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Ciência

Caso alarmante liga o uso de cigarro eletrônico a câncer de pulmão agressivo

Um homem de 51 anos, ex-fumante e usuário de vape por mais de uma década, desenvolveu um câncer de pulmão fatal em questão de meses. O caso levanta dúvidas sobre os potenciais riscos cancerígenos do cigarro eletrônico e reacende o debate sobre sua real segurança para a saúde.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Embora o cigarro eletrônico seja frequentemente apontado como uma alternativa “mais segura” ao cigarro tradicional, um caso recente nos Estados Unidos lança dúvidas sobre essa percepção. Um homem de Nova Jersey, que havia abandonado o cigarro comum há anos e passou a usar apenas vape, morreu de um câncer de pulmão agressivo e fulminante. O caso está gerando preocupação entre especialistas e reacende o debate sobre os riscos associados ao uso prolongado desses dispositivos.

 

Um diagnóstico devastador

O caso foi relatado por médicos do AtlantiCare Regional Medical Center, em Atlantic City, e publicado no American Journal of Case Reports. O paciente, de 51 anos, ex-fumante e usuário regular de cigarro eletrônico por mais de 11 anos, procurou atendimento após apresentar sintomas como tosse com sangue, perda de peso, dores no peito e falta de ar.

Exames revelaram um carcinoma de pulmão de células escamosas — um tipo de câncer agressivo e de difícil tratamento. A doença já havia se espalhado para o coração, o que impossibilitou qualquer intervenção cirúrgica. Mesmo com a rápida administração de quimioterapia, o paciente não respondeu ao tratamento e morreu apenas três meses após o diagnóstico.

 

O histórico e a suspeita dos médicos

O homem tinha um histórico de tabagismo equivalente a 10 anos-maço (cerca de um maço por dia durante 10 anos), mas havia deixado o cigarro tradicional em 2009, passando a usar exclusivamente o cigarro eletrônico. Segundo os médicos, ele realizava check-ups pulmonares e cardíacos regularmente, e o último raio-X feito dois anos antes era completamente normal — o que sugere que o tumor se desenvolveu de forma recente e extremamente rápida.

Diante do quadro clínico, idade relativamente jovem (a maioria dos casos aparece após os 65 anos) e ausência de tabagismo recente, os especialistas consideram possível que o uso prolongado de vape tenha contribuído para o desenvolvimento do câncer. “Embora não se possa estabelecer causalidade, o caso destaca uma possível associação entre [vape] e malignidade”, escreveram os autores do relatório.

 

O que se sabe sobre os riscos do cigarro eletrônico

Já houve outros casos sérios ligados ao uso de vape, como o surto de doenças pulmonares em 2019 nos EUA, causadas por aditivos tóxicos em vapes com THC. Outros compostos químicos usados nos aromatizantes também foram associados a doenças raras no pulmão. No entanto, este é um dos primeiros relatos que sugerem uma ligação direta entre o uso de cigarro eletrônico e o câncer de pulmão.

Há ainda registros isolados relacionando o vape a câncer bucal, e estudos preliminares indicam que usuários que fumam e vaporizam simultaneamente (os chamados dual users) correm maior risco de câncer do que quem apenas fuma. Por outro lado, a maior parte da pesquisa científica até agora indica que o cigarro eletrônico, apesar dos riscos, é geralmente menos nocivo que o cigarro tradicional — especialmente para quem nunca fumou antes.

 

Um alerta para novas investigações

Por se tratar de um caso único e isolado, os médicos não recomendam mudanças imediatas nas diretrizes de triagem para câncer. No entanto, eles reforçam a necessidade urgente de mais estudos sobre os efeitos a longo prazo do cigarro eletrônico na saúde respiratória.

Esse caso serve como um alerta: o fato de o vape ser menos prejudicial que o cigarro não significa que seja isento de riscos. À medida que cresce o número de usuários desses dispositivos, cresce também a urgência por pesquisas que revelem os perigos ocultos que eles podem representar.

 

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