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A operação mais letal da história do Rio deixa dezenas de mortos e provoca críticas no Brasil e no mundo

Uma megaoperação policial no Rio de Janeiro terminou com mais de 60 mortos e dezenas de detenções, mergulhando a cidade em um clima de guerra e medo. O episódio, considerado o mais sangrento já registrado, gerou reações da ONU, de organizações de direitos humanos e de autoridades locais.
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O Rio de Janeiro voltou a ser palco de violência extrema após a maior operação policial de sua história recente. Mais de 2.500 agentes entraram em comunidades da zona norte para enfrentar o Comando Vermelho, principal facção criminosa da cidade. O resultado foi devastador: ao menos 64 mortos, entre suspeitos e policiais, dezenas de feridos, escolas fechadas, transporte interrompido e uma população inteira aterrorizada.

Corpos na rua e moradores em pânico

Na manhã seguinte à operação, moradores do Complexo da Penha alinharam mais de 50 corpos em uma praça, em protesto silencioso contra a violência. As imagens revelaram a dimensão da tragédia em uma região marcada por pobreza e ausência de políticas públicas.

Os relatos falam em tiroteios ininterruptos, ônibus incendiados usados como barricadas e famílias presas dentro de casa com medo das rajadas de fuzil. Ao mesmo tempo, hospitais recebiam vítimas em meio a disparos do lado de fora.

A versão oficial e os números da operação

Segundo o governador Cláudio Castro, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, 60 suspeitos e quatro policiais morreram na ação, batizada de “Operação Contenção”. Ao todo, 81 pessoas foram presas, além da apreensão de meia tonelada de drogas e 100 fuzis.

Castro descreveu o território alcançado como equivalente a “duas Copacabanas inteiras” e afirmou que o estado age sozinho no combate ao crime organizado, acusando o governo federal de negar apoio logístico e de segurança.

O Ministério da Justiça rebateu, lembrando que a Força Nacional e a Polícia Federal já atuam no estado e destacando mais de 170 operações realizadas no ano.

Críticas e acusações de “banho de sangue”

A operação foi duramente criticada por organizações nacionais e internacionais. A ONU afirmou estar “horrorizada” e lembrou ao Brasil suas obrigações internacionais de respeito aos direitos humanos. A Human Rights Watch pediu investigação detalhada de cada morte.

No âmbito local, a deputada Dani Monteiro, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, classificou a ação como “um cenário de guerra e barbárie”, afirmando que nenhuma política de segurança pode se sustentar com base em massacres.

Impacto social e educativo

As consequências se espalharam rapidamente pela cidade. Mais de 50 escolas fecharam suas portas, universidades suspenderam atividades e o metrô ficou sobrecarregado com moradores tentando voltar para casa. A prefeitura decretou alerta de nível 2, diante do risco de novos confrontos.

Enquanto helicópteros sobrevoavam comunidades e ruas eram bloqueadas, a sensação era de viver em uma cidade sitiada. Moradores descreveram um cotidiano de medo e desespero, com a violência estatal e a criminal se confundindo em meio ao fogo cruzado.

Um retrato da falha estrutural

A tragédia expôs novamente a fragilidade das políticas de segurança pública no Rio. O uso recorrente da força letal nas favelas, sem alternativas de inteligência ou planejamento social, reforça a percepção de abandono e violência institucionalizada.

Para especialistas, o episódio marca não apenas um recorde sangrento, mas também um alerta: sem diálogo entre esferas de governo e sem respeito à vida, a cidade continuará refém de uma guerra que parece não ter fim.

Fonte: Telefe Noticias

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