O arquiteto brasileiro Fernando Brandão se destacou internacionalmente por defender uma arquitetura pautada pela sustentabilidade. Seu trabalho ganhou notoriedade na China, onde ele foi convidado a desenvolver um projeto ambicioso: uma cidade com emissão zero de carbono. Mesmo sem ter saído do papel, a proposta segue inspirando reflexões sobre os rumos do urbanismo global e a busca por soluções sustentáveis em larga escala.
Uma cidade que respira sustentabilidade

Em 2015, Brandão foi chamado para projetar uma cidade sustentável em Shenzhen, no sul da China. O plano, batizado de CO2 LOW CITY, previa uma área de 50 mil metros quadrados com residências, escritórios, hotéis e fábricas — tudo abastecido por energia solar e pensado para ser autossuficiente em recursos como água e eletricidade.
Segundo o arquiteto, o projeto foi idealizado para mostrar que é possível unir tecnologia, qualidade de vida e responsabilidade ambiental em um único espaço urbano. Apesar de o plano não ter sido implementado, ele permanece como um símbolo do que é possível alcançar quando há comprometimento com o futuro do planeta.
Para Brandão, esse tipo de construção deveria ser a norma. “Toda boa arquitetura é, por essência, ecologicamente correta”, afirma ele, destacando o uso racional de materiais e energia. No contexto chinês, onde os custos de execução são menores, tais soluções tornam-se ainda mais viáveis.
O papel da China como laboratório urbano global

O arquiteto já visitou a China 35 vezes desde 2009 e testemunhou de perto o ritmo acelerado de transformação do país. Ele destaca que, apesar dos desafios com poluição e gestão hídrica, os chineses têm aplicado soluções rápidas e eficazes para mitigar os impactos ambientais.
Muitas cidades chinesas já estão adotando padrões de carbono zero, e até aeroportos estão sendo projetados com tecnologias sustentáveis. Para Brandão, a China está mostrando ao mundo que é possível escalar soluções ecológicas com eficiência. “Eles estão à frente em termos de tecnologia e gestão sustentável, oferecendo modelos que não têm paralelo em escala global”, afirma.
Com isso, o arquiteto vê no país asiático uma liderança emergente no campo ambiental, capaz de inspirar outros governos e profissionais da área. “A China está ditando um novo caminho. Eles têm a capacidade e a tecnologia para levar adiante uma agenda de sustentabilidade real.”
Mesmo que seu projeto visionário ainda não tenha saído do papel, Fernando Brandão continua sendo uma das vozes mais relevantes da arquitetura ecológica, promovendo uma nova forma de pensar o espaço urbano — mais consciente, mais equilibrada e voltada para o bem-estar coletivo.
[Fonte: Revista Forum]