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Ciência

China quer dobrar o tamanho da estação espacial Tiangong enquanto a NASA muda seus planos para não perder a liderança na órbita terrestre

A China acelera a expansão da estação espacial Tiangong e se prepara para ocupar um espaço estratégico que será deixado pela aposentadoria da Estação Espacial Internacional. Em resposta, a NASA reformula sua estratégia e aposta em um novo modelo de cooperação com empresas privadas para manter sua presença na órbita baixa da Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A corrida espacial entrou em uma nova fase. Com a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) se aproximando do fim de sua vida útil, China e Estados Unidos disputam quem liderará a próxima geração de laboratórios em órbita. Enquanto Pequim avança com um ambicioso plano para ampliar a Tiangong, a NASA revisa sua estratégia para acelerar o desenvolvimento de uma nova infraestrutura espacial e evitar que a liderança científica mude de mãos.

China prepara uma Tiangong duas vezes maior

A estação espacial Tiangong começou a ser montada entre 2021 e 2022 e, atualmente, conta com três módulos principais em operação. O complexo já abriga missões científicas, experimentos tecnológicos e estadias prolongadas de astronautas chineses.

Agora, o governo da China pretende dar um novo salto. O plano prevê a incorporação de três módulos adicionais, praticamente dobrando o tamanho da estação.

O principal deles será um módulo multifuncional de cerca de 20 toneladas, conectado diretamente ao núcleo da Tiangong. Outros dois módulos serão dedicados exclusivamente à pesquisa científica. Quando a expansão estiver concluída, a estação passará das atuais 90 toneladas para aproximadamente 180 toneladas, tornando-se um dos maiores e mais sofisticados complexos habitáveis já construídos na órbita baixa da Terra.

Além do aumento do espaço interno, a nova configuração incluirá mais portas de acoplamento para naves espaciais. Isso permitirá receber simultaneamente diferentes veículos, ampliar a capacidade de experimentos e manter espaçonaves de apoio prontas para situações de emergência.

O telescópio Xuntian será um parceiro permanente da estação

Outro componente importante do programa espacial chinês é o lançamento do observatório espacial Xuntian.

O telescópio ficará em uma órbita muito próxima da Tiangong, permitindo que se acople periodicamente à estação para realizar manutenção, reabastecimento e atualizações tecnológicas — uma abordagem bastante diferente da utilizada pelo histórico Telescópio Espacial Hubble.

O Xuntian deverá contar com uma câmera equipada com sensores de aproximadamente 2.500 megapixels. Embora o Hubble continue oferecendo imagens extremamente detalhadas, o novo observatório chinês terá um campo de visão cerca de 300 vezes maior, permitindo mapear aproximadamente 40% do céu ao longo de uma missão prevista para durar dez anos.

Essa combinação entre estação espacial e observatório representa uma estratégia para ampliar a produção científica da China sem depender de missões de manutenção independentes.

A aposentadoria da ISS muda o cenário da exploração espacial

Enquanto a Tiangong cresce, a Estação Espacial Internacional se aproxima do encerramento de suas operações.

Após mais de duas décadas em funcionamento contínuo, a ISS enfrenta problemas estruturais cada vez mais frequentes, incluindo vazamentos de ar no segmento russo e o desgaste natural de diversos sistemas.

A NASA trabalha com a previsão de desativar a estação entre 2030 e 2031. Para isso, utilizará um veículo de desorbitação desenvolvido pela empresa SpaceX, responsável por conduzir a estrutura a um reingresso controlado na atmosfera terrestre, reduzindo os riscos para áreas habitadas.

O fim da ISS abrirá um período de transição importante para a pesquisa científica em órbita baixa, tornando ainda mais relevante a corrida por uma nova infraestrutura espacial.

NASA muda de estratégia para responder ao avanço chinês

Durante os últimos anos, a NASA planejava deixar que empresas privadas assumissem integralmente o desenvolvimento das futuras estações espaciais comerciais.

No entanto, o avanço acelerado da Tiangong levou a agência americana a rever essa estratégia.

A nova proposta prevê financiamento governamental para a construção de um módulo central, que funcionará como base para futuras estações orbitais. Empresas privadas poderão conectar seus próprios laboratórios e módulos científicos a essa estrutura, criando um ecossistema compartilhado de pesquisa.

Companhias como a Axiom Space e a Blue Origin aparecem entre as principais candidatas para participar desse modelo de cooperação.

Ao mesmo tempo em que mantém o programa Artemis como prioridade para estabelecer uma presença humana permanente na Lua, a NASA busca garantir que os Estados Unidos continuem ocupando um papel de destaque também na órbita baixa da Terra.

Nos próximos anos, o espaço próximo ao planeta deverá deixar de ser dominado por uma única estação internacional e passar a abrigar diferentes plataformas operadas por governos e empresas privadas. Nesse novo cenário, a expansão da Tiangong e a resposta estratégica da NASA indicam que a competição pela liderança científica e tecnológica no espaço está apenas começando.

 

[ Fonte: Perfil ]

 

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