Os dados do Censo 2022 mostram que o Brasil vive uma transformação religiosa: o catolicismo perdeu espaço, enquanto outras crenças avançaram. No entanto, uma cidade do Ceará se destaca por manter firmemente suas raízes espirituais. Em meio à queda nacional, esse município alcança o mais alto índice de católicos entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. Entenda por que esse lugar virou um símbolo de resistência da fé tradicional.
Crato mantém viva a tradição católica

Entre os números que indicam a queda do catolicismo no país, Crato surge como uma exceção marcante. Localizada na região do Cariri cearense, a cidade registrou mais de 80% de sua população se declarando católica — o maior índice entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil moradores.
Enquanto a média nacional de católicos caiu para 56,7% — o menor índice desde 1872 —, Crato preserva com orgulho sua herança religiosa. A fé católica, que já foi quase unânime no Brasil (com 99,7% da população em 1872), vem diminuindo, mas ali parece mais viva do que nunca.
O Ceará, como um todo, também apresenta altos índices de catolicismo: 70,4% da população do estado se declarou católica no último Censo, ficando atrás apenas do Piauí, com 74%.
Crescimento evangélico segue firme, mas ritmo desacelera
Apesar da predominância católica no Crato e em grande parte do Ceará, o número de evangélicos continua a crescer no estado e em todo o Brasil. No Ceará, 20,8% da população se identifica como evangélica.
Em âmbito nacional, esse grupo passou de 21,6% em 2010 para 26,9% em 2022. O crescimento, no entanto, desacelerou: na década anterior, o avanço foi de 6,5 pontos percentuais, enquanto nos últimos 12 anos o salto foi de 5,2 pontos.
Esses dados revelam um Brasil mais plural, mas também mostram que, em alguns lugares, a fé tradicional segue inabalável. Crato é a prova viva de que a religiosidade local ainda pode surpreender em tempos de transformação cultural.
[Fonte: G1 – Globo]