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Banco prevê qual país terá a moeda mais estável da América Latina em 2026 — e o resultado surpreende

O novo relatório do BBVA virou o jogo no mercado financeiro. Em meio à queda do dólar e à reconfiguração das políticas monetárias globais, o banco espanhol aponta um novo líder na estabilidade cambial da América Latina — e não é quem você imagina. Segundo o estudo, o peso mexicano será a moeda mais estável da região em 2026, superando concorrentes tradicionais como o sol peruano e o peso colombiano.
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Tempo de leitura: 3 minutos

México assume o papel de novo eixo financeiro

O relatório FX Insights do BBVA projeta que o peso mexicano oscilará entre MXN$19,56 e MXN$19,77 por dólar em 2026, o que representa uma variação mínima para um país emergente. O banco atribui essa estabilidade a uma combinação de fatores econômicos e institucionais:

  • Taxa de juros real competitiva, que mantém o peso atraente para investidores estrangeiros;
  • Independência do Banco do México, considerada modelo de credibilidade na região;
  • Fluxo contínuo de investimentos estrangeiros diretos, impulsionados pelo nearshoring — movimento de relocalização industrial após a pandemia.

Para os economistas do BBVA, “o México representa o equilíbrio entre disciplina fiscal, flexibilidade cambial e acesso ao capital global”.

Peru e Colômbia resistem, mas não lideram

Banco prevê qual país terá a moeda mais estável da América Latina em 2026 — e o resultado surpreende
© Pexels – Porapak Apichodilok.

O sol peruano (PEN) continua sendo uma moeda sólida, com projeção entre S/3,50 e S/3,60 por dólar. A baixa dívida pública e a política fiscal responsável fazem do país um porto seguro regional. No entanto, o mercado peruano é pequeno e menos líquido, o que reduz seu apelo para grandes investidores internacionais.

Já o peso colombiano (COP) tende a se estabilizar em torno de COP$4.170 por dólar, sustentado por juros reais altos e menor risco-país. Mesmo assim, a dependência do petróleo e o cenário político instável mantêm a Colômbia fora da liderança regional.

Brasil e Chile: entre força e vulnerabilidade

O real brasileiro (BRL) deve flutuar entre R$5,40 e R$5,66 por dólar, segundo o BBVA. Embora o país ofereça rendimentos elevados no curto prazo, riscos fiscais e incertezas eleitorais podem abalar a confiança de investidores estrangeiros.

O peso chileno (CLP), por sua vez, deve permanecer entre CLP$930 e CLP$937 por dólar. O cobre valorizado e fundamentos sólidos mantêm o Chile em boa posição, mas a instabilidade política e a forte exposição às commodities ainda podem gerar flutuações bruscas.

As economias que seguirão em turbulência

O caso mais preocupante continua sendo o da Argentina, que, segundo o BBVA, permanece “fora do radar de estabilidade regional”. A inflação crônica, as baixas reservas internacionais e a falta de credibilidade monetária impedem qualquer recuperação consistente. O banco classifica o cenário argentino como de “alta instabilidade prolongada”.

Mesmo países mais robustos, como Brasil e Chile, podem enfrentar episódios pontuais de desvalorização, caso os governos não consigam conter gastos públicos e preservar a confiança do mercado.

O “fim do sorriso do dólar” e a oportunidade latino-americana

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© Unsplash – Leon Overweel.

O relatório chega em um momento que economistas chamam de “fim da era do dólar sorridente” — uma fase em que a moeda americana perde força tanto em períodos de crescimento quanto de recessão global. Nesse novo contexto, América Latina surge como destino estratégico para investidores que buscam rendimentos reais positivos.

Com taxas de juros elevadas e políticas monetárias mais previsíveis, moedas como o peso mexicano se tornam ideais para operações de carry trade, atraindo capitais que buscam retorno rápido.

Estabilidade é a nova riqueza

O estudo do BBVA sugere que, mais do que números, a confiança institucional é a nova base da estabilidade financeira. Em um continente de volatilidade política, o México parece ter encontrado um raro equilíbrio entre previsibilidade e atratividade econômica.

Enquanto outros países ainda lutam contra déficits, crises e incertezas, o peso mexicano desponta como o novo termômetro da estabilidade latino-americana — um símbolo de que, ao menos por agora, o centro de gravidade econômica da região está se movendo para o norte.

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