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Tecnologia

A maior cidade dos EUA decide enfrentar as redes sociais nos tribunais

Nova York acaba de iniciar um processo contra algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, acusando-as de contribuir para uma crise de saúde mental entre jovens. A denúncia detalha estratégias de design que, segundo autoridades, transformam adolescentes em usuários dependentes, com impactos diretos sobre a vida escolar e cotidiana.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental dos adolescentes ganhou um novo capítulo. Agora é a cidade de Nova York que leva as gigantes digitais ao tribunal, acusando-as de explorar a vulnerabilidade de milhões de jovens para aumentar lucros. A ação se soma a centenas de processos semelhantes e pode redefinir o papel legal das plataformas no bem-estar das próximas gerações.

A denúncia de Nova York

A ação foi apresentada na Corte de Distrito do Sul de Nova York e reúne 327 páginas de acusações contra Meta, Alphabet, Snap e ByteDance. Segundo a prefeitura, essas empresas teriam desenvolvido algoritmos especificamente voltados para atrair crianças e adolescentes, explorando sua fragilidade emocional para mantê-los conectados o maior tempo possível.

A denúncia descreve as plataformas como “máquinas de dependência” que transformam dados pessoais em ferramentas de manipulação. Para os autores do processo, a negligência deliberada das empresas criou uma verdadeira “perturbação pública”, sobrecarregando os recursos de saúde e educação da cidade.

Um argumento recorrente, mas agora ampliado

Não é a primeira vez que redes sociais são acusadas de afetar jovens usuários. Nova York já fazia parte de uma coalizão estadual contra essas companhias. A novidade é que, desta vez, a cidade apresenta dados locais para reforçar sua posição.

Entre os exemplos, cita-se a morte de pelo menos 16 adolescentes em práticas perigosas inspiradas por tendências virais, como “surfar” no lado externo de trens do metrô. Só neste mês, duas meninas de 12 e 13 anos morreram após tentar o desafio.

O impacto na rotina escolar

O processo também inclui estatísticas sobre o uso excessivo de telas. Pesquisas mostram que 77,3% dos adolescentes nova-iorquinos passam três horas ou mais por dia diante de dispositivos digitais. Isso estaria diretamente ligado à perda de sono e ao aumento do absenteísmo escolar.

Os próprios distritos escolares da cidade confirmam que 36,2% dos alunos da rede pública já se enquadram como “cronicamente ausentes”, perdendo mais de 10% das aulas ao longo do ano letivo. Para as autoridades, há uma ligação direta entre esse fenômeno e a dependência das redes sociais.

Uma batalha nacional nos tribunais

Segundo a agência Reuters, já existem mais de 2.050 processos semelhantes em andamento nos Estados Unidos. A entrada de Nova York nesse litígio coletivo fortalece ainda mais o movimento, especialmente pelo peso de sua população: 8,48 milhões de habitantes, dos quais quase dois milhões são menores de 18 anos.

A cidade chegou a anunciar uma ação própria em 2024, mas decidiu retirar o caso individual para se unir à iniciativa federal mais ampla, aumentando assim suas chances de obter resultados.

As respostas das empresas

As companhias citadas têm reagido de formas distintas. Um porta-voz do Google declarou ao site Gizmodo que “essas ações entendem mal como funciona o YouTube”, reforçando que a plataforma seria um serviço de streaming, e não uma rede social voltada para interação entre amigos.

Além disso, destacou a existência de ferramentas de controle parental, como as Experiências Supervisionadas, elaboradas com apoio de especialistas em segurança infantil. Até o momento, Meta, Snap e ByteDance não se pronunciaram sobre a ação.

Fonte: Gizmodo ES

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