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Tecnologia

Por que os Estados Unidos decidiram afundar os submarinos japoneses depois da guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma ideia japonesa levou a engenharia naval a um território quase inimaginável. O resultado combinava alcance oceânico, aviação e uma estratégia extremamente ousada.
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Tempo de leitura: 4 minutos

No auge da Segunda Guerra Mundial, atacar um território localizado a milhares de quilômetros de distância era um desafio gigantesco. Aviões tinham alcance limitado e submarinos tradicionais não podiam transportar aeronaves convencionais. O Japão decidiu então eliminar essa barreira de uma maneira radical: construir um submarino tão grande que pudesse carregar aviões em seu interior, atravessar oceanos e fazê-los decolar perto do alvo. O plano parecia ficção, mas chegou a sair do papel.

Um submarino gigantesco escondia algo ainda mais surpreendente

Em 1942, o Japão buscava uma maneira de atingir posições estratégicas americanas muito além do alcance de suas bases aéreas no Pacífico.

O almirante Isoroku Yamamoto apresentou uma solução incomum: transformar submarinos em uma espécie de porta-aviões submersível. A ideia original previa a construção de 18 unidades capazes de atravessar grandes distâncias, emergir perto do alvo, lançar seus aviões e desaparecer novamente sob a água.

O primeiro exemplar começou a ser construído em janeiro de 1943.

O resultado foi extraordinário para os padrões da época. O I-400 tinha aproximadamente 122 metros de comprimento, deslocava cerca de 6.600 toneladas submerso e alcançava aproximadamente 18,7 nós na superfície.

Sua autonomia era ainda mais impressionante. O submarino podia percorrer cerca de 60 mil quilômetros, permitindo operações a distâncias enormes do território japonês.

Mas o detalhe mais surpreendente estava sobre o casco.

Um grande hangar cilíndrico e hermeticamente fechado abrigava três aeronaves. Quando o submarino emergia, a tripulação retirava os aviões, preparava suas asas e os posicionava sobre uma catapulta pneumática instalada no convés.

Em condições ideais, os três aparelhos podiam ser lançados em aproximadamente 30 minutos. Com algumas adaptações, esse tempo poderia cair para menos de 15 minutos.

O avião também precisou ser reinventado

Havia, porém, um problema óbvio: aviões comuns simplesmente não caberiam dentro daquele submarino.

A solução veio da empresa Aichi, que desenvolveu especialmente para a missão o M6A1 Seiran, um pequeno bombardeiro biplace projetado para ocupar o mínimo de espaço possível.

Suas asas podiam ser giradas e dobradas para trás contra a fuselagem. Partes da cauda também eram dobráveis, permitindo que a aeronave fosse armazenada dentro do hangar.

Depois de retirado do submarino, o avião era preparado pela tripulação e lançado pela catapulta. Sem os flutuadores, podia transportar um torpedo ou uma bomba pesada e alcançar quase 550 km/h.

A combinação era inédita: um submarino capaz de atravessar oceanos carregando aeronaves especialmente construídas para serem desmontadas, armazenadas e lançadas em alto-mar.

Tão secreta era a operação que os Aliados só conheceram a existência do Seiran depois do fim da guerra.

Hoje, apenas um exemplar desse avião sobrevive. Ele está preservado no Smithsonian National Air and Space Museum, nos Estados Unidos.

Canal Do Panamá1
© Mundo Bélico – Youtube

O alvo que poderia ter mudado a guerra

O Japão tinha um objetivo especialmente ambicioso para aquela arma.

Um dos planos previa enviar dez Seiran contra as comportas de Gatún, no Canal do Panamá. A destruição das estruturas poderia interromper temporariamente a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico e dificultar o deslocamento de navios americanos.

Os pilotos chegaram a treinar utilizando uma reprodução das instalações do canal para simular o ataque.

Mas a guerra mudou rapidamente.

Em 1945, quando o Japão já enfrentava uma situação militar muito diferente, a missão foi cancelada. O novo objetivo passou a ser a base naval americana de Ulithi.

Os submarinos I-400 e I-401 chegaram a navegar para preparar a operação. Os aviões estavam prontos para entrar em ação.

Mas o ataque nunca aconteceu.

O Japão se rendeu em agosto de 1945, antes que qualquer Seiran fosse utilizado em combate.

O segredo terminou no fundo do Pacífico

Depois da rendição japonesa, os Estados Unidos capturaram os submarinos e começaram a estudar aquela tecnologia incomum.

Apenas três unidades da classe chegaram a ser concluídas: I-400, I-401 e I-402. Esta última havia sido modificada para atuar como submarino-tanque.

Os soviéticos demonstraram interesse em inspecionar os navios, mas os americanos não queriam correr o risco de permitir que aquela tecnologia fosse analisada por outro país.

A solução foi definitiva.

Em 1946, o I-400 e o I-401 foram afundados deliberadamente perto do Havaí. O I-402 teve o mesmo destino diante do Japão.

Assim, uma das ideias navais mais ousadas da Segunda Guerra Mundial terminou no fundo do oceano sem nunca realizar o ataque para o qual havia sido criada.

Durante quase duas décadas, nenhum outro país construiria um submarino maior.

O I-400 acabou entrando para a história não por ter vencido uma batalha, mas por ter demonstrado até onde a engenharia militar podia chegar quando um país precisava projetar uma arma capaz de atacar um alvo que parecia estar fora de alcance.

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