Durante anos, o grande atrativo dos serviços de streaming foi a ausência de comerciais. Mas os tempos mudaram — e o lucro falou mais alto. A Amazon acaba de anunciar que vai dobrar o número de anúncios exibidos no Prime Video, frustrando a promessa inicial de uma experiência “leve” para os assinantes. E isso, claro, sem reduzir o valor da assinatura básica.
De “poucos anúncios” para seis minutos por hora
Quando a Amazon decidiu inserir comerciais em seu serviço de streaming, a justificativa era clara: seriam leves, pontuais e pouco invasivos. No lançamento do modelo com anúncios, em janeiro de 2024, a empresa garantia algo entre dois e três minutos e meio de propagandas por hora. No entanto, segundo o site Adweek, a gigante do e-commerce já planejava essa expansão há tempos — e agora tornou oficial: o tempo de anúncios vai dobrar, chegando a até seis minutos por hora de conteúdo.
Fontes do mercado publicitário já vinham sendo alertadas sobre esse aumento, e a própria Amazon confirmou à imprensa que a nova média ficará entre quatro e seis minutos. Ou seja, menos entretenimento e mais intervalos.
Uma mudança imposta — ou você paga mais
A decisão de adicionar anúncios foi polêmica desde o início. Isso porque todos os assinantes do serviço Prime, que antes tinham acesso ao Prime Video sem interrupções, foram automaticamente migrados para o plano com publicidade. Para manter a experiência original, o usuário agora precisa pagar um valor adicional de US$ 3 mensais.
Agora, mesmo quem aceitava as interrupções moderadas terá que lidar com pausas mais longas. A Amazon reforça que isso faz parte de sua estratégia de crescimento, mas para muitos usuários, soa como mais uma forma de forçar o pagamento do valor extra.
O preço do lucro: mais anúncios, menos experiência
Esse novo modelo segue a lógica de outras plataformas que priorizam o crescimento acima da experiência do consumidor. A Amazon investiu bilhões na produção de séries como O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, The Boys e Fallout, e precisa justificar esses gastos. Uma das maneiras de fazer isso? Aumentar a receita com publicidade.
Em 2025, a empresa pretende avançar ainda mais, realizando leilões de espaços publicitários e aplicando anúncios mais “contextuais”, usando os dados que coleta sobre seus usuários. Ótimo para os anunciantes. Para o público, nem tanto.
O ciclo repetido do streaming
A verdade é que o modelo se repete. A Netflix, por exemplo, resistiu por anos a incluir anúncios. Mas bastou a necessidade de recuperar usuários perdidos — ou de convencer quem cancelou por conta de aumentos — para que o plano com propaganda surgisse.
Empresas como Amazon e Netflix apostaram em preços baixos no início, usando capital de investidores para crescer e dominar o mercado. Quando consolidam suas posições, chega a hora de “monetizar” — e o usuário, muitas vezes, é quem paga a conta.
A pergunta que fica: vale a pena?
O conteúdo pode até continuar bom (pelo menos por enquanto), mas a experiência do espectador claramente está em segundo plano. Entre intervalos cada vez mais longos e mensalidades mais caras para evitá-los, a sensação é de que o controle da experiência saiu das mãos do usuário e foi parar na mesa dos acionistas.