Como os drones mudaram o campo de batalha

Nos últimos meses, Moscou acelerou a produção de drones Shahed, inspirados em modelos iranianos, e hoje fabrica milhares por mês na unidade de Alabuga, na região do Tartaristão. Com isso, a Rússia consegue lançar centenas de ataques simultâneos, muitas vezes durante a noite, com o objetivo de esgotar os sistemas de defesa ucranianos.
Em 2022, um drone custava cerca de US$ 200 mil. Hoje, graças à produção em larga escala, o preço caiu para US$ 70 mil — e estimativas apontam que pode ser ainda menor, variando entre US$ 20 mil e US$ 50 mil por unidade, segundo o CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais). Em comparação, cada míssil interceptador usado pela Ucrânia pode ultrapassar US$ 3 milhões, criando uma guerra de custo assimétrico.
Impacto nas cidades ucranianas
Os ataques se tornaram mais frequentes e devastadores. Em 2025, ofensivas de larga escala com mísseis e drones passaram a ocorrer, em média, a cada oito dias — no início da guerra, aconteciam uma vez por mês.
Para civis, a ameaça é constante. Em Kiev, Bohdana Zhupanyna, grávida de nove meses, teve seu apartamento destruído por um drone russo:
“Perdi muito nesta guerra. Meu pai foi morto, minha casa foi destruída, e minha mãe quase morreu pelas mãos dos russos”, disse à CNN.
Nas regiões próximas às linhas de frente, como Kherson, moradores relatam ataques diários de drones FPV — modelos menores, equipados com câmeras que permitem ao piloto operar com visão em primeira pessoa. Carros, ônibus, ambulâncias e até pedestres têm sido atingidos.
A Rússia nega atacar civis, mas as evidências e relatos coletados por organizações independentes indicam o contrário.
Ucrânia tenta reagir, mas enfrenta desafios

Com a rápida evolução das táticas russas, a Ucrânia tem buscado inovações próprias. Drones FPV são usados para contra-ataques nas linhas de frente e até mesmo para atingir infraestruturas estratégicas dentro da Rússia.
No entanto, a corrida tecnológica é intensa. Segundo Kateryna Stepanenko, analista do Instituto para o Estudo da Guerra, o ciclo de adaptação é acelerado:
“Em questão de duas ou três semanas, vemos contramedidas para qualquer avanço tecnológico.”
Além disso, Kiev investe no desenvolvimento de drones interceptadores, capazes de neutralizar ataques inimigos com custo muito inferior ao de um míssil terra-ar. Ainda em fase de testes, a tecnologia pode ajudar a preservar estoques de defesa aérea.
O papel da inteligência artificial na guerra
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia estão avançando no desenvolvimento de drones com inteligência artificial capazes de tomar decisões de forma autônoma durante o combate.
Se implementada em larga escala, essa tecnologia pode mudar o equilíbrio do conflito e servir de modelo para futuras guerras. Organizações internacionais alertam que drones controlados por IA aumentam o risco de ataques imprevistos e podem escalar crises rapidamente.
E o que vem pela frente
Segundo especialistas, a dependência crescente de drones já transformou o conflito na Ucrânia e pode definir o futuro das guerras modernas. O baixo custo, a alta escala de produção e a capacidade de causar impacto psicológico na população tornam esses veículos armas estratégicas.
A Otan e países como Taiwan já estudam ampliar o uso de drones para defesa e ataque, prevendo cenários semelhantes em possíveis conflitos futuros.
A Rússia intensificou seus ataques com drones Shahed, lançando centenas por noite para sobrecarregar as defesas ucranianas. O baixo custo e a produção em larga escala reconfiguraram o conflito, enquanto a Ucrânia busca contramedidas, incluindo drones com IA e sistemas interceptadores mais baratos.
[ Fonte: CNN Brasil ]