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Ciência

Novo estudo revela um efeito preocupante dos cigarros eletrônicos entre os jovens

Uma pesquisa recente mostra que dispositivos de vape podem não apenas aliviar os sintomas da abstinência, mas também aumentar a dependência à nicotina. A descoberta levanta um alerta sobre os verdadeiros efeitos do uso contínuo entre adultos jovens que já fazem parte do universo do cigarro eletrônico.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enquanto os cigarros eletrônicos são amplamente divulgados como alternativa “menos prejudicial” ao cigarro tradicional, uma nova pesquisa aponta que eles podem, na verdade, estar reforçando a dependência à nicotina — especialmente entre os jovens que já os utilizam com frequência. O estudo analisou como o vape se compara a outras formas de consumo de nicotina e os resultados foram surpreendentes.

 

Vaping vs chiclete de nicotina: o experimento

Pesquisadores da Universidade da Virgínia Ocidental reuniram 16 adultos jovens, todos usuários regulares de cigarros eletrônicos, e os convidaram a passar uma noite sem consumir nicotina. No dia seguinte, os participantes foram instruídos a utilizar seus próprios dispositivos de vape, mascar chiclete de nicotina ou chiclete placebo sem substância ativa, em sessões separadas.

O objetivo era medir qual das alternativas era mais eficaz para aliviar os sintomas de abstinência. Os resultados mostraram que os cigarros eletrônicos foram significativamente mais satisfatórios e eficazes em reduzir o desejo por nicotina, se comparados aos chicletes — inclusive o que continha a substância.

Além disso, os participantes relataram maior prazer e alívio ao usar o vape, evidenciando que os dispositivos eletrônicos reforçam a sensação de recompensa de forma mais intensa do que outras formas de reposição de nicotina.

 

Por que os cigarros eletrônicos são tão viciantes?

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© E-Liquids UK – Unsplash

O estudo destacou que os dispositivos usados pelos participantes eram do tipo cápsula, que utilizam sais de nicotina. Essa forma química reduz o gosto amargo e a aspereza que normalmente acompanham altas concentrações da substância, o que facilita seu consumo em maior quantidade e de forma mais agradável.

Segundo os pesquisadores, esse padrão de resposta é semelhante ao que já foi observado anteriormente com cigarros de tabaco convencionais, que também superam as terapias de reposição em eficácia e satisfação. Isso significa que os cigarros eletrônicos podem reproduzir — e até intensificar — os efeitos viciantes do cigarro tradicional.

 

O apelo entre os jovens vai além da química

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© Talahria Jensen – Unsplash

Outro ponto levantado pelo estudo é o apelo visual e sensorial dos cigarros eletrônicos entre o público jovem. Além da facilidade de uso e do design discreto, os sabores agradáveis e variados — como frutas, doces ou menta — tornam o produto ainda mais atraente, inclusive para pessoas que nunca fumaram antes.

A combinação de sabor, conveniência e alta dose de nicotina torna o vape não só um substituto do cigarro comum, mas uma nova porta de entrada para a dependência, especialmente entre jovens e não fumantes.

 

Uma dependência mais difícil de largar?

A pesquisadora principal, Andrea Milstred, doutoranda na Universidade da Virgínia Ocidental, destacou que esses dispositivos têm um alto potencial de gerar dependência, mesmo em pessoas sem histórico prévio de uso de nicotina. “O risco é especialmente alto entre jovens adultos que, muitas vezes, começam a usar sem conhecer os efeitos a longo prazo”, explicou.

Embora o número de participantes no estudo tenha sido pequeno, os resultados levantam preocupações significativas sobre os efeitos do vape como suposta ferramenta de cessação do tabagismo. Em vez de ajudar as pessoas a deixarem o vício, ele pode estar prolongando — ou até iniciando — a dependência à nicotina.

 

Com dispositivos cada vez mais sofisticados e sabores pensados para atrair, os cigarros eletrônicos conquistaram espaço entre os jovens. Mas os dados mostram que o caminho até a libertação da nicotina pode estar se tornando mais difícil. O vape, longe de ser apenas uma alternativa, pode estar reforçando um vício que a sociedade luta há décadas para combater.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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