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Ciência

Brasil registra 2,4 milhões de pessoas com autismo, revela Censo 2022

Dados inéditos do IBGE apontam que 1,2% da população brasileira foi diagnosticada com TEA. Homens são maioria, e diagnóstico precoce cresce entre crianças. A inclusão de informações sobre o autismo no Censo é resultado de uma mudança legislativa de 2019.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Pela primeira vez, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluiu dados específicos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Censo Demográfico. O levantamento de 2022 revelou que 2,4 milhões de brasileiros — o equivalente a 1,2% da população — declararam ter recebido o diagnóstico de TEA. A novidade é resultado da Lei nº 13.861, que passou a exigir a coleta dessa informação a partir de 2019.

 

Homens são maioria entre os diagnosticados

Autismo Brasil 1
© Alireza Attari – Unsplash

O Censo mostrou que os homens representam a maior parte dos casos: 1,4 milhão, contra 1 milhão de mulheres. A diferença é mais acentuada nas faixas etárias até os 44 anos, embora os motivos para esse desequilíbrio ainda não estejam totalmente claros.

Entre os diagnósticos por idade, destaca-se a prevalência entre crianças de 5 a 9 anos (2,6%), seguida pelas faixas de 0 a 4 anos (2,1%), 10 a 14 anos (1,9%) e 15 a 19 anos (1,3%). Segundo analistas do IBGE, o aumento no número de diagnósticos precoces está ligado à maior busca por informação e acompanhamento por parte de pais e responsáveis.

 

Recorte racial e regional

Quando o recorte é racial, a maioria dos entrevistados com TEA se declarou branca (1,3%), seguida por amarelos (1,2%), pretos e pardos (ambos com 1,1%) e indígenas (0,9%).

Os dados também permitem observar a distribuição dos diagnósticos por estado, mas a maior concentração tende a aparecer em regiões com maior acesso a serviços de saúde e educação.

 

Escolarização de pessoas com TEA

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© Aedrian Salazar – Unsplash

Um dado surpreendente do Censo é que a taxa de escolarização entre pessoas com autismo (36,9%) é superior à média nacional (24,3%). Isso mostra um avanço na inserção educacional, embora o dado se refira apenas à matrícula — e não à qualidade do ensino.

Entre os brasileiros com 6 anos ou mais, 760,8 mil estudantes com TEA estão matriculados regularmente, o que corresponde a 1,7% da população nessa faixa etária.

 

Pessoas com deficiência no Brasil

Além do autismo, o Censo identificou 14,4 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, o que representa 7,3% da população com 2 anos ou mais. Mulheres são maioria nesse grupo, representando 8,3 milhões (8,1%) contra 6,1 milhões (6,4%) de homens.

 

As deficiências mais frequentes incluem:

 

Dificuldade para enxergar (4%);

 

Dificuldade para andar ou subir escadas (2,6%);

 

Dificuldade de motricidade fina (1,4%);

 

Dificuldade de comunicação ou cognição (1,4%);

 

Dificuldade para ouvir (1,3%).

 

Educação e desigualdade

A pesquisa também revelou uma realidade preocupante: 21,3% das pessoas com deficiência acima de 15 anos são analfabetas, taxa quatro vezes maior que entre pessoas sem deficiência (5,2%).

Além disso, 63,1% dos brasileiros com deficiência com 25 anos ou mais não completaram o ensino fundamental, contra 32,3% da população sem deficiência. Esses números evidenciam a desigualdade educacional e o desafio para a inclusão plena, apesar das garantias legais estabelecidas desde 1989.

A Lei Brasileira de Inclusão, sancionada em 2015, determina que é dever do Estado garantir acesso à educação em todos os níveis, com recursos de acessibilidade e ambientes inclusivos — mas a prática ainda está longe do ideal.

 

[ Fonte: g1.Globo ]

 

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