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Ciência

A palavra mais antiga do português sobrevive há 6 mil anos

Muito antes de existir “bom dia”, “saudade” ou “amor”, uma palavra já dominava o coração e a fala humana: mãe. Pequena, universal e carregada de emoção, ela atravessou milênios sem perder forma nem sentido — um verdadeiro fóssil vivo da linguagem.
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Uma herança mais velha que o latim

Antes de o português nascer, antes mesmo do latim se consolidar, povos da Eurásia já usavam sons parecidos com “ma”, “mamma” e “mater” para se referir à figura que dá origem e abrigo. De acordo com o Museu da Língua Portuguesa e o Ethnologue, esse som ancestral é uma das raízes mais antigas das línguas indo-europeias — um fragmento de fala que sobrevive há mais de seis mil anos.

Quando o latim clássico adotou mater, a base estava pronta. E quando o português começou a se formar entre os séculos IX e XII, “mãe” atravessou o período galego-português quase intacta. Linguistas da Universidade de Coimbra explicam que ela passou apenas por pequenas adaptações fonéticas até chegar exatamente à forma que conhecemos hoje.

Palavras que resistem ao tempo

A palavra mais antiga do português sobrevive há 6 mil anos
© Pexels

Estudos da Revista do Instituto de Letras da UFRGS mostram que termos ligados à família são os mais estáveis no vocabulário humano. A razão? Eles estão profundamente ligados à sobrevivência e às primeiras relações da infância. “Mãe”, “pai” e “água” — palavras simples e universais — são usadas desde o nascimento e, por isso, resistem mesmo quando outras desaparecem.

A Academia Brasileira de Letras reforça: essas palavras formam o núcleo da comunicação humana. Mesmo com as influências do árabe, do francês e de outros idiomas, como destaca o Museu da Língua Portuguesa, “mãe” se manteve firme. Enquanto milhares de termos mudaram, foram substituídos ou sumiram, ela continuou a mesma, uma ponte direta com o latim e com os povos que falaram suas primeiras sílabas há milênios.

Um elo entre todas as línguas

O poder dessa palavra vai além do português. Mother em inglês, madre em espanhol, mamma em italiano — todas derivam da mesma raiz fonética, segundo o Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva. Mesmo em culturas distantes, o som é quase idêntico e o significado, universal.

“Mãe” é uma das primeiras palavras que qualquer ser humano aprende. É usada todos os dias por milhões de pessoas, em todos os idiomas, para expressar o mesmo sentimento: origem, cuidado e amor.

O vocábulo que desafia o esquecimento

Mais que um substantivo, “mãe” é um elo linguístico entre passado e presente. É uma lembrança de que, mesmo em tempos de mudanças rápidas, algumas palavras são eternas.

[Fonte: Tecmundo]

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