Durante anos, uma rede social reinou absoluta quando o assunto era conversa em tempo real. Mas o cenário digital nunca fica parado por muito tempo. Novos hábitos, mudanças tecnológicas e disputas regulatórias estão alterando a forma como as pessoas se conectam — e, principalmente, onde elas passam mais tempo. Agora, um novo nome começa a ganhar espaço nos celulares de milhões de usuários.
O aplicativo que conquistou o bolso dos usuários
Nos últimos meses, uma rede social da Meta passou a registrar mais acessos diários em dispositivos móveis do que o X, plataforma comandada por Elon Musk e anteriormente conhecida como Twitter. A informação vem de um estudo da consultoria Similarweb, que monitora o tráfego de aplicativos e sites em todo o mundo.
De acordo com os dados, em 7 de janeiro de 2026, o Threads alcançou 141,5 milhões de usuários ativos por dia em celulares Android e iOS. No mesmo período, o X registrou cerca de 125 milhões de acessos nessas plataformas.
A diferença pode parecer pequena à primeira vista, mas representa uma virada simbólica. Afinal, os smartphones são hoje o principal ponto de acesso às redes sociais para a maioria das pessoas. Estar no topo desse ranking significa dominar o espaço mais valioso da atenção digital.
O crescimento do Threads no ambiente mobile não aconteceu de forma repentina. Desde meados de 2025, a plataforma vinha apresentando taxas de expansão expressivas, com aumentos anuais acima de 120% em alguns períodos. Em outubro daquele ano, a própria Meta confirmou que a rede já havia atingido 150 milhões de usuários diários no mundo todo.
Esse avanço mostra que o aplicativo deixou de ser apenas uma alternativa experimental e passou a ocupar um lugar fixo na rotina de quem consome conteúdo pelo celular.
Onde o X ainda mantém vantagem
Apesar da perda de espaço nos smartphones, o X continua forte em outro território: os computadores. No acesso via navegadores, a plataforma ainda lidera com folga.
Segundo o mesmo levantamento, o X registra cerca de 145,4 milhões de visitas diárias na web, enquanto o Threads aparece com apenas 8,5 milhões nesse formato. Isso indica que o público do X ainda mantém um hábito mais tradicional de uso em desktops e notebooks.
Essa diferença também reflete o perfil dos usuários. Muitos utilizam o X para acompanhar notícias, debates políticos, eventos ao vivo e discussões mais intensas — atividades que costumam acontecer com mais frequência em telas maiores.
Já o Threads parece estar mais alinhado ao consumo rápido, visual e casual típico dos smartphones. A experiência é integrada ao ecossistema da Meta, o que facilita o engajamento de quem já usa Instagram e Facebook.
Recursos novos, hábitos novos
Parte do crescimento do Threads pode ser explicada pela evolução da plataforma. Ao longo do tempo, a Meta adicionou recursos que tornaram a rede mais atraente e funcional.
Entre as novidades estão comunidades por interesse, filtros de conteúdo, mensagens diretas e suporte para textos mais longos. Esses ajustes ampliaram o tipo de interação possível, aproximando o aplicativo do formato de rede social completa — e não apenas de um espaço para posts curtos.
Além disso, a empresa utiliza sua enorme base de usuários do Instagram e do Facebook para promover o Threads, facilitando o cadastro e incentivando a migração de público. Para muitos usuários, experimentar a nova rede exige apenas alguns toques na tela.
Enquanto isso, o X enfrenta desafios fora do campo tecnológico. Investigações regulatórias em países como Brasil, Reino Unido e membros da União Europeia colocaram a plataforma sob pressão, especialmente por causa do uso da inteligência artificial Grok para gerar conteúdos considerados problemáticos.
Essas questões podem influenciar a percepção do público e afastar parte dos usuários mais cautelosos.
O cenário nos Estados Unidos
Nos EUA, o X ainda mantém uma base maior de usuários do que o Threads. No entanto, a distância entre as duas plataformas vem diminuindo rapidamente.
Em apenas um ano, a diferença de audiência caiu pela metade. Esse movimento indica que o Threads está ganhando relevância até mesmo em um mercado onde o X sempre foi dominante.
A instabilidade do setor também abriu espaço para concorrentes menores. A rede Bluesky, por exemplo, registrou um aumento significativo no número de downloads nas últimas semanas, impulsionada por usuários em busca de alternativas.
Esse ambiente fragmentado mostra que o público está mais disposto a experimentar novas plataformas, especialmente quando surgem dúvidas sobre moderação, privacidade ou qualidade do conteúdo.
O foco agora é manter quem chegou
Com o crescimento acelerado, o desafio do Threads passou a ser outro: reter usuários. Atrair curiosos é apenas o primeiro passo. Manter o público ativo exige inovação constante.
A Meta já testa novos formatos, como jogos integrados e publicações que desaparecem após um certo tempo. Essas funções buscam aumentar o tempo de permanência no aplicativo e criar hábitos diários de uso.
Os indicadores sugerem que o Threads está conseguindo transformar o acesso móvel em um comportamento regular. Para muitos usuários, abrir o aplicativo já faz parte da rotina, assim como acontece com outras redes consolidadas.
Enquanto isso, o X segue tentando preservar sua relevância em um cenário cada vez mais competitivo, apostando em recursos próprios, inteligência artificial e mudanças no modelo de negócios.
Uma disputa que ainda está longe do fim
A liderança no mobile não significa vitória definitiva. O mercado de redes sociais muda rapidamente, influenciado por tendências culturais, decisões políticas e avanços tecnológicos.
Hoje, o Threads domina o bolso dos usuários. Amanhã, outro aplicativo pode ocupar esse espaço. O que está claro é que a disputa entre plataformas está mais intensa do que nunca.
No meio dessa guerra silenciosa por atenção, quem realmente decide o vencedor é o público — com seus cliques, hábitos e preferências.
A pergunta que fica é simples: qual aplicativo você abre primeiro quando desbloqueia o celular?
[Fonte: Olhar digital]