O Catar fechou seu espaço aéreo nesta segunda-feira (data local) em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, após uma série de eventos que escalaram a tensão geopolítica no Oriente Médio. Segundo o portal Axios, mísseis iranianos atingiram a base militar americana de Al Udeid, no território catariano — considerada a maior instalação dos EUA na região, onde estão estacionados cerca de 10 mil soldados.
De acordo com a Guarda Revolucionária do Irã, o ataque foi “devastador e poderoso”. Apesar da gravidade, não há relatos de mortos ou feridos até o momento.
A embaixada americana em Doha emitiu um alerta pedindo que cidadãos dos EUA permaneçam abrigados, diante da possibilidade de novos ataques. O aviso ocorreu após o ex-presidente Donald Trump ordenar no sábado (22) o bombardeio de três instalações nucleares iranianas: Fordo, Natanz e Isfahan. A ofensiva utilizou bombas bunker buster de 30 mil libras, marcando a primeira vez que esse tipo de armamento foi usado em combate, com capacidade de perfurar até 100 metros de profundidade.
Trump, que deve se reunir com sua equipe de segurança nacional ainda hoje, usou sua rede social Truth Social para disparar mensagens em caixa alta. “QUALQUER RETALIAÇÃO DO IRÃ CONTRA OS ESTADOS UNIDOS SERÁ RESPONDIDA COM FORÇA MUITO MAIOR DO QUE A VISTA ESTA NOITE. OBRIGADO!”, escreveu no domingo.
Apesar de seus aliados, como o secretário de Estado Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance, afirmarem que os ataques não visam mudança de regime, o próprio Trump contradisse essa narrativa. “Se o regime iraniano não for capaz de FAZER O IRÃ GRANDE DE NOVO, por que não haveria mudança de regime??? MIGA!!!”, postou, fazendo referência ao slogan adaptado de sua campanha.
Divisões internas e reações internacionais
As declarações de Trump causaram desconforto entre aliados mais isolacionistas, como Tucker Carlson e Steve Bannon, que historicamente se opõem a intervenções militares. Enquanto Carlson permanece em silêncio desde o início dos ataques, outros apoiadores tentam justificar a guinada belicista como uma necessidade estratégica.
Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey, ironizou a postura da ala trumpista mais radical, afirmando que “vão acabar engolindo a contradição”. A crise também mobilizou figuras internacionais: Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, afirmou que alguns países estariam dispostos a fornecer ogivas nucleares ao Irã — declaração que gerou resposta imediata (e confusa) de Trump, que acusou Medvedev de “usar a palavra com N” (referindo-se à palavra “nuclear”).
Uma guerra silenciosa que se alastra
O estopim da crise atual foi um ataque aéreo de Israel contra o Irã em 12 de junho, que desencadeou uma série de ações retaliatórias entre os dois países. No entanto, foi a ofensiva americana contra as instalações nucleares iranianas que ampliou o conflito e colocou ativos dos EUA na mira.
A base aérea de Al Udeid, sede do Comando Central dos EUA (CENTCOM), é considerada peça-chave na estratégia militar americana no Oriente Médio, tornando-se um alvo lógico para Teerã. O porta-voz militar iraniano divulgou um vídeo no domingo afirmando que “as consequências serão pesadas”. Ao final, em inglês, completou: “Trump, jogador: você pode começar esta guerra, mas seremos nós que a terminaremos”.
Incertezas no horizonte
📹 اطلاعیه قرارگاه مرکزی خاتم الانبیا (ص): عملیاتهایی قدرتمند با عواقبی سنگین، پشیمانکننده و غیرقابل پیشبینی در انتظار آمریکا است pic.twitter.com/iKqDjKnKRk
— خبرگزاری تسنیم 🇮🇷 (@Tasnimnews_Fa) June 23, 2025
Enquanto o mundo acompanha apreensivo os próximos passos, cresce o temor de uma escalada que possa envolver outras potências e transformar o conflito em algo ainda mais imprevisível. O fechamento do espaço aéreo no Catar simboliza o grau de alerta na região e reforça a gravidade do momento.
A comunidade internacional aguarda um posicionamento oficial de Washington sobre possíveis novos ataques, enquanto o Irã promete resposta à altura. Até lá, o mundo segura a respiração.