Pular para o conteúdo
Mundo

China diz que estreito de Ormuz pode dominar agenda de encontro entre Donald Trump e Xi Jinping

Autoridades chinesas alertam que o fechamento da principal rota energética do mundo colocaria o tema no centro das negociações entre EUA e China. O cenário aumenta a tensão geopolítica e reforça o temor de uma nova escalada no Oriente Médio.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A China indicou que o futuro do estreito de Ormuz será um dos principais temas na próxima reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. A declaração ocorre em meio a um cenário internacional delicado, marcado por tensões no Oriente Médio e incertezas sobre a estabilidade da região.

Segundo o embaixador chinês na ONU, Fu Cong, caso o estreito permaneça fechado até a visita de Trump a Pequim, o assunto será inevitavelmente central nas conversas entre os dois países.

Ormuz no centro das preocupações globais

Trump diz que EUA podem reabrir Ormuz e aumenta tensão global
© https://x.com/CasetaBosque/

O estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Por ele passa uma parcela significativa do petróleo consumido no mundo, o que o torna vital para a estabilidade energética global.

Para a China, manter essa via aberta é essencial. Fu Cong alertou que qualquer interrupção pode gerar impactos não apenas regionais, mas também globais, afetando preços, cadeias de abastecimento e economias inteiras.

A preocupação aumenta diante do cenário envolvendo o Irã e seus desdobramentos recentes. Segundo o diplomata, a situação permanece “extremamente frágil”, e qualquer erro pode desencadear uma nova espiral de violência.

Temor de uma trégua instável

Outro ponto sensível destacado pela China é a possibilidade de que o atual cessar-fogo seja apenas temporário. Declarações recentes de autoridades americanas levantaram dúvidas sobre a durabilidade da trégua, o que preocupa Pequim.

Para o governo chinês, o foco deve ser evitar uma nova escalada militar e consolidar um cessar-fogo duradouro. A avaliação é que qualquer sinal de instabilidade pode reacender rapidamente o conflito.

China tenta mediar nos bastidores

Apesar de evitar detalhes, Fu Cong confirmou que a China mantém contatos ativos com todas as partes envolvidas. A estratégia, segundo ele, é atuar de forma “discreta, mas contínua”, apostando no diálogo como única saída viável.

A postura reforça o papel que Pequim tenta assumir como mediador internacional, especialmente em um momento em que o multilateralismo enfrenta desafios crescentes.

Relação EUA-China em foco

Multilateralismo De Xi Jinping
© El País – Gizmodo

Além da crise no Oriente Médio, o encontro entre Trump e Xi também deve abordar a relação bilateral entre as duas maiores potências do mundo.

A China defende que o vínculo entre os países seja baseado em respeito mútuo e coexistência pacífica, rejeitando a ideia de uma disputa de soma zero.

Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ambos têm, segundo Pequim, uma responsabilidade especial na manutenção da estabilidade internacional.

Oriente Médio segue como prioridade

Durante sua presidência do Conselho de Segurança neste mês, a China pretende priorizar o Oriente Médio, descrito como o epicentro de crises interligadas.

O diplomata também destacou o conflito entre israelenses e palestinos, afirmando que a questão está no centro da instabilidade regional e que a solução de dois Estados está cada vez mais ameaçada.

Sobre o Líbano, Pequim alertou que a situação atual não reflete um cessar-fogo real e pediu a interrupção das operações militares, além de defender cautela na revisão da missão da ONU no país.

Um momento decisivo para a ordem global

A China também indicou que o Conselho de Segurança analisará, nas próximas semanas, situações críticas em países como Síria, Líbia, Sudão e Bósnia, além de discutir a proteção de civis em conflitos armados.

Para Pequim, o mundo atravessa um ponto de inflexão. Segundo Fu Cong, ou a comunidade internacional reforça o multilateralismo, ou corre o risco de entrar em um cenário dominado pela força.

Nesse contexto, o estreito de Ormuz não é apenas uma rota marítima — mas um símbolo das tensões que podem definir os rumos da geopolítica global nas próximas semanas.

 

[ Fonte: EFE ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados