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Ciência

Cientistas descobrem por que a barriga aumenta com a idade

Um estudo identificou um tipo inédito de célula que surge com o envelhecimento e estimula a formação de gordura abdominal, abrindo caminho para futuras terapias contra a obesidade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Muitas pessoas percebem que, com o passar dos anos, a cintura aumenta mesmo sem mudanças significativas na alimentação ou no peso corporal. Durante muito tempo, acreditou-se que isso acontecia apenas porque as células de gordura já existentes ficavam maiores. Agora, uma pesquisa revela que o processo pode ser muito mais complexo — e aponta um mecanismo biológico até então desconhecido que pode explicar por que a gordura abdominal se torna mais difícil de controlar com a idade.

O envelhecimento pode criar novas células de gordura no abdômen

Cientistas descobrem por que a barriga aumenta com a idade
© Pexels

Pesquisadores do City of Hope, um dos principais centros de pesquisa biomédica dos Estados Unidos, identificaram um mecanismo que pode mudar a forma como a ciência entende o acúmulo de gordura abdominal ao longo da vida.

O estudo, publicado na revista Science, mostra que o envelhecimento não apenas faz as células de gordura existentes crescerem, como também favorece o surgimento de novas células especializadas capazes de ampliar continuamente o tecido adiposo, principalmente na região abdominal.

Esse tipo de gordura vai muito além da questão estética. Diversos estudos associam seu acúmulo a um maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e até um envelhecimento mais acelerado.

Até agora, a principal hipótese era que o aumento da barriga ocorria porque as células adiposas existentes simplesmente armazenavam mais gordura com o passar dos anos. No entanto, os pesquisadores suspeitavam que havia outro processo envolvido: a produção constante de novas células adiposas.

Para investigar essa possibilidade, a equipe concentrou seus estudos no tecido adiposo branco, responsável por armazenar energia excedente no organismo, e analisou o comportamento das chamadas células progenitoras adipocitárias, conhecidas como APCs. Essas células funcionam como células-tronco capazes de se transformar em novas células de gordura.

Os experimentos começaram em camundongos e, posteriormente, foram complementados por análises em tecidos humanos.

As células mais velhas se comportam de maneira completamente diferente

Os resultados surpreenderam os pesquisadores.

Quando células-tronco retiradas de camundongos idosos foram transplantadas para animais jovens, elas continuaram produzindo grandes quantidades de novas células de gordura. Em contrapartida, células provenientes de animais jovens mantiveram baixa produção mesmo quando transferidas para organismos mais velhos.

Esse comportamento indicou que a mudança ocorre dentro das próprias células, e não apenas por influência do ambiente onde elas estão inseridas.

Para entender melhor esse fenômeno, os cientistas utilizaram uma técnica conhecida como sequenciamento de RNA de célula única, capaz de analisar individualmente a atividade genética de cada célula.

As análises mostraram que as APCs permanecem relativamente inativas durante a juventude. Entretanto, à medida que o organismo envelhece, elas passam por uma transformação importante e entram em intensa atividade, produzindo novas células adiposas em ritmo muito maior.

Foi durante essa investigação que a equipe fez uma descoberta considerada ainda mais relevante: parte dessas células se transforma em um novo tipo de célula-tronco, batizada de CP-A (preadipócito comprometido específico da idade).

Essas células surgem praticamente apenas durante o envelhecimento e demonstram uma capacidade excepcional de gerar novas células de gordura, especialmente na região abdominal.

A descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos contra a obesidade

Os pesquisadores também conseguiram identificar parte do mecanismo responsável por ativar essas novas células.

O estudo aponta que uma via de comunicação celular conhecida como receptor do fator inibidor de leucemia (LIFR) desempenha papel central nesse processo. Essa sinalização funciona como um sistema de comunicação entre as células, estimulando as CP-As a se multiplicarem e se transformarem em novas células adiposas.

Curiosamente, esse mecanismo parece ser muito mais importante em organismos envelhecidos do que em indivíduos jovens, sugerindo que o envelhecimento modifica profundamente a forma como o corpo produz gordura.

Para verificar se o fenômeno também ocorre em humanos, a equipe analisou amostras de tecido adiposo de pessoas de diferentes faixas etárias. O resultado foi semelhante ao observado nos camundongos.

Os pesquisadores encontraram células muito parecidas com as CP-As em maior quantidade em indivíduos de meia-idade. Além disso, essas células também demonstraram grande capacidade de formar novos adipócitos, reforçando a hipótese de que o mesmo processo biológico esteja presente nas pessoas.

Embora ainda sejam necessários novos estudos, a descoberta abre uma perspectiva promissora para o desenvolvimento de tratamentos voltados especificamente à obesidade relacionada ao envelhecimento.

Em vez de agir apenas sobre o metabolismo ou sobre o tamanho das células de gordura existentes, futuras terapias poderão bloquear a formação dessas novas células ou impedir sua ativação.

Os cientistas pretendem agora acompanhar o comportamento das CP-As em novos estudos, investigar seu papel em doenças metabólicas e avaliar estratégias para controlar ou eliminar essas células.

Se esses resultados forem confirmados, a pesquisa poderá representar uma mudança importante na forma como a medicina combate a gordura abdominal associada ao envelhecimento, oferecendo novas possibilidades para melhorar a saúde metabólica e aumentar a qualidade de vida durante o processo de envelhecimento.

[Fonte: Cadena3]

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