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Ciência

As frases da infância que podem destruir — ou fortalecer — a autoestima

“Você não faz nada direito.” “Você nunca vai ser nada na vida.” Frases assim, ditas na infância, podem parecer inofensivas, mas deixam marcas profundas na autoestima e na forma como a criança se vê no mundo. Um estudo mostra como essas palavras moldam crenças, inseguranças e até o comportamento na vida adulta.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Quase todo mundo se lembra de alguma frase marcante ou dura que ouviu quando era criança. O problema é que o que pareceu “educação rígida” pode ter se transformado, na verdade, em uma ferida emocional. Segundo o Instituto Americano de Formação e Pesquisa (IAFI), nossas palavras têm um peso enorme — especialmente na infância, quando a mente ainda está construindo a própria identidade.

Quando o que se fala vira cicatriz

As frases da infância que podem destruir — ou fortalecer — a autoestima
© Pexels

A análise do IAFI alerta: algumas frases, repetidas com frequência, funcionam como ataques diretos à autoestima. Dizer “você é burro” ou “você não faz nada direito” mina a confiança da criança e pode gerar uma sensação permanente de inadequação. Já expressões como “você é um fracasso” ou “nunca vai ser nada na vida” criam uma espécie de profecia autorrealizável: o medo de não conseguir paralisa, e a pessoa deixa de tentar.

Essas mensagens, internalizadas desde cedo, podem ecoar por décadas, influenciando relações pessoais, decisões profissionais e a própria percepção de valor.

O perigo das comparações e do julgamento

Outro tipo de frase tóxica é o da comparação. Comentários como “seu irmão é melhor que você” ou “você nunca vai ser como seu pai” não motivam — ferem. Segundo o estudo, esse tipo de discurso pode gerar ressentimento, rivalidade e a sensação constante de não ser suficiente.

Há também as críticas sobre aparência, como “você está gordo” ou “ninguém vai te achar bonito assim”. Essas falas podem desencadear inseguranças profundas e até distúrbios alimentares, ao associar afeto e aceitação à imagem corporal.

Nem sempre dá para evitar — mas dá para reparar

O relatório reconhece que todos erram. Cansaço, estresse e frustração fazem parte da rotina dos pais e cuidadores, e em algum momento uma palavra atravessada pode escapar. O ponto central, dizem os especialistas, é não normalizar o padrão.

“Um comentário negativo pode ser corrigido, mas repeti-lo sistematicamente cria crenças limitantes”, destaca o documento. Substituir críticas por incentivo — e pedir desculpas quando for preciso — ajuda a reconstruir a segurança da criança.

O exemplo fala mais alto que as palavras

As atitudes pesam tanto quanto o discurso. “A ação fica mais gravada porque entra pelos olhos e não pelos ouvidos”, afirma o IAFI. Um ambiente familiar tenso ou violento pode ser ainda mais prejudicial que as palavras duras. A criança não apenas escuta — ela observa, sente e imita.

Por isso, equilibrar disciplina e empatia é essencial. Educar não é sobre nunca errar, mas sobre aprender e ajustar o rumo. Afinal, cada frase, gesto ou silêncio pode construir — ou quebrar — os alicerces da autoestima que acompanharão uma pessoa por toda a vida.

[Fonte: O Globo]

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