Pular para o conteúdo
Notícias

Brasil tira do ar sites de apostas e cassinos online após proibição do setor

As plataformas de apostas esportivas e cassinos online deixaram de operar no Brasil. A proibição entrou em vigor após uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e envolve também publicidade e patrocínios do setor.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

O mercado brasileiro de apostas online passou por uma mudança radical. Desde 6 de outubro, sites e aplicativos que até poucos dias atrás operavam legalmente no país começaram a ficar indisponíveis para os usuários.

A decisão é consequência da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. O texto proibiu em todo o território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas apostas de quota fixa, categoria que inclui apostas esportivas e jogos online.

O Ministério da Fazenda estabeleceu um período de transição para que empresas encerrassem suas operações e usuários retirassem o dinheiro mantido nas plataformas.

Agora, quem tenta entrar em uma dessas páginas pode ser direcionado para um portal oficial informando que o serviço foi bloqueado.

Mais de R$ 1,3 bilhão ainda precisa ser devolvido

Reais
© Getty Images

O prazo para que os apostadores solicitassem voluntariamente a retirada do dinheiro terminou às 23h59 de 5 de outubro.

Mas isso não significa que quem deixou saldo nas plataformas perdeu os recursos.

Segundo dados divulgados pelo governo federal, aproximadamente R$ 1,325 bilhão ainda aguardava devolução para cerca de 26,5 milhões de apostadores no primeiro dia após o encerramento das operações.

As empresas devem informar às instituições financeiras os valores pertencentes a cada usuário, identificados pelo CPF e associados à conta bancária utilizada nos depósitos.

Entre 9 e 14 de outubro, os bancos serão responsáveis por devolver diretamente esses recursos.

Caso exista algum impedimento operacional, a Caixa Econômica Federal poderá assumir a intermediação da restituição a partir de 14 de outubro.

Governo já pediu o bloqueio de mais de 13 mil sites ilegais

A retirada das plataformas anteriormente autorizadas acontece paralelamente a uma ofensiva contra operadores clandestinos.

Entre 25 de setembro e 6 de outubro, o governo encaminhou para bloqueio 13.241 sites ilegais de apostas — uma média superior a mil páginas por dia.

A operação também chegou às redes sociais.

Foram solicitadas remoções de milhares de páginas, perfis, canais e grupos no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord. Somente em algumas dessas plataformas, os espaços identificados pelo governo alcançavam aproximadamente 17,2 milhões de usuários, membros ou seguidores.

O próprio governo criou o portal Brasil sem Bets, que informa sobre o bloqueio e orienta usuários que ainda tenham dinheiro a receber.

A proibição atinge também a publicidade

O impacto da decisão vai muito além dos aplicativos.

A medida provisória também proibiu a publicidade relacionada às apostas, atingindo diretamente contratos de patrocínio que se tornaram extremamente importantes para o esporte brasileiro nos últimos anos.

O futebol está entre os setores mais afetados.

As casas de apostas se transformaram em grandes patrocinadoras de clubes, campeonatos e transmissões esportivas. Em 2025, as bets desembolsaram cerca de R$ 1,1 bilhão para os principais clubes brasileiros, segundo dados divulgados pelo governo.

O Flamengo está entre as organizações que reagiram à decisão. O clube pediu ao Supremo Tribunal Federal uma medida urgente contra os efeitos da proibição e chegou a cobrir marcas relacionadas ao setor durante atividades da equipe.

O mercado movimentou mais de R$ 220 bilhões em 2025

O celular pode desaparecer antes de 2031 e os gigantes da tecnologia já apostam em seu sucessor
© camilo jimenez – Unsplash

A dimensão econômica ajuda a explicar a repercussão.

Os brasileiros movimentaram aproximadamente R$ 220 bilhões em apostas durante 2025. A atividade chegou a representar cerca de R$ 600 milhões movimentados diariamente pelas plataformas.

O governo federal também arrecadou bilhões em impostos com o setor depois da regulamentação.

As apostas de quota fixa haviam sido legalizadas em 2018, durante o governo Michel Temer, e passaram posteriormente por um amplo processo de regulamentação.

Agora, em 2026, o país seguiu na direção oposta.

A nova medida faz parte de uma ofensiva do governo contra o endividamento das famílias e os problemas associados ao uso compulsivo das plataformas.

Empresas alertam para o crescimento do mercado clandestino

A proibição também abriu uma discussão sobre suas possíveis consequências.

Representantes do setor argumentam que retirar as plataformas legalizadas não necessariamente eliminará a demanda por apostas.

O temor é que parte dos usuários migre para sites clandestinos hospedados fora do Brasil, onde existem menos mecanismos de proteção ao consumidor e maior dificuldade de fiscalização.

Essa preocupação ajuda a explicar a ofensiva simultânea contra milhares de domínios ilegais.

Para o governo, impedir que empresas autorizadas funcionem não é suficiente se plataformas estrangeiras continuarem acessíveis aos brasileiros.

A proibição ainda depende do Congresso

Congresso aprova lei que pode reduzir pena de Bolsonaro
© YouTube

Existe ainda um elemento importante: a mudança pode não ser definitiva.

A proibição foi implementada através de uma medida provisória. Esse instrumento tem efeito imediato, mas precisa ser analisado pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional.

Se deputados e senadores não aprovarem o texto, a medida poderá perder validade.

Enquanto essa discussão política acontece, porém, os efeitos já são concretos.

Sites estão fora do ar, anúncios começaram a desaparecer, clubes perderam importantes patrocinadores e milhões de usuários aguardam a devolução do dinheiro que mantinham nas plataformas.

Depois de anos de crescimento explosivo, o Brasil passou, em questão de dias, de um dos maiores mercados de apostas online do mundo para um país onde as bets estão oficialmente proibidas.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados