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Ciência

A NASA conseguiu algo que parecia quase impossível em Marte: hélices supersônicas capazes de voar em uma atmosfera onde helicópteros mal deveriam sair do chão

Engenheiros da NASA acabam de testar rotores que ultrapassam a velocidade do som em condições simuladas de Marte. O avanço pode transformar completamente a exploração do planeta vermelho, permitindo helicópteros maiores, mais rápidos e capazes de carregar instrumentos científicos complexos para regiões que nenhum rover conseguiu alcançar até hoje.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Voar em Marte já parecia difícil o suficiente. Agora, a NASA quer fazer isso em velocidades supersônicas.

Em testes recentes realizados no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, engenheiros conseguiram fazer as pontas das hélices de um novo helicóptero marciano ultrapassarem Mach 1 — a velocidade do som.

O feito representa um marco importante para a exploração espacial porque Marte possui uma atmosfera extremamente fina, onde gerar sustentação é muito mais complicado do que na Terra.

Ainda assim, a agência espacial acredita que essa nova geração de aeronaves poderá revolucionar futuras missões robóticas e até ajudar na preparação da presença humana no planeta vermelho.

O desafio quase absurdo de voar em Marte

Poeira De Marte
© JAXA

Na Terra, helicópteros dependem da densidade do ar para criar sustentação. As pás giram, empurram o ar para baixo e mantêm a aeronave no ar.

O problema é que a atmosfera de Marte possui apenas cerca de 1% da densidade atmosférica terrestre e é composta principalmente de dióxido de carbono.

Isso significa que hélices convencionais simplesmente não funcionariam ali.

Para compensar essa falta de densidade, os rotores precisam girar em velocidades extremamente altas. E foi justamente isso que a NASA colocou à prova nos novos experimentos.

Durante os testes, as hélices chegaram a impressionantes 3.750 rotações por minuto.

O primeiro helicóptero supersônico de Marte

Os experimentos aconteceram dentro de câmaras especiais que reproduzem as condições atmosféricas marcianas.

Ao todo, os engenheiros realizaram 137 testes diferentes, avaliando rotores de duas e três pás submetidos a fortes ventos e velocidades extremas.

O resultado surpreendeu até a própria equipe.

Segundo a NASA, as pontas das hélices atingiram Mach 1.08 — ultrapassando a velocidade do som em Marte sem apresentar danos estruturais.

A velocidade do som no planeta vermelho é menor que na Terra por causa das características da atmosfera marciana, ficando em torno de:

869 km/h869\ \mathrm{km/h}869 km/h

Isso significa que as pontas das hélices chegaram a velocidades impressionantes dentro de um ambiente extremamente hostil para voo.

O que muda com essa nova tecnologia

O avanço vai muito além de bater recordes de velocidade.

Os novos helicópteros terão capacidade de transportar cargas científicas muito maiores do que o Ingenuity, o pequeno drone que entrou para a história ao realizar o primeiro voo em outro planeta em 2021.

Segundo a NASA, a capacidade de sustentação aumentou cerca de 30%.

Isso permitirá levar câmeras de alta resolução, sensores avançados, baterias maiores e instrumentos científicos mais sofisticados.

Na prática, os helicópteros poderão percorrer distâncias maiores e alcançar regiões que rovers dificilmente conseguiriam explorar, como cânions, crateras profundas e terrenos extremamente acidentados.

SkyFall: a próxima geração de helicópteros marcianos

Os testes já fazem parte do desenvolvimento da missão SkyFall, prevista para ser lançada em 2028.

A ideia é enviar três helicópteros avançados para Marte, capazes de atuar de forma muito mais independente do que o Ingenuity.

Enquanto o pequeno drone original servia apenas como demonstração tecnológica, os novos veículos terão funções científicas reais.

Eles poderão mapear terrenos, analisar formações geológicas e até ajudar futuras missões tripuladas identificando áreas seguras para pouso e deslocamento.

Segundo os engenheiros envolvidos, o objetivo agora não é apenas provar que voar em Marte é possível — isso já foi demonstrado — mas transformar essas aeronaves em ferramentas centrais da exploração planetária.

Um novo capítulo da exploração espacial

O sucesso dos testes também revela algo importante sobre o futuro da engenharia espacial: Marte está deixando de ser um ambiente experimental para se tornar um cenário operacional real.

Cada novo avanço aproxima a ideia de missões humanas sustentáveis no planeta vermelho.

A NASA acredita que helicópteros supersônicos poderão funcionar como exploradores rápidos, complementando rovers e futuras bases humanas.

Eles conseguiriam percorrer grandes distâncias em pouco tempo, transportar equipamentos e investigar regiões perigosas antes da chegada de astronautas.

Ainda há muitos desafios técnicos pela frente. Mas a barreira psicológica mais importante talvez já tenha sido quebrada.

Voar em Marte parecia impossível há poucos anos.

Agora a NASA está tentando fazer isso acima da velocidade do som.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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