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Ciência

China usa enxame de drones pela primeira vez para investigar um tufão por dentro

Pesquisadores chineses utilizaram um enxame coordenado de drones para observar o tufão Noul desde sua chegada ao continente até sua dissipação. A tecnologia pode melhorar as previsões meteorológicas e fortalecer os sistemas de alerta para desastres naturais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A China realizou pela primeira vez uma missão de observação meteorológica utilizando um enxame de drones para monitorar um tufão diretamente do seu interior. O experimento acompanhou o tufão Noul desde o momento em que atingiu a costa até o enfraquecimento completo da tempestade, permitindo coletar dados inéditos sobre sua estrutura interna.

A iniciativa foi conduzida por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Meteorológicas, que acreditam que a tecnologia poderá aumentar a precisão das previsões e contribuir para estratégias mais eficientes de prevenção de desastres.

Drones entraram diretamente na tempestade

RaiOS Nas Tempestades
© FreePik

Segundo Guo Jianping, líder do projeto e professor da Academia Chinesa de Ciências Meteorológicas, o principal diferencial da missão foi a utilização de diversos drones operando de forma coordenada.

Ao contrário dos métodos tradicionais, que observam os tufões principalmente do espaço ou a partir da superfície, os drones foram capazes de penetrar diretamente no sistema e coletar medições simultâneas em diferentes pontos e altitudes.

O experimento ocorreu enquanto o tufão Noul se aproximava da província de Guangdong, no sudeste da China. A tempestade atingiu o continente com ventos de até 45 metros por segundo, o equivalente a aproximadamente 162 km/h.

Limitações dos métodos tradicionais

Durante décadas, o monitoramento de tufões dependeu principalmente de satélites, radares meteorológicos, boias oceânicas e aeronaves tripuladas.

Embora esses sistemas sejam fundamentais para acompanhar grandes tempestades, eles apresentam limitações importantes, especialmente na observação da camada mais baixa da atmosfera sobre o oceano, uma das regiões mais críticas para compreender a evolução dos ciclones tropicais.

Segundo Guo, satélites e radares conseguem observar principalmente a parte superior do sistema.

Já os drones podem voar diretamente sob as nuvens e registrar informações onde outros instrumentos têm dificuldade para operar.

Uma “tomografia” da atmosfera

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© Unsplash

Os veículos não tripulados foram equipados com sensores meteorológicos de alta precisão capazes de medir temperatura, umidade e velocidade do vento na parte inferior do tufão.

Segundo os pesquisadores, o conjunto de medições funciona como uma espécie de “tomografia computadorizada” da tempestade, permitindo reconstruir sua estrutura interna com muito mais detalhes do que era possível anteriormente.

Além disso, os drones oferecem maior mobilidade do que estações meteorológicas fixas e conseguem alcançar regiões inacessíveis durante eventos extremos.

Equipamentos preparados para condições extremas

Para suportar o ambiente hostil dentro do tufão, os engenheiros reforçaram a estrutura dos drones para resistir a ventos intensos, chuvas fortes e vibrações constantes.

Os aparelhos também receberam sensores desenvolvidos especificamente para o projeto, capazes de detectar pequenas variações meteorológicas em escala microscópica, superando o desempenho de componentes comerciais convencionais.

Essas melhorias foram consideradas essenciais para garantir a coleta de dados confiáveis durante toda a missão.

Enxame coordenado é o grande diferencial

Embora drones já tenham sido utilizados anteriormente para estudar tufões em outros países, essas missões normalmente envolvem apenas uma aeronave por vez.

Segundo a equipe chinesa, esta foi a primeira vez que um enxame heterogêneo de drones realizou observações coordenadas em diferentes posições e altitudes dentro de uma mesma tempestade.

Para Guo Jianping, a principal vantagem da tecnologia não está em alcançar maiores distâncias ou altitudes, mas em oferecer uma solução relativamente econômica e facilmente reproduzível para regiões costeiras vulneráveis a tufões.

Os pesquisadores acreditam que o sistema poderá beneficiar diversos países com longos litorais expostos a ciclones tropicais, embora reconheçam que sua adoção em larga escala ainda exigirá novos testes e avanços tecnológicos.

 

[ Fonte: Yahoo! ]

 

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