Voar em Marte já parecia difícil o suficiente. Agora, a NASA quer fazer isso em velocidades supersônicas.
Em testes recentes realizados no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, engenheiros conseguiram fazer as pontas das hélices de um novo helicóptero marciano ultrapassarem Mach 1 — a velocidade do som.
O feito representa um marco importante para a exploração espacial porque Marte possui uma atmosfera extremamente fina, onde gerar sustentação é muito mais complicado do que na Terra.
Ainda assim, a agência espacial acredita que essa nova geração de aeronaves poderá revolucionar futuras missões robóticas e até ajudar na preparação da presença humana no planeta vermelho.
O desafio quase absurdo de voar em Marte

Na Terra, helicópteros dependem da densidade do ar para criar sustentação. As pás giram, empurram o ar para baixo e mantêm a aeronave no ar.
O problema é que a atmosfera de Marte possui apenas cerca de 1% da densidade atmosférica terrestre e é composta principalmente de dióxido de carbono.
Isso significa que hélices convencionais simplesmente não funcionariam ali.
Para compensar essa falta de densidade, os rotores precisam girar em velocidades extremamente altas. E foi justamente isso que a NASA colocou à prova nos novos experimentos.
Durante os testes, as hélices chegaram a impressionantes 3.750 rotações por minuto.
O primeiro helicóptero supersônico de Marte
Os experimentos aconteceram dentro de câmaras especiais que reproduzem as condições atmosféricas marcianas.
Ao todo, os engenheiros realizaram 137 testes diferentes, avaliando rotores de duas e três pás submetidos a fortes ventos e velocidades extremas.
O resultado surpreendeu até a própria equipe.
Segundo a NASA, as pontas das hélices atingiram Mach 1.08 — ultrapassando a velocidade do som em Marte sem apresentar danos estruturais.
A velocidade do som no planeta vermelho é menor que na Terra por causa das características da atmosfera marciana, ficando em torno de:
869 km/h869\ \mathrm{km/h}869 km/h
Isso significa que as pontas das hélices chegaram a velocidades impressionantes dentro de um ambiente extremamente hostil para voo.
O que muda com essa nova tecnologia
O avanço vai muito além de bater recordes de velocidade.
Os novos helicópteros terão capacidade de transportar cargas científicas muito maiores do que o Ingenuity, o pequeno drone que entrou para a história ao realizar o primeiro voo em outro planeta em 2021.
Segundo a NASA, a capacidade de sustentação aumentou cerca de 30%.
Isso permitirá levar câmeras de alta resolução, sensores avançados, baterias maiores e instrumentos científicos mais sofisticados.
Na prática, os helicópteros poderão percorrer distâncias maiores e alcançar regiões que rovers dificilmente conseguiriam explorar, como cânions, crateras profundas e terrenos extremamente acidentados.
SkyFall: a próxima geração de helicópteros marcianos
🚁🔴 Mach 1.08 ! Les pales de rotor des futurs hélicoptères martiens de la NASA, successeurs d’Ingenuity, ont dépassé le mur du son lors d’essais menés au JPL dans une atmosphère simulée 100 fois moins dense que celle de la Terre. Objectif : voler plus loin et plus longtemps. pic.twitter.com/ZXAmmnzah0
— Xplora (@XploraSpace) May 8, 2026
Os testes já fazem parte do desenvolvimento da missão SkyFall, prevista para ser lançada em 2028.
A ideia é enviar três helicópteros avançados para Marte, capazes de atuar de forma muito mais independente do que o Ingenuity.
Enquanto o pequeno drone original servia apenas como demonstração tecnológica, os novos veículos terão funções científicas reais.
Eles poderão mapear terrenos, analisar formações geológicas e até ajudar futuras missões tripuladas identificando áreas seguras para pouso e deslocamento.
Segundo os engenheiros envolvidos, o objetivo agora não é apenas provar que voar em Marte é possível — isso já foi demonstrado — mas transformar essas aeronaves em ferramentas centrais da exploração planetária.
Um novo capítulo da exploração espacial
O sucesso dos testes também revela algo importante sobre o futuro da engenharia espacial: Marte está deixando de ser um ambiente experimental para se tornar um cenário operacional real.
Cada novo avanço aproxima a ideia de missões humanas sustentáveis no planeta vermelho.
A NASA acredita que helicópteros supersônicos poderão funcionar como exploradores rápidos, complementando rovers e futuras bases humanas.
Eles conseguiriam percorrer grandes distâncias em pouco tempo, transportar equipamentos e investigar regiões perigosas antes da chegada de astronautas.
Ainda há muitos desafios técnicos pela frente. Mas a barreira psicológica mais importante talvez já tenha sido quebrada.
Voar em Marte parecia impossível há poucos anos.
Agora a NASA está tentando fazer isso acima da velocidade do som.
[ Fonte: Infobae ]