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Tecnologia

Chips de IA entram na China por caminhos secretos e desafiam o controle dos EUA

Apesar das sanções rigorosas dos Estados Unidos, os chips mais avançados de inteligência artificial continuam chegando à China por vias clandestinas. Com bilhões de dólares em jogo, um mercado negro tecnológico ganha força, revelando o impacto limitado das restrições e o apetite voraz por poder computacional de ponta.
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Tempo de leitura: 2 minutos

As tensões entre China e Estados Unidos no setor tecnológico não param de crescer. As recentes medidas de Washington visavam cortar o acesso chinês aos chips mais poderosos do mundo, essenciais para o desenvolvimento de inteligência artificial. No entanto, investigações revelam que a proibição teve um efeito inesperado: a proliferação de um mercado clandestino bilionário que desafia a política externa americana e mantém viva a corrida pela supremacia digital.

Um negócio bilionário que ignora as sanções

Documentos obtidos pelo Financial Times indicam que, nos três meses seguintes às novas restrições impostas pelos EUA em abril, a China recebeu chips de IA avaliados em mais de 1 bilhão de dólares. Grande parte desse volume chega via Sudeste Asiático, por canais não oficiais. Esses chips abastecem centros de pesquisa e startups chinesas focadas em inteligência artificial de ponta.

Em 2024, a NVIDIA faturou US$ 17 bilhões com vendas na China. Embora a empresa esteja formalmente proibida de vender seus chips mais avançados, modelos como o B200 e H100 continuam sendo negociados no mercado paralelo.

As GPUs mais desejadas do mundo

Os chips contrabandeados não são modelos comuns. As GPUs como a B200 — sucessora da H100 — são capazes de multiplicar em até quatro vezes o desempenho de modelos de IA em treinamento. Mesmo com preços altíssimos, que podem chegar a US$ 489 mil por rack com oito unidades, a demanda se mantém alta. Esses modelos superam facilmente as GPUs “autorizadas”, como a H20, tanto em desempenho quanto em eficiência.

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© Tima Miroshnichenko – Pexels

A posição delicada da NVIDIA

A NVIDIA tem adotado um discurso cuidadoso diante do impasse. O CEO Jensen Huang elogiou publicamente o avanço chinês em IA e chegou a comparar o desempenho de hardware local com seus próprios produtos. A empresa tenta manter sua influência em um mercado que representa cerca de 13% da sua receita global, mesmo sem poder comercializar legalmente suas melhores GPUs.

Um mercado paralelo poderoso, mas com limitações

Embora rentável, o mercado negro apresenta obstáculos técnicos. Como os compradores não têm acesso ao suporte oficial da NVIDIA, a montagem de datacenters completos se torna mais difícil. Ainda assim, distribuidores garantem que a oferta continua abundante, apesar das restrições.

Com a liberação parcial das vendas da GPU H20, o mercado clandestino desacelerou — mas não desapareceu. Distribuidores já anunciam chips B300, ainda fora da produção em massa. Tudo indica que a disputa por chips de IA continuará sendo um dos principais campos de batalha da guerra tecnológica entre China e EUA.

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