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Tecnologia

China quer captar energia no espaço e enviá-la para a Terra por micro-ondas: seu novo projeto pode mudar o futuro da eletricidade

Uma equipe de cientistas chineses deu mais um passo em direção a uma ideia que parece saída da ficção científica: usinas solares orbitais capazes de gerar energia no espaço e transmiti-la sem fios para a Terra. O projeto já demonstrou seus principais componentes em testes realizados no solo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A busca por fontes de energia mais limpas e abundantes está levando pesquisadores a explorar soluções cada vez mais ousadas. Entre elas, uma das mais ambiciosas é a energia solar espacial, um conceito estudado há décadas, mas que recentemente voltou a ganhar força graças aos avanços em materiais, telecomunicações e engenharia orbital.

Agora, cientistas da Universidade de Xidian, na China, anunciaram progressos importantes em um sistema experimental que poderá servir de base para futuras usinas solares instaladas no espaço. A proposta é simples em teoria, mas extremamente complexa na prática: captar energia solar em órbita e transmiti-la para a Terra na forma de micro-ondas.

Se a tecnologia funcionar em larga escala, ela poderá fornecer eletricidade continuamente, independentemente de nuvens, chuvas ou do ciclo entre dia e noite.

Uma usina solar inspirada no espaço

Cientistas querem criar um escudo espacial para proteger a Terra de tempestades solares
© Unsplash

O projeto recebeu o nome de Zhuri, expressão que pode ser traduzida como “perseguindo o Sol”. O objetivo é desenvolver tecnologias capazes de coletar energia solar fora da atmosfera terrestre e enviá-la sem fios para receptores instalados no planeta.

No campus da Universidade de Xidian, localizado na cidade de Xi’an, na província chinesa de Shaanxi, os pesquisadores construíram uma instalação experimental para validar os componentes fundamentais desse sistema.

O experimento utiliza um espelho parabólico de 4,8 metros de diâmetro suspenso por uma torre de 75 metros de altura. O espelho concentra a luz solar sobre painéis fotovoltaicos, que convertem a radiação em eletricidade.

A energia gerada é então transformada em micro-ondas e enviada até um receptor localizado a cerca de 100 metros de distância.

Como funciona a transmissão sem fios

O receptor utilizado nos testes é chamado de rectena, uma combinação das palavras “antena” e “retificação”.

Sua função é captar as micro-ondas transmitidas e convertê-las novamente em eletricidade utilizável.

Nos testes mais recentes, a equipe conseguiu transmitir energia na escala de quilowatts e demonstrou a capacidade de direcionar a energia simultaneamente para múltiplos alvos móveis.

Segundo os pesquisadores, especialistas independentes validaram os resultados, destacando os avanços alcançados na conversão e transmissão eficiente da energia.

Vantagens da energia solar espacial

Uma das principais razões para o interesse crescente nesse tipo de tecnologia está na enorme quantidade de energia disponível fora da atmosfera terrestre.

No espaço, os painéis solares recebem radiação praticamente contínua e sem interferências atmosféricas. Isso significa que a densidade energética pode ser até seis vezes maior do que a encontrada na superfície da Terra.

Além disso, uma usina orbital não sofre com períodos noturnos, nuvens, tempestades ou mudanças climáticas locais.

Segundo Fan Guanheng, professor associado da Universidade de Xidian e líder do projeto, essas características tornam a energia solar espacial uma candidata promissora para enfrentar os desafios energéticos das próximas décadas.

O sonho de alimentar cidades inteiras

Satelites Iluminacao
© NASA

A iniciativa é supervisionada por Duan Baoyan, engenheiro eletromecânico e ex-presidente da Universidade de Xidian.

Inspirado pelo conceito SPS-ALPHA, desenvolvido originalmente pela NASA, Duan imagina um futuro em que grandes estações solares orbitais sejam capazes de fornecer eletricidade para cidades inteiras.

Uma única instalação com capacidade de um gigawatt — suficiente para abastecer uma cidade de porte médio — exigiria estruturas gigantescas, com espelhos de centenas de metros de extensão.

É justamente essa escala que representa um dos maiores desafios tecnológicos do projeto.

Os obstáculos ainda são enormes

Apesar dos avanços recentes, os pesquisadores reconhecem que a implementação comercial ainda está distante.

Entre os principais desafios estão a construção de estruturas gigantescas no espaço, o desenvolvimento de sistemas dobráveis ou autoassembláveis e a necessidade de apontar feixes de micro-ondas com extrema precisão.

Também existem preocupações relacionadas à segurança da tecnologia. Os sistemas precisam garantir que as transmissões não representem riscos para aeronaves, satélites, aves ou ecossistemas.

Para enfrentar parte dessas dificuldades, o novo projeto chinês aposta em uma arquitetura modular. Em vez de construir uma única estrutura colossal, a proposta prevê diversos módulos independentes operando em formação coordenada.

Além de aumentar a resistência do sistema, essa abordagem simplificaria reparos e manutenções futuras.

Uma tecnologia que pode redefinir a produção de energia

Embora ainda esteja em fase experimental, a energia solar espacial continua sendo uma das ideias mais fascinantes da engenharia moderna.

Se os desafios forem superados, ela poderá oferecer uma fonte praticamente inesgotável de eletricidade limpa, acessível em qualquer região do planeta.

Por enquanto, o projeto da Universidade de Xidian representa apenas um pequeno passo nessa direção. Mas é um passo importante rumo a um cenário em que parte da energia consumida na Terra poderá vir diretamente do espaço, capturada por enormes usinas orbitais e enviada sem fios através de milhares de quilômetros.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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