpaceX solicitou recentemente à FCC autorização para expandir ainda mais sua constelação Starlink — embora o número final de aprovações provavelmente fique abaixo do pedido inicial.

O que está claro é que a órbita baixa terrestre entrou em uma nova fase: menos monopolizada e mais competitiva. E, ao que tudo indica, também mais estratégica do que nunca.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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