Viajar envolve cada vez mais o uso intenso de celulares, tablets e notebooks — e é justamente isso que transforma aeroportos em ambientes atraentes para criminosos digitais. Diante do aumento de golpes, a Administração de Segurança no Transporte dos Estados Unidos (TSA) reforçou alertas sobre práticas aparentemente inofensivas, como carregar o celular em portas USB públicas ou usar redes Wi-Fi abertas, que podem colocar dados pessoais em risco.
Portas USB públicas viram alvo de criminosos

A TSA voltou a emitir um aviso direto aos passageiros que circulam por aeroportos norte-americanos: evitar o uso de portas USB públicas disponíveis nas áreas de embarque. Embora sejam convenientes para quem precisa recarregar o celular antes do voo, esses pontos se tornaram uma via conhecida para ataques cibernéticos.
Segundo a agência, criminosos podem instalar malware nas estações de carregamento. Ao conectar o cabo, o usuário não apenas recebe energia, mas também pode permitir o acesso a dados pessoais ou a instalação de programas maliciosos capazes de bloquear o aparelho ou roubar informações sensíveis.
A advertência não é nova. No início de 2025, a TSA já havia divulgado mensagens semelhantes em suas redes sociais, reforçando que a melhor prevenção é não conectar dispositivos diretamente a portas USB desconhecidas.
FCC recomenda acessórios próprios e cabos específicos
A Comissão Federal de Comunicações (FCC), órgão regulador do setor de telecomunicações nos EUA, também havia se manifestado sobre o tema em 2023. A recomendação é clara: levar sempre carregadores próprios, power banks e, se possível, carregadores veiculares durante as viagens.
Um ponto destacado pela FCC é o uso de cabos exclusivos para carregamento, que impedem a troca de dados entre o dispositivo e a fonte de energia. Esses cabos, vendidos por fabricantes confiáveis, funcionam como uma barreira física contra tentativas de invasão e reduzem de forma significativa os riscos associados aos pontos de carga públicos.
Wi-Fi aberto: outro risco comum em aeroportos

Além das portas USB, especialistas alertam para outro ponto crítico nos aeroportos: as redes Wi-Fi públicas. Eric Plam, executivo da empresa de tecnologia SIMO, explicou ao USA Today que qualquer troca de informações em redes abertas pode ser interceptada por terceiros.
O risco aumenta quando o passageiro acessa contas bancárias, faz compras online ou digita senhas em sites e aplicativos. Mesmo redes que aparentam ser oficiais podem ser imitadas por criminosos, que criam pontos de acesso falsos com nomes semelhantes aos do aeroporto.
Para reduzir a exposição, Plam recomenda o uso de gerenciadores de senhas, que armazenam e criptografam credenciais, evitando que o usuário precise digitá-las manualmente. Outra medida importante é o uso de VPNs, que criam uma camada adicional de proteção ao criptografar o tráfego de dados entre o dispositivo e a internet.
Ajustes específicos para usuários de iPhone
As recomendações também incluem ajustes técnicos para dispositivos específicos. De acordo com orientações divulgadas pela Forbes, usuários de iPhone devem revisar a configuração chamada “Acessórios com cabo”.
Por padrão, muitos aparelhos permitem conexões automaticamente quando estão desbloqueados. Especialistas recomendam alterar essa opção para “Perguntar sempre” ou “Perguntar para novos acessórios”, garantindo que cada conexão precise ser autorizada manualmente. Isso reduz o risco de acessos não desejados quando o aparelho é conectado a cabos ou estações desconhecidas.
O que é o “juice jacking” e como se proteger
A FCC explica que muitos desses golpes utilizam uma técnica conhecida como juice jacking. Nessa modalidade, o criminoso compromete uma estação de carregamento USB para instalar malware ou roubar dados dos dispositivos conectados.
O software malicioso pode, por exemplo, bloquear o celular, exigir resgate financeiro ou copiar senhas e informações pessoais sem que o usuário perceba. Para se proteger, especialistas recomendam o uso de bloqueadores de dados USB — pequenos adaptadores que permitem apenas a passagem de energia, sem transferência de informações.
Prevenção simples evita grandes dores de cabeça
As autoridades reforçam que a maioria dos golpes pode ser evitada com medidas básicas. Levar acessórios próprios, desconfiar de conexões públicas, usar redes seguras e ajustar corretamente as configurações do celular são ações simples, mas eficazes.
Em um ambiente movimentado como o aeroporto, onde o estresse da viagem e a pressa são comuns, a atenção à segurança digital faz toda a diferença. Para especialistas, a regra é clara: conveniência nunca deve vir antes da proteção dos dados pessoais.
[ Fonte: Clarín ]