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Ciência

A Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol no fim de sua vida, diz estudo — mas existe um detalhe que muda completamente essa história

Durante décadas, cientistas acreditaram que a Terra seria inevitavelmente consumida quando o Sol se transformasse em uma gigante vermelha. Agora, um novo estudo sugere que o planeta pode sobreviver ao colapso da estrela. O problema é que, mesmo nesse cenário mais otimista, a vida já terá desaparecido muito antes.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol deixará de ser a estrela relativamente estável que conhecemos hoje e entrará em sua fase final de evolução. Nesse processo, ele crescerá centenas de vezes além do tamanho atual, transformando-se em uma gigante vermelha capaz de remodelar completamente o Sistema Solar. Durante muito tempo, o destino da Terra parecia inevitável: ser engolida pela estrela em expansão. Mas uma nova pesquisa publicada na revista Astronomy & Astrophysics propõe um cenário diferente. Segundo os autores, existe uma possibilidade de o planeta escapar da destruição — embora isso não signifique que a humanidade tenha qualquer chance de sobreviver.

O Sol ainda está apenas na metade de sua vida

Embora pareça imutável em nossa escala de tempo, o Sol está em constante evolução.

Hoje, a estrela tem cerca de 4,6 bilhões de anos e já consumiu aproximadamente metade do hidrogênio disponível em seu núcleo. Nos próximos bilhões de anos, continuará fundindo hidrogênio em hélio até esgotar esse combustível.

Quando isso acontecer, o núcleo começará a se contrair enquanto as camadas externas se expandirão enormemente. O Sol se transformará em uma gigante vermelha, atingindo centenas de vezes seu diâmetro atual.

Mercúrio e Vênus certamente serão engolidos durante essa expansão. O destino da Terra, porém, permanece uma das maiores dúvidas da astronomia.

O futuro da Terra depende de um delicado equilíbrio

Pesquisadores do Instituto de Astronomia da KU Leuven, na Bélgica, reavaliaram esse cenário utilizando modelos mais detalhados da evolução estelar e das chamadas interações de maré gravitacional.

Segundo o estudo, dois processos competem entre si.

À medida que o Sol aumenta de tamanho, sua gravidade pode gerar forças de maré capazes de puxar lentamente a Terra para mais perto da estrela, levando o planeta a ser consumido.

Por outro lado, durante essa fase final, o Sol perderá enormes quantidades de massa por meio de ventos estelares. Com menos massa, sua força gravitacional diminuirá, permitindo que a Terra migre gradualmente para uma órbita mais distante.

O resultado dependerá de qual desses dois efeitos prevalecer.

Caso a perda de massa seja suficientemente rápida, o planeta poderá escapar das camadas externas da gigante vermelha.

Tudo depende da velocidade com que o Sol perderá massa

De acordo com Mats Esseldeurs, autor principal da pesquisa, esse equilíbrio é extremamente delicado.

O grande problema é que os astrônomos ainda não compreendem completamente a velocidade com que estrelas semelhantes ao Sol perdem massa durante seus estágios finais de evolução.

Essa incerteza impede que os pesquisadores afirmem com segurança qual será o destino definitivo da Terra.

Para buscar evidências adicionais, a equipe analisou observações da estrela L2 Puppis, considerada uma espécie de “janela para o futuro” do nosso Sol.

Os dados obtidos até agora indicam que planetas semelhantes à Terra podem sobreviver à fase de gigante vermelha, mas os cientistas ressaltam que ainda são necessárias observações mais precisas para confirmar essa hipótese.

Mercúrio e Vênus não terão a mesma sorte

Enquanto o futuro da Terra permanece incerto, o dos dois planetas mais próximos do Sol parece praticamente definido.

Os modelos mostram que Mercúrio e Vênus serão inevitavelmente engolidos durante a expansão da estrela.

Marte, por outro lado, possui grandes chances de sobreviver. Assim como a Terra, ele poderá migrar para uma órbita mais distante conforme a gravidade solar enfraquecer.

Após perder suas camadas externas, o Sol encerrará sua existência como uma anã branca, um pequeno núcleo extremamente denso e quente que permanecerá resfriando lentamente ao longo de bilhões de anos.

Mesmo sobrevivendo, a Terra já estará completamente inabitável

Existe, porém, um detalhe importante que muda completamente a perspectiva dessa descoberta.

Muito antes de o Sol atingir sua fase de gigante vermelha, ele continuará aumentando gradualmente seu brilho.

Esse processo fará com que a temperatura da Terra suba continuamente, tornando os oceanos instáveis, alterando profundamente o clima e inviabilizando qualquer forma de vida complexa.

Ou seja, mesmo que o planeta consiga escapar de ser engolido pelo Sol daqui a bilhões de anos, isso não representa uma salvação para seus habitantes.

Na melhor das hipóteses, a Terra continuará existindo como um mundo árido, superaquecido e completamente estéril, orbitando uma estrela que já não será mais parecida com o Sol que conhecemos hoje.

 

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