A descoberta inesperada que chamou atenção da ciência
Tudo começou com Joël Lapointe, que só queria planejar um acampamento. Enquanto explorava a região no Google Maps, encontrou uma estrutura enorme, circular e totalmente fora do padrão. As imagens mostravam o que parecia ser um buraco colossal — algo que claramente não combinava com a paisagem local.
Lapointe investigou por conta própria e descobriu que a formação tinha, na verdade, cerca de 8 km de diâmetro e era composta por um anel de pequenas montanhas ao redor do Lago Marsal, 100 km ao norte de Magpie. Mesmo assim, ele desconfiou de que havia mais por trás daquela forma perfeita demais.
Foi então que decidiu consultar o geofísico Pierre Rochette, do CEREGE, na França. Ao receber as coordenadas, Rochette ficou intrigado e rapidamente montou uma expedição. Para ele, algo na topografia parecia familiar — e possivelmente extraterrestre.
A teoria do impacto começa a ganhar força
Assim que pisou no local, Rochette teve a confirmação inicial que buscava. “Se você olhar para a topografia, é muito sugestiva de impacto”, afirmou. Segundo ele e sua equipe, o anel de montanhas provavelmente foi interpretado de forma incorreta no passado.
O que era classificado como uma formação vulcanoclástica chamada Brecha de Marsal pode, na verdade, ser restos de uma antiga cratera criada por um meteorito. Em artigo científico, os pesquisadores afirmam que as rochas encontradas lembram casos de crateras já confirmadas, como Mistastin e Janisjarvi.
Os cientistas também observaram que a região não apresenta anomalias gravitacionais evidentes — áreas onde a gravidade é mais forte ou mais fraca devido à distribuição de massa. Mas, segundo a equipe, os dados atuais não são precisos o suficiente para descartar estruturas menores que 10 a 15 km de diâmetro. Ou seja: falta mais trabalho de campo.
As pistas que apontam para uma origem extraterrestre
A partir das amostras coletadas no Lago Marsal, os pesquisadores identificaram silicatos, magnetita, sulfetos e zircões — minerais associados à fusão causada por impactos violentos. A presença desses materiais é um forte sinal de que um meteorito pode ter atingido a região milhões de anos atrás.
Com base nos níveis de erosão, o impacto pode ter acontecido entre 450 e 38 milhões de anos. Uma janela de tempo absurdamente ampla, mas suficiente para explicar por que a estrutura está tão desgastada.
Se confirmada, a cratera do Lago Marsal será a 11ª estrutura de impacto registrada oficialmente no Quebec, uma região que já concentra algumas das formações mais antigas do planeta.
Próximo passo: provar a cratera e destrinchar sua história
Segundo a NASA, crateras assim se formam quando meteoritos atingem a superfície a velocidades enormes, provocando ondas de choque que derretem a rocha. No caso de Marsal, isso significa que o local pode guardar pistas valiosas sobre a história geológica e até sobre materiais trazidos do espaço.
Expedições adicionais já estão programadas para 2025. Só então será possível confirmar, de forma definitiva, se o buraco visto no Google Maps é um fenômeno geológico comum — ou um registro silencioso de um impacto extraterrestre que passou despercebido por milhões de anos.
O certo, por enquanto, é que Lapointe tropeçou em algo muito maior do que um simples destino de acampamento. E a ciência está correndo atrás para entender exatamente o que ele encontrou.
[Fonte: Xataka]