Desde a mudança em suas políticas após a prisão de seu fundador, Pavel Durov, no ano passado, o Telegram aumentou significativamente sua colaboração com forças de segurança em diversos países, fornecendo dados de milhares de usuários. Antes disso, a plataforma era conhecida por sua resistência em compartilhar informações.
Cooperação nos Estados Unidos
Nos primeiros nove meses de 2024, o Telegram compartilhou 108 endereços de IP ou números de telefone com autoridades americanas em 14 casos diferentes, segundo relatórios trimestrais de transparência. No entanto, no último trimestre, esse número saltou para dados de 2.140 usuários, em resposta a 900 solicitações legais.
Prisão de Durov na França e mudanças na política
Em agosto, autoridades francesas prenderam e acusaram Pavel Durov de envolvimento em tráfico de drogas e abuso infantil facilitados pela plataforma. Após sua prisão, Durov anunciou, em setembro, que o Telegram passaria a responder de forma mais ampla às solicitações legais.
Os relatórios de transparência de 2024 confirmam essa mudança. Durante a primeira metade do ano, o Telegram compartilhou informações de apenas 54 usuários com as autoridades francesas. Após a prisão de Durov, entre julho e setembro, o número saltou para 632. Nos últimos três meses de 2024, a plataforma forneceu dados sobre 1.386 usuários franceses.
Respostas em outros países
Em outros países, a mudança também foi notável:
- Reino Unido: Mais de 98% das solicitações respondidas ocorreram no último trimestre.
- Finlândia: 79% das respostas foram no quarto trimestre.
- Bélgica: 74% das respostas concentraram-se no mesmo período.
Índia lidera em solicitações
A Índia foi o país com maior cooperação entre Telegram e autoridades, segundo os relatórios. Em 2024, a plataforma forneceu dados de 23.535 usuários em resposta a 14.641 solicitações de informações, mais da metade delas feitas no último trimestre.
Diferentemente de outros países, onde o Telegram só começou a atender a um grande volume de pedidos após as mudanças de política, a Índia já contava com milhares de respostas a solicitações por trimestre antes de setembro.
Pressões e justificativas
A prisão de Durov ocorreu após anos de pressão de forças de segurança insatisfeitas com a resistência do Telegram em colaborar, ao contrário de outras plataformas de mensagens. A popularidade do Telegram para atividades ilícitas, devido à possibilidade de criar grandes grupos com maior privacidade, havia gerado crescentes críticas.
Com as mudanças, Durov declarou que as novas políticas visam desestimular criminosos e proteger a integridade da plataforma, que atende mais de um bilhão de usuários. Ele também anunciou ajustes na ferramenta de busca do aplicativo, reforçando o compromisso com a segurança e o combate ao uso indevido da plataforma.