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Tecnologia

A rede secreta: como a Coreia do Norte usa trabalhadores remotos falsos para invadir empresas do Ocidente

Descubra os detalhes inéditos de uma operação secreta que usa identidades falsas para infiltrar trabalhadores remotos em grandes empresas dos EUA e Europa. Uma rede altamente organizada que financia o regime de Pyongyang, revelando métodos sofisticados e objetivos financeiros claros.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Nos últimos anos, a Coreia do Norte vem ampliando sua presença no mundo digital de maneira clandestina. Usando uma complexa rede de trabalhadores remotos falsos, o regime de Pyongyang consegue infiltrar cidadãos em empresas de tecnologia do Ocidente, obtendo recursos financeiros vitais para suas atividades. Uma recente grande filtragem de dados internos e e-mails expôs como essa operação funciona com rigor quase militar, mostrando seu impacto global.

Uma operação estruturada e disciplinada

Longe de ser improvisada, essa rede conta com uma organização bem definida. Conforme revelou o pesquisador SttyK à Wired, a operação envolve doze equipes, cada uma com cerca de doze integrantes, todas subordinadas a um “chefe mestre”. Os grupos usam ferramentas como Slack, contas Google, GitHub e planilhas para monitorar o progresso das missões, que incluem o mapeamento das tecnologias demandadas pelas empresas e o status de cada candidatura.

O objetivo vai além da simples infiltração: trata-se de garantir uma fonte constante de recursos financeiros para o regime. São priorizadas vagas em áreas de alta demanda como inteligência artificial, blockchain, desenvolvimento de bots, web e aplicativos móveis, focando em países onde a inserção é mais viável.

Construindo identidades falsas convincentes

O ex-trabalhador remoto “Jin-su”, que desertou da Coreia do Norte, revelou como o processo de criação das identidades funciona. Inicialmente, usavam identidades chinesas, mas descobriram que passaportes europeus e britânicos abriam mais portas. Documentos falsificados da Hungria, Turquia e Reino Unido são utilizados, e o inglês é aprimorado para entrevistas virtuais — um método facilitado pela ausência de contato físico.

Embora o avanço das ferramentas de inteligência artificial para entrevistas possa dificultar essa estratégia no futuro, a ausência do contato presencial tem sido uma vantagem até agora. Curiosamente, foram detectados currículos idênticos sendo usados por diferentes indivíduos dentro da rede.

Coreia Do Norte 1
© Goga Shutter – Shutterstock

Lucros, controle rigoroso e exaustão

A principal motivação é financeira. Estimativas da ONU apontam que essa rede gera entre 250 e 600 milhões de euros por ano para financiar o regime de Pyongyang. Dos salários recebidos, 85% são enviados diretamente para o governo norte-coreano, enquanto os trabalhadores ganham valores muito superiores aos praticados em seu país.

Alguns integrantes operam a partir da Rússia e China, onde desfrutam de maior liberdade, o que reduz as deserções. No entanto, o ritmo de trabalho é exaustivo: registros de mensagens mostram que os líderes das equipes exigem jornadas de pelo menos 14 horas diárias. Paralelamente, outra parte do esquema envolve o roubo de criptomoedas, acumulando bilhões em ataques cibernéticos que fortalecem ainda mais as finanças do regime.

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