O plano de Elon Musk de transformar o selo azul do X em uma fonte de receita acaba de sofrer um revés significativo. A União Europeia concluiu que o design do sistema de verificação pago é enganoso e prejudica a transparência sobre anúncios e conteúdo, violando o Digital Services Act (DSA). A multa de 140 milhões de dólares se soma à queda de anunciantes, redução de usuários e dificuldades financeiras que vêm marcando a plataforma desde sua aquisição.
Por que a Comissão Europeia multou o X
A Comissão Europeia, órgão executivo responsável por fiscalizar o cumprimento das leis no bloco, afirma que o X violou obrigações de transparência previstas no Digital Services Act, legislação criada para regular grandes plataformas digitais e reduzir riscos como desinformação e golpes online.
Segundo o comunicado, os problemas principais estão em três áreas:
- Design enganoso do selo azul, que pode induzir usuários a acreditar que contas pagas foram verificadas pela plataforma.
- Falta de transparência em anúncios e no repositório de publicidade, dificultando a identificação de campanhas potencialmente abusivas.
- Restrição ao acesso de pesquisadores, que precisam desses dados para investigar manipulações, fraudes e operações coordenadas.
Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão, foi direta:
“Enganar usuários com selos azuis, esconder informações sobre anúncios e dificultar o trabalho de pesquisadores não tem lugar na internet europeia.”
Como o sistema de verificação mudou sob Musk
Antes da compra por Elon Musk, o Twitter reservava o selo azul para figuras públicas, veículos jornalísticos, especialistas e instituições cuja identidade havia sido comprovada. A intenção era reduzir riscos de impersonação e promover conteúdo confiável.
Em 2022, Musk implementou um modelo pago: qualquer pessoa pode obter o selo azul assinando o plano Premium, sem verificação real. Para a Comissão Europeia, esse sistema:
- dificulta para usuários identificar contas autênticas,
- aumenta a exposição a fraudes,
- amplia o risco de desinformação e golpes,
- fragiliza o ecossistema de informações confiáveis.
A Comissão argumenta que isso viola obrigações de “design não enganoso” exigidas pelo DSA.
Queda de receita e pressão crescente sobre o X
Desde a aquisição da empresa por Musk, em 2022, o X:
- perdeu parte significativa de seus anunciantes,
- registrou queda de usuários ativos,
- reduziu receita para cerca de US$ 2,5 bilhões em 2024, segundo estimativas — quase metade dos US$ 5 bilhões pré-Musk,
- depende cada vez mais de assinaturas.
No entanto, dados da Appfigures indicam que, entre 2021 e 2024, as assinaturas via app mobile geraram apenas US$ 200 milhões brutos. Considerando comissões das lojas de aplicativos, o X teria lucrado cerca de US$ 140 milhões — exatamente o valor aproximado da multa aplicada pela Comissão Europeia.
Ou seja: todo o faturamento das assinaturas pode evaporar de uma só vez com a punição.
Próximos passos e possíveis novas multas
A Comissão Europeia deu prazos para o X se adequar:
- 60 dias para apresentar um plano de correção sobre o selo azul;
- 90 dias para resolver os demais problemas de transparência.
Se a empresa não atender às exigências, poderá enfrentar multas adicionais — que, pelo DSA, podem chegar a 6% do faturamento anual global.
Apesar do prejuízo potencial, Musk segue à frente da plataforma, enquanto investidores e usuários observam o futuro incerto da rede social.