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Tecnologia

União Europeia multa Elon Musk em US$ 140 milhões por uso “enganoso” dos selos azuis no X

A Comissão Europeia impôs ao X (antigo Twitter) uma multa de 120 milhões de euros por considerar que o sistema de selos azuis pago engana usuários e viola regras de transparência do Digital Services Act. A decisão representa mais um golpe financeiro e regulatório para a plataforma de Elon Musk.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O plano de Elon Musk de transformar o selo azul do X em uma fonte de receita acaba de sofrer um revés significativo. A União Europeia concluiu que o design do sistema de verificação pago é enganoso e prejudica a transparência sobre anúncios e conteúdo, violando o Digital Services Act (DSA). A multa de 140 milhões de dólares se soma à queda de anunciantes, redução de usuários e dificuldades financeiras que vêm marcando a plataforma desde sua aquisição.

Por que a Comissão Europeia multou o X

A Comissão Europeia, órgão executivo responsável por fiscalizar o cumprimento das leis no bloco, afirma que o X violou obrigações de transparência previstas no Digital Services Act, legislação criada para regular grandes plataformas digitais e reduzir riscos como desinformação e golpes online.

Segundo o comunicado, os problemas principais estão em três áreas:

  1. Design enganoso do selo azul, que pode induzir usuários a acreditar que contas pagas foram verificadas pela plataforma.

  2. Falta de transparência em anúncios e no repositório de publicidade, dificultando a identificação de campanhas potencialmente abusivas.

  3. Restrição ao acesso de pesquisadores, que precisam desses dados para investigar manipulações, fraudes e operações coordenadas.

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão, foi direta:

“Enganar usuários com selos azuis, esconder informações sobre anúncios e dificultar o trabalho de pesquisadores não tem lugar na internet europeia.”

Como o sistema de verificação mudou sob Musk

Antes da compra por Elon Musk, o Twitter reservava o selo azul para figuras públicas, veículos jornalísticos, especialistas e instituições cuja identidade havia sido comprovada. A intenção era reduzir riscos de impersonação e promover conteúdo confiável.

Em 2022, Musk implementou um modelo pago: qualquer pessoa pode obter o selo azul assinando o plano Premium, sem verificação real. Para a Comissão Europeia, esse sistema:

  • dificulta para usuários identificar contas autênticas,

  • aumenta a exposição a fraudes,

  • amplia o risco de desinformação e golpes,

  • fragiliza o ecossistema de informações confiáveis.

A Comissão argumenta que isso viola obrigações de “design não enganoso” exigidas pelo DSA.

Queda de receita e pressão crescente sobre o X

Desde a aquisição da empresa por Musk, em 2022, o X:

  • perdeu parte significativa de seus anunciantes,

  • registrou queda de usuários ativos,

  • reduziu receita para cerca de US$ 2,5 bilhões em 2024, segundo estimativas — quase metade dos US$ 5 bilhões pré-Musk,

  • depende cada vez mais de assinaturas.

No entanto, dados da Appfigures indicam que, entre 2021 e 2024, as assinaturas via app mobile geraram apenas US$ 200 milhões brutos. Considerando comissões das lojas de aplicativos, o X teria lucrado cerca de US$ 140 milhões — exatamente o valor aproximado da multa aplicada pela Comissão Europeia.

Ou seja: todo o faturamento das assinaturas pode evaporar de uma só vez com a punição.

Próximos passos e possíveis novas multas

A Comissão Europeia deu prazos para o X se adequar:

  • 60 dias para apresentar um plano de correção sobre o selo azul;

  • 90 dias para resolver os demais problemas de transparência.

Se a empresa não atender às exigências, poderá enfrentar multas adicionais — que, pelo DSA, podem chegar a 6% do faturamento anual global.

Apesar do prejuízo potencial, Musk segue à frente da plataforma, enquanto investidores e usuários observam o futuro incerto da rede social.

 

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