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Ciência

Seis descobertas científicas que explicam por que o derretimento dos glaciares em 2025 virou um alerta global para o clima e os ecossistemas

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão na ciência do clima. Estudos recentes revelaram mudanças profundas no comportamento dos glaciares, desde uma desaceleração temporária no Ártico até riscos crescentes na Antártida. Os dados mostram impactos diretos sobre oceanos, biodiversidade, nível do mar e segurança hídrica.
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Os glaciares armazenam a maior parte da água doce do planeta e funcionam como reguladores naturais do clima. Seu recuo acelerado, impulsionado pelo aquecimento global, deixou de ser uma projeção distante e passou a produzir efeitos mensuráveis em ecossistemas e sociedades. Em 2025, a atenção científica se intensificou após a declaração do Ano Internacional da Conservação dos Glaciares por Organização das Nações Unidas, UNESCO e a Organização Meteorológica Mundial.

Uma desaceleração inesperada no derretimento do Ártico

Mistério sob o gelo: cientistas descobrem bactérias desconhecidas que transformam o Ártico em um laboratório vivo
© Unsplash – Keith Tanner.

Um estudo publicado na Nature Communications mostrou que a perda de gelo marinho no Ártico diminuiu o ritmo desde 2012. Pesquisadores da Hong Kong University of Science and Technology associaram o fenômeno à Oscilação do Atlântico Norte, um padrão atmosférico natural que alterna a entrada de massas de ar frio e quente na região.

Os dados indicam que a área coberta por gelo segue mais estável, mas a espessura e a massa total continuam em declínio. Os cientistas alertam que esse “respiro climático” pode durar apenas até 2030 ou 2040, caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam reduzidas.

A perda acelerada dos glaciares da Patagônia

Na Patagônia, a situação é oposta. Glaciares da região já perderam mais de 25% de seu volume desde 1940. Outro estudo na Nature Communications apontou o aumento da água de degelo escoando pela superfície como principal causa da aceleração recente.

Segundo o pesquisador Brice Noël, as nevascas se mantiveram estáveis por décadas, mas o aquecimento do ar intensificou o derretimento. Só nos últimos 20 anos, a região perdeu cerca de 26,5 bilhões de toneladas de gelo por ano, contribuindo com 4 milímetros para o aumento do nível do mar. As projeções indicam que, sem proteção, esses glaciares podem desaparecer em cerca de 250 anos, afetando Chile e Argentina.

O impacto do degelo na vida marinha da Groenlândia

O recuo do glaciar Jakobshavn, na Groenlândia, revelou um efeito colateral pouco conhecido: mudanças na produtividade oceânica. Um estudo em Nature Communications Earth & Environment mostrou que o degelo transporta nutrientes das profundezas para a superfície, estimulando o crescimento do fitoplâncton na baía de Disko.

Em anos de degelo intenso, a produção desses organismos aumentou até 40% no verão. Embora isso favoreça a absorção de CO₂, o aquecimento da água reduz a capacidade do oceano de reter o gás, criando um equilíbrio delicado com possíveis impactos na pesca e na biodiversidade.

O permafrost e o carbono liberado na atmosfera

Uma pesquisa publicada na Science Advances analisou o papel do permafrost no ciclo global do carbono. Ao reconstruir os últimos 21 mil anos, os cientistas concluíram que o degelo pós-era glacial liberou tanto CO₂ que respondeu por quase metade do aumento atmosférico observado naquele período.

Embora pântanos naturais tenham absorvido parte desse carbono no passado, as condições atuais — com menos espaço para novas turfeiras e elevação do nível do mar — tornam improvável que esse mecanismo volte a compensar as emissões futuras.

Rios invisíveis sob o gelo da Antártida Oriental

Mistério sob o gelo: cientistas descobrem bactérias desconhecidas que transformam o Ártico em um laboratório vivo
© Unsplash – Mathieu Ramus.

Na Antártida Oriental, a bacia subglacial de Aurora chamou a atenção por seu potencial impacto global. Um estudo da Universidade de Waterloo revelou que canais de água sob o gelo reorganizam o fluxo interno, acelerando o derretimento pela base.

Os pesquisadores alertam que modelos climáticos tradicionais subestimam esse efeito. Se toda a região de Aurora perder gelo, o nível do mar pode subir até quatro metros, um cenário extremo, mas possível em projeções de longo prazo.

O glaciar Thwaites e o risco de colapso em cadeia

Conhecido como “Glaciar do Juízo Final”, o Thwaites, na Antártida Ocidental, continua sendo uma das maiores ameaças. Um estudo internacional mostrou que fraturas internas vêm enfraquecendo sua plataforma flutuante há duas décadas.

Quanto mais rachaduras surgem, mais rápido o gelo escoa para o mar. Se a plataforma colapsar, o suporte ao gelo continental desaparece, acelerando a elevação do nível do mar em até 65 centímetros. O mais preocupante é que esse padrão pode se repetir em outras áreas vulneráveis da Antártida.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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