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Impacto da guerra no Irã pressiona aviação europeia e pode encarecer viagens de verão

Com o aumento acelerado do preço do combustível e o risco de escassez, o setor aéreo europeu enfrenta um cenário de incerteza. Companhias já cortam voos, elevam tarifas e pressionam autoridades por medidas emergenciais. Para passageiros, o verão pode significar passagens mais caras e menos opções.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A guerra envolvendo o Irã começa a gerar efeitos concretos fora do campo geopolítico — e um dos setores mais impactados é o da aviação europeia. Em poucos meses, o custo do combustível disparou, enquanto o risco de escassez acende alertas em todo o continente. Para milhões de viajantes, isso pode significar mudanças nos planos de férias, com menos voos disponíveis e preços mais altos.

Combustível mais caro ameaça equilíbrio das companhias

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© Pexels

Desde os primeiros ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, em fevereiro, o preço do combustível para aviação na Europa mais que dobrou. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo mostram que o valor saltou de 68,27 euros por barril para 153,84 euros no fim de abril.

Esse aumento tem impacto direto nas finanças das companhias aéreas. Segundo Marina Efthymiou, professora de gestão de aviação da Universidade da Cidade de Dublin, o combustível representa entre 25% e 50% dos custos operacionais. Em um cenário prolongado de preços elevados, empresas que não adotaram estratégias de proteção financeira podem enfrentar sérias dificuldades — incluindo risco de falência.

Risco de escassez agrava cenário

Além do encarecimento, cresce a preocupação com a disponibilidade de combustível. A Agência Internacional de Energia alertou recentemente que a Europa dispõe de cerca de seis semanas de reservas.

O problema está na cadeia de abastecimento. O continente consome aproximadamente 1,6 milhão de barris diários de combustível para aviação, mas produz apenas 1,1 milhão internamente. A diferença, cerca de 500 mil barris, vinha majoritariamente do Oriente Médio — passando pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que se tornou praticamente intransitável com a escalada do conflito.

Menos voos, tarifas mais altas e novos custos

Com custos em alta, companhias já começaram a repassar o impacto aos passageiros. O grupo Air France-KLM, por exemplo, implementou uma sobretaxa de 100 euros em voos de longa distância. Já a Lufthansa anunciou o corte de 20 mil voos de curta distância nos próximos seis meses, enquanto a Scandinavian Airlines deve cancelar cerca de mil voos.

Os reflexos já aparecem nos preços: segundo a consultoria Teneo, as tarifas aéreas subiram 24% no último ano.

Para Andrew Charlton, diretor da Aviation Advocacy, o problema vai além da oferta imediata. Mesmo com abastecimento atual suficiente, a incerteza sobre o futuro leva empresas a manter estoques maiores, o que eleva custos e reduz a disponibilidade de assentos. O resultado é um mercado com menos ofertas e passagens mais caras.

Pressão por medidas emergenciais na União Europeia

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© https://x.com/exame

Diante do cenário, o setor aéreo pede ação rápida das autoridades. A Airlines for Europe, que representa cerca de 80% do tráfego aéreo europeu, solicitou à União Europeia a flexibilização de regras ambientais e operacionais.

Entre as propostas está a revisão das normas contra o “tankering”, que obrigam aeronaves a abastecer ao menos 90% do combustível dentro do bloco. A medida visa reduzir custos, permitindo que companhias abasteçam onde o combustível for mais barato.

Outro pedido é a suspensão temporária do sistema europeu de comércio de emissões, que impõe custos adicionais às companhias por suas emissões de carbono.

Coordenação será decisiva para evitar crise maior

A necessidade de coordenação entre países também ganhou destaque. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que, em apenas 60 dias de conflito, a conta de importações de combustíveis fósseis da Europa aumentou mais de 27 bilhões de euros.

Como resposta, a Comissão lançou o plano AccelerateEU, que inclui monitoramento das reservas de combustível e coordenação do fornecimento entre países, aeroportos e companhias aéreas.

Especialistas destacam que essas medidas podem reduzir impactos imediatos, mas não resolvem o problema estrutural. Como resume Efthymiou, a coordenação pode evitar pânico e desequilíbrios regionais, mas não cria combustível onde ele não existe.

Um verão de incertezas para os viajantes

Para o público, o cenário aponta para um verão europeu mais caro e com menos opções de voos. A combinação de custos elevados, oferta reduzida e incertezas geopolíticas deve impactar diretamente quem planeja viajar.

Se a crise se prolongar, o setor aéreo pode enfrentar um dos seus maiores desafios recentes — e os passageiros sentirão isso no bolso e na disponibilidade de destinos.

 

[ Fonte: DW ]

 

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