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Ciência

Bactéria essencial à saúde humana sobrevive a lançamento espacial

Uma bactéria fundamental para o equilíbrio do nosso corpo acaba de provar que é durona o bastante para encarar as condições extremas de um voo espacial. O feito abre novas possibilidades para missões tripuladas de longa duração — e pode até inspirar avanços na medicina e na biotecnologia.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, testaram esporos da bactéria Bacillus subtilis em um voo espacial suborbital real, com direito a acelerações violentas, microgravidade e uma reentrada digna de filme de ficção científica. A experiência foi publicada na revista npj Microgravity e marca a primeira vez que esse tipo de experimento foi feito fora de um laboratório.

A Bacillus subtilis é conhecida por fortalecer o sistema imunológico e a saúde intestinal — funções essenciais para manter astronautas saudáveis em missões longas, como futuras viagens a Marte. Entender como esses microrganismos reagem ao ambiente espacial é crucial para desenvolver sistemas de suporte à vida mais confiáveis.

Forças extremas, zero danos

Bactéria essencial à saúde humana sobrevive a lançamento espacial
© Pexels

Os esporos viajaram a bordo do foguete SubOrbital Express 3 – M15, lançado do Centro Espacial Esrange, no norte da Suécia. Durante os 10 minutos de voo, eles foram submetidos a:

  • Acelerações de até 13 g (13 vezes a gravidade da Terra);
  • Mais de seis minutos de microgravidade;
  • Desacelerações de até 30 g na reentrada, enquanto o foguete girava 220 vezes por segundo.

Mesmo assim, análises posteriores mostraram que os esporos da bactéria permaneceram intactos. Eles não apresentaram nenhuma alteração estrutural nem redução na capacidade de crescimento, quando comparados com amostras mantidas em solo.

Implicações para o espaço e para a Terra

Segundo a professora Elena Ivanova, coautora do estudo, os resultados mostram que microrganismos essenciais à saúde humana conseguem resistir a mudanças rápidas de gravidade e forças extremas. “Isso amplia nossa compreensão sobre os efeitos de voos espaciais longos nos micróbios que vivem em nossos corpos e nos mantêm saudáveis”, explicou.

Para a especialista em ciência espacial Gail Iles, também da RMIT, essa descoberta fornece uma base sólida para construir sistemas de suporte à vida mais sustentáveis em missões espaciais. Se micróbios benéficos conseguem sobreviver ao lançamento, eles podem ser integrados de forma mais eficiente aos habitats espaciais para proteger a saúde dos tripulantes.

Além do espaço, a pesquisa tem impacto direto na biotecnologia e na medicina. A resistência da Bacillus subtilis pode inspirar novos tratamentos antibacterianos e ajudar a combater microrganismos resistentes a antibióticos — um dos grandes desafios de saúde global.

Um novo olhar para a vida em ambientes extremos

Os resultados também reforçam o interesse científico em estudar organismos resistentes para entender os limites da vida e, quem sabe, encontrar sinais dela em outros planetas. Como lembra Iles: “Os micróbios desempenham papéis essenciais na manutenção da saúde humana e da sustentabilidade ambiental. Compreender sua resiliência em ambientes hostis pode abrir novas possibilidades para a descoberta de vida fora da Terra”.

[Fonte: Correio Braziliense]

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