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Ciência

As idades-chave em que o cérebro humano muda de fase: estudo identifica cinco grandes transformações entre a infância e os 90 anos

Um estudo da Universidade de Cambridge, baseado em imagens de 3.802 pessoas entre 0 e 90 anos, identificou quatro idades-pivô — 9, 32, 66 e 83 anos — que marcam mudanças profundas na conectividade cerebral. As descobertas revelam que o cérebro não evolui de forma linear, e sim em saltos estruturais que impactam cognição e vulnerabilidade a transtornos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Embora seja comum pensar o desenvolvimento cerebral como um processo contínuo, a neurociência mostra um cenário muito mais complexo. Uma pesquisa publicada em Nature Communications mapeou como o “cableado” neural muda ao longo da vida e identificou cinco grandes fases, separadas por pontos de inflexão que remodelam a estrutura e a eficiência do cérebro. O trabalho ajuda a explicar comportamentos, riscos a transtornos e o envelhecimento cognitivo de forma mais precisa.

O primeiro grande salto: a infância (0–9 anos)

Criancas
© Freepik

Na infância, o cérebro passa por uma intensa consolidação de redes, selecionando as sinapses mais ativas e fortalecendo conexões essenciais. Há aumento de matéria cinzenta — onde ficam as neuronas — e de matéria branca, responsável pelos caminhos de comunicação.

Aos 9 anos, segundo o estudo, ocorre o primeiro ponto crítico:

  • mudanças bruscas no desempenho cognitivo; 
  • reorganização profunda das redes neurais; 
  • maior vulnerabilidade a transtornos mentais e do neurodesenvolvimento. 

É o momento em que o cérebro deixa de expandir conexões e passa a refinar suas rotas internas.

“Adolescência cerebral” até os 32 anos (9–32 anos)

Entre os 9 e os 32 anos, ocorre aquilo que os autores chamam de adolescência cerebral: um período de otimização máxima das redes internas. A eficiência neuronal aumenta, criando caminhos mais diretos e estáveis.

Aos 32 anos, aparece o ponto de inflexão mais forte de toda a vida. É quando:

  • se concentram a maior parte das mudanças estruturais; 
  • há uma reorientação da topologia cerebral; 
  • inicia-se a transição para uma fase mais estável. 

Nessa etapa, características como atenção, memória e autorregulação emocional passam por refinamento.

Estabilidade e segregação: o período adulto (32–66 anos)

Cérebro Humano
© Pexels – Shawn Day

Entre os 32 e os 66 anos, o cérebro entra em sua fase mais estável. A conectividade não apresenta grandes saltos, e o desempenho cognitivo tende a se manter constante.

Pesquisas prévias — alinhadas ao estudo — apontam que esse período coincide com:

  • um plateau da inteligência fluida; 
  • estabilidade da personalidade; 
  • início gradual da segregação das redes cerebrais, que passam a funcionar de maneira mais compartimentada. 

Esse fenômeno é interpretado como uma adaptação natural a longos períodos de uso, consolidando rotas funcionais consolidadas.

Envelhecimento inicial (66–83 anos)

O terceiro ponto de inflexão aparece aos 66 anos. A partir daí, o cérebro inicia uma redução progressiva da conectividade, relacionada principalmente à degradação da matéria branca — os “cabos” que permitem que regiões distantes se comuniquem.

Essa fase coincide com o aumento do risco para doenças ligadas ao envelhecimento:

  • hipertensão; 
  • comprometimentos cognitivos leves; 
  • maior sensibilidade a interrupções no “circuito” cerebral. 

Para os pesquisadores, trata-se do ápice de uma reorganização lenta que ocorre ao longo de décadas e que culmina na metade dos 60 anos.

Envelhecimento tardio: após os 83 anos

Aos 83 anos, tem início a última fase identificada. Os dados ainda são menos abundantes, mas as tendências apontam para uma mudança que vai do global ao local:

  • queda acentuada da conectividade ampla; 
  • dependência maior de regiões específicas; 
  • redução da integração entre áreas distantes. 

Essa mudança acompanha o declínio cognitivo mais avançado e reflete o estreitamento das redes funcionais.

O que os resultados significam para saúde mental e neurologia

Os pesquisadores destacam que muitos transtornos — de atenção, linguagem, memória e comportamento — estão profundamente ligados à arquitetura das conexões cerebrais. Entender as idades em que elas mudam de forma abrupta pode ajudar a:

  • identificar janelas de maior vulnerabilidade; 
  • orientar diagnósticos precoces; 
  • criar intervenções mais precisas para cada fase da vida; 
  • compreender trajetórias típicas e atípicas do neurodesenvolvimento. 

Como concluem os autores:

“O cérebro não avança em linha reta. Ele atravessa períodos de reconfiguração intensa que definem quem somos e como pensamos.”

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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