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Tecnologia

Blue Origin prepara uma versão ainda maior do New Glenn para entrar de vez na briga com a Starship da SpaceX

Depois do sucesso do segundo voo do New Glenn, a Blue Origin revelou planos para uma versão superpesada de seu foguete, equipada com mais motores e mais capacidade de carga. O novo modelo, chamado New Glenn 9×4, mira diretamente o mercado dominado pela Starship — e leva a disputa espacial a um novo patamar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida espacial comercial acaba de ganhar mais um capítulo. A Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, anunciou uma variante superpesada do New Glenn, ampliando a potência e a capacidade do foguete para atender missões de grande porte — de megaconstelações de satélites à exploração lunar. Embora ainda longe da capacidade da Starship, o novo New Glenn representa o movimento mais ambicioso da Blue Origin até agora. Entenda o que muda e como isso afeta a disputa com a SpaceX.

Um New Glenn turbinado: nasce o modelo 9×4

A Blue Origin revelou oficialmente o New Glenn 9×4, versão mais potente do foguete que estreou em janeiro. O nome refere-se à quantidade de motores:

  • 9 motores no primeiro estágio

  • 4 motores no segundo estágio

Isso representa um aumento de dois motores em cada estágio em relação ao New Glenn 7×2 atual.

Segundo a empresa, a nova variante inaugura “um foguete de classe superpesada”, projetado para levar cargas maiores e servir missões de escala interplanetária.

Capacidade de carga reforçada

Com o aumento de potência, o New Glenn 9×4 alcança números impressionantes:

  • 70 toneladas para órbita baixa da Terra

  • 14 toneladas para órbita geoestacionária

  • 20 toneladas para injeção translunar

A Starship segue à frente — com capacidade teórica de 150 toneladas para órbita baixa —, mas o New Glenn 9×4 entra numa categoria que até agora só a SpaceX explorava de forma robusta.

A Blue Origin também vai incorporar uma carenagem maior, de 8,7 metros de diâmetro, permitindo transportar cargas volumosas e módulos espaciais mais amplos.

A trajetória do New Glenn até aqui

O New Glenn fez seu voo inaugural em janeiro, após anos de atrasos. A missão teve sucesso parcial: o foguete atingiu órbita, mas o booster não foi recuperado.
A investigação da FAA apontou sete ajustes necessários antes do próximo voo.

A segunda missão, porém, mudou tudo:

Com uma agenda cheia para 2026 e 2027, a Blue Origin vê o momento ideal para ampliar sua presença no mercado de lançamentos pesados.

Dois New Glenns convivendo lado a lado

Um ponto estratégico: a Blue Origin manterá ambas as versões do foguete ativas — o 7×2 e o 9×4.
Isso permitirá atender diferentes segmentos:

  • megaconstelações de satélites

  • exploração lunar e espacial profunda

  • missões de segurança nacional, incluindo o programa Golden Dome

  • cargas comerciais de médio e grande porte

A coexistência dos dois modelos aumenta a flexibilidade da empresa e fortalece sua oferta de serviços frente à SpaceX.

New Glenn x Saturn V: um salto visual

Dave Limp, CEO da Blue Origin, publicou uma ilustração mostrando o New Glenn 9×4 lado a lado com:

  • o clássico Saturn V, do programa Apollo,

  • e o New Glenn 7×2 atual.

O novo modelo aparece mais alto e mais robusto, sinalizando a ambição da empresa de Bezos de criar um dos maiores foguetes operacionais do mundo.

A disputa com a SpaceX entra em nova fase

A segunda missão bem-sucedida consolidou o New Glenn como um competidor real no setor orbital. Agora, com a versão superpesada:

  • a Blue Origin amplia seu alcance comercial,

  • aumenta sua atratividade para contratos governamentais,

  • e se aproxima do território dominado pela Starship.

Embora ainda longe da capacidade total da SpaceX, o movimento sinaliza que a Blue Origin está pronta para disputar missões lunares, cargas ultrapesadas e projetos estratégicos.

O jogo espacial, definitivamente, ficou maior.

 

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