Pular para o conteúdo
Ciência

Anorexia e bulimia aumentaram 71% no mundo e cientistas alertam para o que pode acontecer até 2050

Um estudo internacional identificou um crescimento preocupante dos transtornos alimentares nas últimas décadas. Os números revelam quais grupos são mais afetados e apontam um desafio ainda maior para o futuro.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Os transtornos alimentares estão se tornando um problema de saúde pública cada vez mais preocupante. Embora muitas vezes sejam associados apenas à adolescência e à preocupação com a aparência, suas consequências podem afetar profundamente a saúde física e mental em diferentes fases da vida. Agora, uma ampla investigação científica revelou como a anorexia e a bulimia evoluíram nas últimas três décadas e apresentou projeções que exigem atenção dos sistemas de saúde.

Mais de 18 milhões de pessoas vivem com anorexia ou bulimia no mundo

Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Psychiatry revelou que o número de pessoas que vivem com anorexia ou bulimia nervosa aumentou 71% entre 1990 e 2023.

O levantamento analisou informações de 204 países e territórios, utilizando dados do projeto Global Burden of Disease, uma das maiores iniciativas internacionais de monitoramento de doenças.

Segundo as estimativas, aproximadamente 18,1 milhões de pessoas conviviam com esses transtornos em 2023.

Desse total, cerca de 14,2 milhões apresentavam bulimia nervosa, enquanto 3,92 milhões viviam com anorexia nervosa.

A bulimia registrou o crescimento mais expressivo durante o período analisado, com aumento de 75,1% no número de casos. Já a anorexia apresentou uma elevação de 57,9%.

Os pesquisadores também identificaram aumentos nas taxas de prevalência ajustadas por idade, indicando que a tendência não pode ser explicada apenas pelo crescimento populacional.

A anorexia é caracterizada por restrição alimentar persistente, medo intenso de ganhar peso e alterações na percepção do próprio corpo.

A bulimia, por sua vez, envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar acompanhados de comportamentos compensatórios inadequados, como vômitos provocados ou uso indevido de medicamentos.

Ambas são condições sérias, que exigem avaliação profissional e podem provocar complicações físicas e psicológicas importantes.

Mas os números globais revelam apenas parte do problema. Quando os pesquisadores analisaram quem está sendo mais afetado, encontraram diferenças significativas entre faixas etárias e regiões.

Projeções1
© John Diez – Pexels

Mulheres e jovens concentram grande parte dos casos

O estudo identificou que aproximadamente 70% das pessoas afetadas são mulheres, representando cerca de 12,6 milhões de casos.

Entre os homens, a estimativa chegou a 5,5 milhões, mostrando que os transtornos alimentares também representam um problema relevante para a população masculina.

Outro resultado importante envolve a idade.

Cerca de 41,2% dos casos foram registrados entre pessoas de 10 a 24 anos, período marcado por transformações físicas, emocionais e sociais.

A anorexia apresentou prevalência particularmente elevada durante a adolescência, enquanto a bulimia atingiu seu pico entre adultos de 30 a 34 anos.

A distribuição geográfica também chamou a atenção dos pesquisadores.

Embora regiões de renda elevada continuem apresentando as maiores taxas, alguns dos crescimentos mais expressivos ocorreram na Ásia.

Entre 1990 e 2023, a prevalência ajustada por idade aumentou 61,5% no Leste Asiático, 48,5% no Sul da Ásia e 44,2% no Sudeste Asiático.

Essas diferenças reforçam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os resultados também servem de alerta para a importância de reconhecer precocemente sinais de sofrimento relacionado à alimentação e à imagem corporal, embora o levantamento apresentado não forneça uma estimativa brasileira específica.

Redes sociais preocupam especialistas, mas não explicam sozinhas o aumento

A influência das redes sociais sobre a imagem corporal entrou novamente no debate após a divulgação da pesquisa.

Especialistas ouvidos pelo Science Media Centre Espanha destacaram que essas plataformas podem contribuir para a exposição a padrões de beleza irreais e mensagens prejudiciais sobre alimentação.

Entretanto, o estudo não demonstrou que as redes sociais sejam responsáveis pelo crescimento dos transtornos alimentares.

Essas condições possuem origens multifatoriais, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos, familiares e sociais.

Além disso, as próprias plataformas digitais também podem oferecer informações confiáveis e comunidades de apoio.

Para os especialistas, identificar mudanças persistentes no comportamento alimentar e buscar avaliação profissional são medidas importantes para favorecer o tratamento precoce.

O que os cientistas preveem para 2050?

As projeções apresentadas na pesquisa indicam que o número de pessoas com anorexia ou bulimia poderá alcançar 21,8 milhões em 2050, caso as tendências atuais continuem.

Isso não significa que o aumento seja inevitável.

Investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e atendimento especializado podem modificar esse cenário.

Os pesquisadores defendem que os transtornos alimentares recebam maior prioridade nas políticas públicas de saúde, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.

A conclusão é clara: o crescimento observado nas últimas décadas exige respostas coordenadas. Mais do que acompanhar estatísticas, o desafio será garantir que milhões de pessoas tenham acesso ao cuidado necessário antes que os problemas se agravem.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados