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Ciência

Cientistas criam sensor que detecta aditivo cancerígeno em bebidas

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um dispositivo capaz de detectar uma substância potencialmente cancerígena em produtos que você talvez tenha na geladeira agora — como vinho, suco de laranja e até água mineral.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O vilão em questão é o nitrito de sódio, um conservante e corante que dá aquele tom rosado a frios e embutidos, como presunto, bacon e salsichas. O problema é que, em contato com o organismo, ele pode formar nitrosaminas, compostos altamente cancerígenos. E o alerta é grave: o uso desse aditivo é proibido em bebidas no Brasil e em boa parte do mundo.

Para enfrentar esse risco, cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criaram um sensor capaz de identificar traços do composto em líquidos de consumo comum. A pesquisa, publicada no periódico Microchimica Acta, foi liderada por Bruno Campos Janegitz, coordenador do Laboratório de Sensores, Nanomedicina e Materiais Nanoestruturados (LSNano). Segundo ele, o objetivo foi “desenvolver uma forma simples, rápida e acessível de detectar o composto e garantir a segurança do consumidor”.

Um sensor de cortiça e grafeno

Cientistas criam sensor que detecta aditivo cancerígeno em bebidas
© Pexels

A inovação começa pelo material: o sensor foi feito com cortiça, o mesmo material usado nas rolhas de vinho. A equipe aplicou feixes de laser na cortiça, transformando sua superfície em grafeno — uma das formas mais condutoras do carbono. Esse processo, além de ser sustentável e livre de reagentes tóxicos, cria uma estrutura altamente sensível, essencial para captar o sinal eletroquímico do nitrito.

Depois, o sensor recebeu uma camada de spray à prova d’água e até esmalte de unhas para proteger e delimitar a área ativa. As amostras foram então aquecidas em forno a 40 °C por 30 minutos, o que otimizou a condutividade.

Resultados promissores — e um alerta importante

Quando testado em amostras de água, suco de laranja e vinho, o dispositivo conseguiu detectar concentrações mínimas de nitrito, mostrando alta sensibilidade e estabilidade. Os resultados indicam que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para reforçar o controle de qualidade de bebidas e prevenir riscos à segurança alimentar.

O projeto, financiado pela Fapesp, ainda está em fase de validação laboratorial e deve passar por ajustes até chegar ao uso prático. A mestranda Beatriz Germinare é a primeira autora do estudo e responsável por parte dos experimentos.

No futuro, sensores como esse poderão ser usados por indústrias e órgãos de fiscalização para garantir que nenhum gole de vinho — ou suco — venha com um ingrediente proibido.

[Fonte: CNN Brasil]

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