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Adeus à ideia de que o Everest é o ponto mais alto da Terra: cientistas identificam “montanhas” internas tão grandes quanto um continente

Um novo estudo revela que as maiores estruturas montanhosas do planeta não estão na superfície, mas a milhares de quilômetros de profundidade, na fronteira entre o núcleo e o manto. Com até mil quilômetros de altura e cinco mil de largura, essas formações colossais podem ser remanescentes da Terra primitiva.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, o Everest foi considerado o limite máximo da altura terrestre. Porém, avanços recentes em modelagem sísmica mostram que o recorde é facilmente superado por gigantes escondidos no interior do planeta. A análise de vibrações sísmicas pós-terremoto permitiu identificar duas estruturas subterrâneas de proporções continentais, localizadas sob a África e o Pacífico. Mais do que impressionantes, esses blocos podem revelar segredos da formação inicial da Terra.

As maiores “montanhas” do planeta ficam a milhares de quilômetros de profundidade

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© https://x.com/PRAVDAoKLIMATU

O estudo, publicado na revista Nature, utilizou um modelo sísmico global capaz de observar como a Terra vibra após grandes terremotos. A técnica, aplicada pela geofísica Arwen Deuss, da Universidade de Utrecht, permitiu mapear duas estruturas colossais na chamada fronteira núcleo-manto — região localizada a quase 3.000 km de profundidade.

Essas formações, conhecidas tecnicamente como LLSVPs (Large Low-Shear Velocity Provinces), atingem até 1.000 km de altura, algo cem vezes maior que o Everest. Mesmo não sendo montanhas no sentido tradicional, sua escala monumental faz delas as maiores estruturas já identificadas no interior do planeta.

Estruturas gigantescas e únicas: nada parecido existe na crosta terrestre

Além de extremamente altas, as duas estruturas subterrâneas podem alcançar 5.000 km de largura, abrangendo um volume comparável ao de um continente inteiro. Uma delas se estende sob a África; a outra ocupa boa parte da região sob o Pacífico central.

A composição também surpreende: trata-se de material denso, quente e quimicamente distinto do restante do manto. Segundo os pesquisadores, essa substância não se misturou com outras camadas internas durante bilhões de anos, sugerindo uma origem excepcionalmente antiga.

Para investigar esse aspecto, a equipe analisou como a energia sísmica é atenuada ao passar por essas regiões. O comportamento das ondas indica a presença de um material muito mais denso do que o manto circundante — e possivelmente mais antigo que grande parte do interior da Terra.

De onde vieram essas estruturas? Um possível “cemitério geológico”

Embora a origem exata ainda seja debatida, uma das hipóteses mais aceitas é que essas formações sejam restos de antigas placas tectônicas, afundadas lentamente até a base do manto ao longo de bilhões de anos. Nesse cenário, essas placas acumuladas formariam um “cemitério geológico”, onde fragmentos antigos permanecem isolados e não se misturam ao restante da rocha derretida.

Outra possibilidade é que essas regiões representem material primordial, preservado desde os primeiros momentos da formação da Terra, funcionando como cápsulas do tempo químicas que resistiram a processos de reciclagem interna.

Seja qual for a explicação, sua escala gigantesca — comparável à de continentes inteiros — e sua composição singular tornam essas estruturas uma das chaves mais promissoras para desvendar a história profunda do planeta.

Uma nova janela para compreender a Terra primitiva

O estudo abre caminho para repensar como a Terra evoluiu internamente. Se confirmada a natureza antiga e densa dessas estruturas, elas poderão explicar desde padrões de vulcanismo até mudanças na dinâmica do manto ao longo da história geológica.

As “montanhas internas” derrubam definitivamente a ideia de que os maiores relevos terrestres estão na superfície. Ocultas sob milhares de quilômetros de rocha, elas revelam um planeta muito mais complexo — e ainda cheio de mistérios a serem explorados.

 

[ Fonte: Marca ]

 

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