O modelo em tamanho real foi exibido em uma fábrica perto de Munique. Com design angular e cauda em “V”, o drone deve realizar seu primeiro voo em 2027 e estar pronto para uso militar até 2031.
Segundo a Helsing, a ideia é oferecer uma aeronave mais barata e descartável que caças tradicionais, mas capaz de atuar em missões críticas como distração, bloqueio de sinais ou suporte em ataques aéreos.
“A inteligência artificial muda tudo, inclusive na defesa. E o ponto central que ela traz é a autonomia”, afirmou Gundbert Scherf, cofundador da empresa, em entrevista à Reuters.
Concorrência internacional na corrida dos drones

A corrida tecnológica não é exclusiva da Alemanha. Nos Estados Unidos, a Força Aérea já selecionou a Anduril e a General Atomics, fabricante do drone Reaper, para desenvolver a primeira frota de Aeronaves de Combate Colaborativo (CCA). Em junho, a Airbus também apresentou seu conceito de drone para voar junto ao caça Eurofighter Typhoon.
Nesse cenário, o Europa se junta a uma lista crescente de veículos aéreos não tripulados (UCAVs, na sigla em inglês), considerados peças-chave para enfrentar ambientes aéreos cada vez mais disputados.
Investimentos e estratégia da Helsing
A empresa anunciou que vai investir centenas de milhões de euros em cooperação com companhias europeias, sem revelar nomes. Também não informou quais armas o drone poderá carregar, apenas que custará “uma fração” do preço de um caça tradicional.
Para viabilizar o projeto, a Helsing comprou a fabricante de aviões Grob, conhecida por produzir aeronaves de treinamento usadas por cerca de 14 países. A ideia é aproveitar a experiência da Grob na produção em série de aeronaves leves, de 3 a 5 toneladas — justamente o porte esperado para o CA-1 Europa.
Ainda assim, especialistas alertam: há um salto enorme entre fabricar treinadores e desenvolver drones de combate autônomos em larga escala. “É uma transição ambiciosa, e não está claro se startups conseguem dominar processos tão complexos rapidamente”, avaliou Douglas Barrie, pesquisador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).
Da IA para a guerra na Ucrânia
Fundada em 2021, a Helsing nasceu como desenvolvedora de softwares de inteligência artificial para empresas de defesa. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a startup passou a investir em hardware militar e atraiu grandes investidores, como o CEO do Spotify, Daniel Ek, e a fabricante sueca Saab.
Hoje, a companhia é avaliada em US$ 12 bilhões, tornando-se a maior startup de defesa da Europa. Apesar disso, analistas destacam que ainda falta comprovar impacto significativo em campo.
A empresa afirma já ter fornecido 2.000 drones HF-1 de um total de 4.000 encomendados pela Ucrânia e iniciou a produção de 6.000 drones de ataque HX-2. No entanto, os HX-2 ainda estão em fase de testes.
A revelação do drone Europa mostra como a guerra moderna está cada vez mais moldada pela tecnologia. Mas também levanta questões: até que ponto a autonomia da inteligência artificial deve avançar em cenários de combate? E como países vão lidar com os riscos de delegar decisões críticas a máquinas?
[Fonte: Reuters]