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Drones, veículos e módulos gigantes: assim será a futura base lunar americana

Depois de décadas de promessas e adiamentos, a NASA deu um passo que muda completamente a corrida espacial: empresas privadas já foram contratadas para iniciar a construção da futura base lunar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A ideia de viver na Lua durante muito tempo deixou de ser apenas um sonho distante de filmes e livros de ficção científica. A NASA agora começou oficialmente a montar as primeiras peças de uma estrutura permanente no satélite natural da Terra. E o mais surpreendente é que isso acontecerá antes mesmo de os astronautas voltarem a pisar no solo lunar. Com drones, veículos futuristas e módulos de pouso gigantescos, o projeto revela como poderá ser a primeira grande ocupação humana fora da Terra.

A construção da futura base lunar já começou nos bastidores

Drones, veículos e módulos gigantes: assim será a futura base lunar americana
© NASA

NASA anunciou a primeira etapa concreta do ambicioso projeto que pretende estabelecer uma presença humana permanente na Lua.

Pouco tempo após a missão Artemis II realizar um histórico sobrevoo lunar, a agência espacial norte-americana assinou contratos milionários com empresas privadas para começar a enviar equipamentos ao polo sul lunar.

Entre as companhias escolhidas está a Blue Origin, empresa aeroespacial de Jeff Bezos. Ela ficará responsável por fornecer módulos de aterrissagem capazes de transportar veículos especiais até a superfície da Lua.

Esses veículos, conhecidos como lunar terrain vehicles, serão desenvolvidos pelas empresas Astrolab e Lunar Outpost. A ideia é permitir deslocamentos mais eficientes e seguros em áreas extremamente hostis do ambiente lunar.

Já a Firefly Aerospace entregará drones projetados especificamente para operar na Lua. Esses equipamentos devem desempenhar funções importantes de reconhecimento, monitoramento e apoio às futuras missões tripuladas.

Segundo a NASA, todo esse material deverá chegar à superfície lunar antes mesmo do retorno oficial dos astronautas americanos, previsto para acontecer não antes de 2028 dentro do programa Artemis.

A movimentação representa uma mudança histórica: pela primeira vez, a construção de infraestrutura lunar começa antes da presença humana contínua no local.

O plano da NASA prevê três fases para transformar a Lua em uma nova fronteira humana

O programa foi dividido em três grandes etapas.

A primeira envolve justamente o envio de equipamentos robóticos, módulos de pouso, drones e veículos que prepararão o terreno para as futuras missões tripuladas.

Enquanto isso, a missão Artemis III, prevista para meados de 2027, servirá como preparação para o retorno humano à superfície lunar. Nela, astronautas deverão praticar acoplamentos da cápsula Orion com módulos de pouso desenvolvidos tanto pela Blue Origin quanto pela SpaceX, companhia de Elon Musk.

O primeiro pouso tripulado dessa nova fase da exploração lunar poderá acontecer a partir de 2028.

Já a segunda etapa do projeto, prevista entre 2029 e o início da década de 2030, começará a instalar uma infraestrutura semipermanente na Lua.

O plano inclui sistemas de geração de energia, módulos habitáveis e veículos pressurizados capazes de permitir que astronautas permaneçam até 30 dias trabalhando sem necessidade de usar trajes espaciais durante determinadas atividades científicas. Mas a terceira fase é a mais ousada.

A futura base lunar poderá ocupar centenas de quilômetros

Segundo os planos divulgados pela NASA, a partir da década de 2030 começará a implantação de habitats permanentes voltados para estadias prolongadas.

A agência prevê uma presença humana contínua na Lua, com revezamento frequente de tripulações e sistemas avançados de suporte de vida.

Drones, veículos e módulos gigantes: assim será a futura base lunar americana
© NASA

Carlos García-Galán, diretor executivo do programa da base lunar, afirmou que o objetivo é construir uma estrutura gigantesca, espalhada por centenas de quilômetros quadrados.

Uma das imagens mais curiosas do projeto envolve drones chamados MoonFall, posicionados nos limites da área ocupada para marcar o perímetro da base.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, explicou que a intenção é delimitar o território sem interferir em futuras missões de outros países que também possam operar na região lunar.

Além da exploração científica, a NASA acredita que a futura base poderá impulsionar uma verdadeira economia lunar e servir como preparação para missões humanas a Marte.

O polo sul lunar foi escolhido por um motivo estratégico

A futura base será construída no polo sul da Lua, uma região considerada mais favorável para permanência humana.

O local recebe luz solar de maneira mais constante, o que facilita a geração de energia. Além disso, há menos períodos de escuridão extrema em comparação com outras áreas da superfície lunar.

Mesmo assim, as condições continuam sendo extremamente hostis.

Segundo a NASA, áreas iluminadas podem ultrapassar 121 °C, enquanto regiões permanentemente escuras chegam a temperaturas inferiores a -128 °C.

A ausência de atmosfera também deixa os astronautas expostos à radiação espacial, partículas solares e impactos de meteoritos.

Ainda assim, a agência espacial demonstra confiança no projeto.

Para muitos especialistas, a construção dessa base poderá marcar o início de uma nova era da exploração espacial — uma em que a humanidade deixará de apenas visitar outros mundos para finalmente começar a ocupá-los.

[Fonte: DW]

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