A corrida espacial comercial acaba de ganhar mais um capítulo. A Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, anunciou uma variante superpesada do New Glenn, ampliando a potência e a capacidade do foguete para atender missões de grande porte — de megaconstelações de satélites à exploração lunar. Embora ainda longe da capacidade da Starship, o novo New Glenn representa o movimento mais ambicioso da Blue Origin até agora. Entenda o que muda e como isso afeta a disputa com a SpaceX.
Um New Glenn turbinado: nasce o modelo 9×4
A Blue Origin revelou oficialmente o New Glenn 9×4, versão mais potente do foguete que estreou em janeiro. O nome refere-se à quantidade de motores:
- 9 motores no primeiro estágio
- 4 motores no segundo estágio
Isso representa um aumento de dois motores em cada estágio em relação ao New Glenn 7×2 atual.
Segundo a empresa, a nova variante inaugura “um foguete de classe superpesada”, projetado para levar cargas maiores e servir missões de escala interplanetária.
Capacidade de carga reforçada
Com o aumento de potência, o New Glenn 9×4 alcança números impressionantes:
- 70 toneladas para órbita baixa da Terra
- 14 toneladas para órbita geoestacionária
- 20 toneladas para injeção translunar
A Starship segue à frente — com capacidade teórica de 150 toneladas para órbita baixa —, mas o New Glenn 9×4 entra numa categoria que até agora só a SpaceX explorava de forma robusta.
A Blue Origin também vai incorporar uma carenagem maior, de 8,7 metros de diâmetro, permitindo transportar cargas volumosas e módulos espaciais mais amplos.
A trajetória do New Glenn até aqui
O New Glenn fez seu voo inaugural em janeiro, após anos de atrasos. A missão teve sucesso parcial: o foguete atingiu órbita, mas o booster não foi recuperado.
A investigação da FAA apontou sete ajustes necessários antes do próximo voo.
A segunda missão, porém, mudou tudo:
- o foguete realizou com sucesso o lançamento da missão ESCAPADE da NASA rumo a Marte,
- e abriu caminho para novas certificações e planos mais ambiciosos.
Com uma agenda cheia para 2026 e 2027, a Blue Origin vê o momento ideal para ampliar sua presença no mercado de lançamentos pesados.
Dois New Glenns convivendo lado a lado
Um ponto estratégico: a Blue Origin manterá ambas as versões do foguete ativas — o 7×2 e o 9×4.
Isso permitirá atender diferentes segmentos:
- megaconstelações de satélites
- exploração lunar e espacial profunda
- missões de segurança nacional, incluindo o programa Golden Dome
- cargas comerciais de médio e grande porte
A coexistência dos dois modelos aumenta a flexibilidade da empresa e fortalece sua oferta de serviços frente à SpaceX.
New Glenn x Saturn V: um salto visual
Dave Limp, CEO da Blue Origin, publicou uma ilustração mostrando o New Glenn 9×4 lado a lado com:
- o clássico Saturn V, do programa Apollo,
- e o New Glenn 7×2 atual.
O novo modelo aparece mais alto e mais robusto, sinalizando a ambição da empresa de Bezos de criar um dos maiores foguetes operacionais do mundo.
A disputa com a SpaceX entra em nova fase
A segunda missão bem-sucedida consolidou o New Glenn como um competidor real no setor orbital. Agora, com a versão superpesada:
- a Blue Origin amplia seu alcance comercial,
- aumenta sua atratividade para contratos governamentais,
- e se aproxima do território dominado pela Starship.
Embora ainda longe da capacidade total da SpaceX, o movimento sinaliza que a Blue Origin está pronta para disputar missões lunares, cargas ultrapesadas e projetos estratégicos.
O jogo espacial, definitivamente, ficou maior.