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Tecnologia

Ataque cibernético atinge servidores científicos da ESA e hackers dizem ter roubado 200 GB de dados confidenciais

A Agência Espacial Europeia afirmou que sofreu um incidente de segurança em servidores científicos externos, enquanto hackers alegam ter roubado cerca de 200 GB de dados sensíveis. Entre os arquivos estariam códigos-fonte, credenciais e documentos confidenciais, levantando preocupações sobre a proteção de projetos espaciais estratégicos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um novo episódio de cibersegurança colocou a Agência Espacial Europeia no centro das atenções. A ESA confirmou que parte de sua infraestrutura digital foi comprometida, após relatos de que um grupo de hackers estaria oferecendo grandes volumes de dados da agência em fóruns clandestinos. Embora a instituição minimize o impacto, especialistas alertam para riscos reais à segurança de projetos científicos e tecnológicos em andamento.

O que a ESA confirmou oficialmente

A European Space Agency informou que identificou uma violação de segurança em servidores usados para atividades científicas colaborativas. Segundo a agência, apenas um número muito pequeno de servidores externos teria sido afetado e nenhum sistema classificado ou crítico da rede interna foi comprometido.

Em comunicado publicado na rede X, a ESA afirmou que os servidores atingidos dão suporte a projetos de engenharia não classificados, utilizados pela comunidade científica internacional. Ainda assim, a agência reconheceu o incidente e afirmou ter iniciado uma análise forense completa para entender a extensão do ataque.

Hackers falam em 200 GB de dados roubados

Apesar da tentativa de tranquilizar o público, um suposto hacker afirma ter obtido cerca de 200 gigabytes de dados dos sistemas da ESA. O material estaria sendo oferecido à venda no BreachForums, um conhecido fórum frequentado por cibercriminosos.

De acordo com capturas de tela compartilhadas pelo especialista francês em cibersegurança Seb Latom, os arquivos incluem códigos-fonte, access tokens, credenciais embutidas em sistemas, arquivos de infraestrutura em Terraform e documentos classificados como confidenciais. Caso a autenticidade do material seja confirmada, o vazamento pode facilitar ataques futuros ou o reaproveitamento malicioso de códigos sensíveis.

Projetos espaciais podem ter sido afetados

Parte dos dados supostamente vazados pode estar relacionada ao telescópio espacial Ariel — sigla para Atmospheric Remote-sensing Infrared Exoplanet Large-survey — missão da ESA programada para ser lançada em 2029. O projeto tem como objetivo estudar atmosferas de exoplanetas e é considerado estratégico para a ciência europeia.

Especialistas alertam que a exposição de códigos e credenciais pode comprometer não apenas a confidencialidade, mas também a integridade de sistemas espaciais, aumentando o risco de sabotagem digital ou espionagem tecnológica.

Um histórico de incidentes recorrentes

Este não é o primeiro ataque cibernético envolvendo a ESA. Em dezembro de 2024, hackers criaram uma página falsa de pagamento na loja online da agência para capturar dados de clientes. Já em 2015, um grupo invadiu diversos sites da instituição e teve acesso a informações de funcionários e de centenas de assinantes.

Em todos os casos, os ataques ocorreram em plataformas hospedadas fora da rede interna da agência. Ainda assim, o número de incidentes levanta questionamentos sobre a robustez das políticas de segurança digital adotadas pela ESA para sistemas externos e parceiros.

Comparação com outros órgãos espaciais

A vulnerabilidade não é exclusiva da Europa. A contraparte americana da ESA, a NASA, também enfrentou violações relevantes ao longo dos anos. Em 2018, hackers obtiveram acesso a informações pessoais de funcionários, incluindo números de seguridade social, em um dos episódios mais graves já registrados pela agência.

Esses casos reforçam a crescente atratividade de instituições espaciais como alvos de ataques cibernéticos, devido ao valor estratégico, científico e econômico das informações que concentram.

Medidas adotadas e próximos passos

A ESA informou que já implementou medidas para proteger dispositivos potencialmente afetados e que todos os parceiros relevantes foram notificados. A agência prometeu divulgar novas informações assim que a investigação avançar e mais detalhes forem confirmados.

Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de investimentos contínuos em cibersegurança no setor espacial. À medida que missões se tornam mais complexas e interconectadas, proteger dados, códigos e infraestruturas digitais passa a ser tão crucial quanto proteger foguetes e satélites físicos.

 

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