Pular para o conteúdo
Notícias

Brasileira desaparecida em vulcão na Indonésia aguarda resgate em meio a críticas e incertezas

Juliana Marins, de 26 anos, caiu durante uma trilha no Monte Rinjani e aguarda socorro há dias. O resgate enfrenta condições climáticas adversas, atrasos e falhas logísticas. Familiares denunciam abandono, informações desencontradas e lentidão nas operações, enquanto a jovem permanece sem comida, água ou abrigo em um desfiladeiro.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Uma viagem dos sonhos pela Ásia se transformou em um drama angustiante. A brasileira Juliana Marins, que realizava um mochilão, caiu durante uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia, e está há dias esperando por socorro. Em meio a tentativas frustradas de resgate, críticas à condução da operação e informações contraditórias, familiares e amigos vivem momentos de desespero e clamor por ajuda internacional.

 

O acidente e o início da espera por socorro

O acidente ocorreu no último sábado (21), quando Juliana escorregou e caiu cerca de 300 metros abaixo da trilha no Monte Rinjani, uma das atrações mais procuradas da Indonésia. Ela estava sozinha no momento da queda e foi localizada horas depois por turistas que passaram pelo local e utilizaram um drone para encontrá-la.

A última imagem confirmada de Juliana foi registrada às 17h30 (horário local) e divulgada por esses turistas. A localização exata da jovem foi estimada em um desfiladeiro a cerca de 600 metros da trilha principal. Desde então, as equipes de resgate enfrentam dificuldades para alcançá-la.

 

Críticas à operação de resgate

De acordo com os familiares, o resgate foi interrompido mais uma vez três dias após o acidente. Segundo o perfil @resgatejulianamarins, criado para divulgar informações oficiais, a operação foi suspensa às 16h (horário local) por conta das condições climáticas, embora já se soubesse que os socorristas não operam durante a noite.

O maior problema, segundo a irmã de Juliana, Mariana Marins, é a lentidão e a falta de planejamento da operação. “Um dia inteiro e avançaram apenas 250 metros. Estavam a 350 metros dela e voltaram. Mais uma vez. Mais um dia”, relatou nas redes sociais.

 

Abandono e contradições

Outro ponto que gerou revolta na família foi o relato de que Juliana foi abandonada pelo guia turístico. Mariana afirmou que a irmã estava cansada no segundo dia de trilha e foi orientada a descansar, enquanto o grupo seguiu em direção ao cume. Juliana acabou ficando sozinha e caiu após perceber que ninguém havia retornado.

As autoridades locais e até a Embaixada do Brasil na Indonésia divulgaram, inicialmente, que Juliana havia recebido comida, água e agasalhos. No entanto, a família desmentiu as informações, afirmando que as equipes de resgate ainda não conseguiram chegar até ela devido à falta de cordas adequadas e à visibilidade limitada.

Segundo Mariana, vídeos divulgados como sendo do momento do resgate foram forjados para dar a impressão de que a jovem havia sido alcançada — o que não aconteceu. Em ligação ao programa Fantástico, o embaixador brasileiro reconheceu que repassou informações incorretas com base em dados imprecisos das autoridades indonésias.

 

Clima, negligência e indignação

Além da baixa visibilidade e da neblina intensa, a região costuma apresentar clima instável nesta época do ano, algo que, segundo a família, já era de conhecimento dos responsáveis pelo parque e pelas operações. Mesmo assim, a trilha permanece aberta para turistas e não houve ações emergenciais mais contundentes para acelerar o socorro.

“Ela está sem comida, sem água e sem abrigo. Vai passar mais uma noite sozinha no desfiladeiro. É negligência!”, desabafou Mariana nas redes sociais. A família teme que o tempo esteja se esgotando e pede apoio urgente de autoridades brasileiras e internacionais para que o resgate chegue a tempo.

 

Quem é Juliana Marins

Juliana Marins, de 26 anos, caiu durante uma trilha no Monte Rinjani e aguarda socorro há dias. O resgate enfrenta condições climáticas adversas
© X- @XNewsBrasil

Natural de Niterói (RJ), Juliana tem 26 anos e é formada em Publicidade pela UFRJ. Também atua como dançarina de pole dance e decidiu embarcar em um mochilão pela Ásia desde fevereiro, passando por Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de chegar à Indonésia.

Durante toda a viagem, ela compartilhou registros nas redes sociais, mantendo contato com amigos e seguidores. A queda no Monte Rinjani interrompeu sua jornada de forma brusca e mergulhou familiares e amigos em uma espera angustiante por respostas e, acima de tudo, por ação.

 

Um apelo por urgência

A situação de Juliana expõe fragilidades em protocolos de segurança em áreas turísticas e a dificuldade de resposta rápida diante de acidentes em regiões remotas. Enquanto isso, a família segue fazendo apelos públicos por mais agilidade e apoio nas operações. O tempo, agora, é o maior inimigo — e cada minuto conta.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados