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Tecnologia

Água salgada e resíduos do petróleo podem ajudar a matar a sede dos centros de dados de IA

Pesquisadores avaliaram tecnologias já disponíveis para transformar água salina em recurso para refrigeração. A proposta pode aliviar a pressão sobre fontes de água doce, mas envolve custos e resíduos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A expansão da inteligência artificial traz um desafio que vai além da eletricidade: retirar o calor dos servidores sem ampliar a disputa por água. Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin investigaram uma alternativa para essa demanda crescente. Em vez de depender apenas de fontes de água doce, centros de dados poderiam utilizar água salobra, marinha ou proveniente da produção de petróleo, depois de um tratamento adequado.

A proposta começa pelo tratamento da água

Toxinas Da água
© J K – Unsplash

O estudo publicado na revista Water Research avaliou sistemas de dessalinização para produzir água com baixa concentração de sais destinada aos centros de dados. O trabalho reúne análises técnicas e econômicas, com diferentes combinações de tratamento.

A ideia não consiste em fazer água contaminada circular diretamente pelos equipamentos. Primeiro, é necessário processá-la para obter qualidade compatível com o uso pretendido.

Segundo a divulgação da pesquisa pela universidade, as tecnologias necessárias já existem. Vaibhav Bahadur, um dos responsáveis pelo trabalho, afirma que parte do problema pode ser enfrentada com soluções disponíveis, embora sua aplicação tenha um custo.

Duas tecnologias atendem a condições diferentes

Os pesquisadores examinaram osmose reversa, compressão mecânica de vapor e sistemas que combinam os dois processos. Na osmose reversa, membranas separam sais da água sob pressão. Na compressão de vapor, o tratamento envolve evaporação e posterior condensação.

A escolha depende das características da fonte. O estudo considerou água salobra, água do mar e água produzida durante a extração de petróleo, que pode apresentar salinidade ainda maior.

Também analisou formas de administrar a salmoura, o líquido concentrado que sobra do tratamento. Recuperar mais água reduz o volume descartado, mas exige energia e investimento adicionais. Portanto, a eficiência precisa considerar tanto a água obtida quanto os recursos consumidos para produzi-la.

Água mais salgada pode custar mais caro

Em um dos cenários modelados, um sistema híbrido aplicado à água do mar recuperou 736 litros de água doce para cada mil quilogramas de água recebida. O custo estimado foi de US$ 3,20 por metro cúbico produzido.

Para água de produção petrolífera com maior salinidade, outro sistema apresentou recuperação semelhante, mas custo de US$ 10,40 por metro cúbico. O consumo energético também foi superior. Esses valores correspondem às condições analisadas no trabalho e não representam preços universais.

Apesar desse gasto adicional, os pesquisadores afirmam que até as opções de tratamento mais intensivas representam uma pequena parcela do consumo energético total de um centro de dados. A viabilidade depende, assim, da combinação entre fonte disponível, tecnologia escolhida e condições locais.

Um resíduo industrial pode ganhar outra utilidade

Gigantes Do Petróleo
© FreePik

A indústria de petróleo e gás gera grandes volumes de água residual. A possibilidade de tratá-la para refrigeração aproxima duas necessidades: administrar um resíduo industrial e abastecer instalações que precisam dissipar calor.

Essa conexão pode reduzir a pressão sobre fontes utilizadas pelas comunidades. Entretanto, transformar o resíduo em recurso exige avaliar o tratamento e o destino da salmoura, sem presumir que toda fonte será igualmente vantajosa.

O trabalho também propõe um indicador para estimar como o uso de água salina afeta a pressão sobre os recursos hídricos locais. A intenção é ajudar a comparar alternativas considerando o lugar onde o centro de dados funciona.

O consumo de água vai além da refrigeração

A análise ambiental precisa incluir também a água usada para gerar eletricidade. Um levantamento da Universidade do Texas sobre centros de dados destaca essa diferença entre demanda direta, dentro da instalação, e indireta, associada ao fornecimento de energia.

Nesse relatório separado, pesquisadores estimaram que o setor poderia representar entre 3% e 9% do uso de água do Texas até 2040, dependendo do crescimento, da refrigeração e da matriz elétrica.

Embora o contexto seja regional, a questão interessa a outros países que recebem novas instalações. Planejar centros de dados exige combinar disponibilidade de água, capacidade energética e infraestrutura de tratamento. A dessalinização amplia as alternativas, mas seu benefício precisa ser demonstrado em cada projeto.

 

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