Os dados mais recentes do Atlas da Violência revelam um avanço significativo no combate à criminalidade no Brasil. O número de homicídios caiu para o menor patamar em mais de uma década. A conquista, no entanto, traz um dado alarmante: quase metade das vítimas continua sendo jovem.
Queda histórica nas taxas de homicídio
Em 2023, o país contabilizou 45.747 homicídios — a menor quantidade desde 2012. Isso representa uma taxa de 21,2 mortes por 100 mil habitantes, com uma redução de 2,3% em relação a 2022. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (12/5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Os estados com os melhores índices estão concentrados no Sul, além de São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste seguem liderando os piores indicadores.
O que explica a redução da violência
Segundo o levantamento, a queda nos homicídios é resultado de múltiplos fatores. Entre os principais estão:
- O envelhecimento da população, o que reduz o envolvimento com crimes violentos.
- A trégua na disputa entre facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
- A evolução silenciosa das políticas públicas de segurança em nível estadual e municipal.

O estudo destaca que 11 unidades da federação já registram redução constante de homicídios há pelo menos sete anos.
Jovens ainda são as principais vítimas
Apesar da melhora geral, o relatório mostra que os jovens seguem sendo os mais afetados. Em 2023, 21,8 mil pessoas entre 15 e 29 anos foram assassinadas — o equivalente a quase 48% do total de homicídios no país. A média assusta: são 60 jovens mortos por dia, ou cinco a cada duas horas.
A morte violenta foi a principal causa de óbito nessa faixa etária. De cada 100 jovens que morreram no Brasil em 2023, 34 foram vítimas de homicídio. Além disso, a imensa maioria das vítimas é do sexo masculino: 93,5% dos casos.
Avanços reais, mas desigualdades persistem
A queda no número de homicídios é um sinal de progresso importante, mas o relatório reforça que ainda há muito a ser feito, especialmente no enfrentamento da violência que atinge de forma desproporcional jovens, homens e moradores das regiões mais vulneráveis.
O desafio agora é garantir que os avanços na segurança pública cheguem a todos — com políticas que incluam, protejam e previnam.