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Alex Ross leva a Marvel a novas dimensões em uma graphic novel que promete virar o universo da editora do avesso

Após décadas redefinindo o visual dos super-heróis, Alex Ross retorna à Marvel com Marvel Dimensions, uma graphic novel ambiciosa que mistura estilos, formatos e centenas de personagens. A proposta é simples e ousada: começar nas origens clássicas da editora e, aos poucos, distorcê-las até algo mais sombrio, imprevisível — e visualmente arrebatador.

Poucos artistas conseguiram marcar os quadrinhos de super-heróis de forma tão duradoura quanto Alex Ross. Seu estilo hiper-realista se tornou sinônimo de grandiosidade, nostalgia e respeito ao mito. Agora, Ross volta a desafiar expectativas com Marvel Dimensions, um projeto autoral no qual ele não apenas assina a arte, mas também o roteiro, explorando novas formas de contar histórias dentro do universo Marvel.

Um novo capítulo autoral de Alex Ross na Marvel

Depois de Fantastic Four: Full Circle, lançado em 2022, Alex Ross aprofunda sua atuação como escritor e artista em Marvel Dimensions. Se o livro anterior tinha 64 páginas, o novo projeto sobe a aposta com 112 páginas e um escopo narrativo muito mais amplo.

A graphic novel reúne alguns dos personagens mais icônicos da Marvel, incluindo Homem-Aranha, os X-Men e os Vingadores. Ainda assim, a editora mantém mistério sobre a trama, limitando-se a dizer que a história começa nas “origens icônicas” do universo Marvel e vai, aos poucos, se transformando em algo mais obscuro e instável.

Uma história que muda de forma no meio do caminho

Segundo o próprio Ross, Marvel Dimensions foi pensada para ser uma experiência imprevisível. Em entrevista ao Hollywood Reporter, ele descreveu o livro como “uma viagem tão maluca quanto possível”.

A leitura, segundo o autor, não segue uma linha confortável. O estilo de arte muda repentinamente, o formato da narrativa se transforma e até a estrutura do livro se altera ao longo das páginas. A ideia é provocar o leitor, quebrar expectativas e, no fim, fazer com que todos esses elementos aparentemente caóticos se reconectem.

Uma história dentro da história

Um dos pontos centrais do projeto é uma narrativa de 32 páginas inserida no meio do livro, descrita como essencial para compreender o todo. Essa mudança brusca de ritmo e formato não é um detalhe estético, mas parte fundamental da proposta de Ross de explorar o próprio conceito de “dimensões” — narrativas, visuais e conceituais.

O projeto reúne ideias que o artista vem desenvolvendo há anos, incluindo inspirações em trabalhos anteriores. Em 2005, Ross já havia revisitado origens de heróis da DC Comics, como Batman e Mulher-Maravilha. Agora, ele faz algo semelhante na Marvel, mas com uma abordagem mais distorcida e experimental.

Centenas de personagens e versões alternativas

Ross revelou que Marvel Dimensions deve apresentar cerca de 200 personagens — ou, mais precisamente, variações deles. Assim como em Kingdom Come, sua clássica obra para a DC, essas versões alternativas permitem brincar com arquétipos conhecidos, explorar caminhos não trilhados e tensionar o que o leitor acha que sabe sobre esses heróis.

O objetivo não é apenas celebrar o passado da Marvel, mas questioná-lo, reorganizá-lo e, em certos momentos, subvertê-lo.

Uma experiência visual e narrativa fora do padrão

Mais do que uma graphic novel tradicional, Marvel Dimensions se propõe como um experimento. Ross joga com estilos artísticos distintos, mudanças de tom e variações estruturais para criar uma leitura que se reinventa constantemente.

Para fãs de longa data, o livro promete ser um passeio pela história da Marvel filtrado pelo olhar de um de seus artistas mais respeitados. Para novos leitores, pode funcionar como uma porta de entrada ousada, ainda que nada convencional.

Lançamento e expectativas

Marvel Dimensions, de Alex Ross, chega às lojas em setembro, com preço sugerido de US$ 30. Pela proposta, pelo tamanho e pelo nome envolvido, tudo indica que será tratado como um evento editorial — não apenas mais um título no catálogo da Marvel.

Se a promessa de uma “viagem selvagem” se confirmar, Ross pode estar prestes a fazer o que sempre fez de melhor: nos fazer olhar para heróis conhecidos como se fosse a primeira vez.

 

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