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Ciência

Cientistas descobrem sinais do “zeptoverso”, um mundo 100 bilhões de vezes menor que um átomo

Após mais de 40 anos de buscas, pesquisadores identificaram um fenômeno subatômico extremamente raro que pode abrir caminho para desvendar a matéria escura e outros mistérios do universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Existe uma dimensão da natureza tão pequena que nem os microscópios mais avançados conseguem observá-la diretamente. Cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, anunciaram uma descoberta que permite investigar esse território, apelidado de “zeptoverso”. Utilizando o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Europa, a equipe encontrou evidências de uma transformação de partículas procurada desde 1984. O resultado pode ajudar a compreender fenômenos que escapam às teorias atuais da física.

O que é o zeptoverso e por que ele é tão pequeno?

Cientistas descobrem sinais do “zeptoverso”, um mundo 100 bilhões de vezes menor que um átomo
© Pexels

O termo zeptoverso é uma maneira informal de descrever escalas extraordinariamente pequenas da natureza, próximas de um zeptômetro.

Um zeptômetro corresponde a 0,000000000000000000001 metro, ou seja, \(10^{-21}\) metro.

Para comparação, o diâmetro de um átomo típico é da ordem de \(10^{-10}\) metro. Isso significa que um zeptômetro é aproximadamente 100 bilhões de vezes menor.

Nessa escala, os cientistas procuram sinais de fenômenos que não podem ser observados diretamente pelos instrumentos convencionais.

A descoberta foi realizada no experimento LHCb, instalado no Grande Colisor de Hádrons, administrado pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), na fronteira entre a Suíça e a França.

O acelerador provoca colisões de partículas em altíssimas energias, permitindo estudar componentes fundamentais da matéria.

Entretanto, os pesquisadores não observaram um universo microscópico separado. Eles identificaram um processo raro que pode funcionar como uma janela indireta para fenômenos físicos em escalas ainda menores.

A descoberta que os físicos esperavam desde 1984

A equipe liderada pelo físico Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, investigou partículas que contêm o chamado quark bottom, também conhecido como quark beleza.

Essas partículas são extremamente instáveis e desaparecem em cerca de 1,5 trilionésimo de segundo.

Os pesquisadores encontraram evidências de uma transformação particularmente rara: o decaimento de um méson B neutro em um múon e um antimúon.

Segundo as previsões teóricas, esse fenômeno ocorre aproximadamente uma vez a cada 10 bilhões de partículas desse tipo.

Para identificá-lo, os cientistas analisaram dados coletados pelo LHCb entre 2011 e 2025, utilizando técnicas de aprendizado de máquina para distinguir os sinais procurados de milhões de outros eventos.

O resultado alcançou significância estatística de 3,2 sigma, suficiente para ser considerado uma evidência científica, mas ainda abaixo do padrão de cinco sigma normalmente exigido para confirmar uma descoberta na física de partículas.

O estudo foi apresentado em 3 de novembro de 2026 e ainda não passou por revisão por pares.

Como essa descoberta pode ajudar a encontrar a matéria escura?

Um dos maiores mistérios da cosmologia é a matéria escura, uma forma de matéria que não emite nem absorve luz de maneira detectável.

Sua existência é inferida principalmente pelos efeitos gravitacionais observados em galáxias e outras estruturas cósmicas.

Embora os cientistas saibam que ela representa uma parcela significativa da matéria do universo, sua composição permanece desconhecida.

Algumas teorias sugerem que partículas ainda não descobertas poderiam interferir em transformações subatômicas extremamente raras.

Se essas partículas existirem, poderão modificar a frequência com que determinados decaimentos acontecem.

Por isso, estudar o comportamento dos quarks beleza pode ajudar a encontrar indícios de uma física além do Modelo Padrão, a teoria que descreve as partículas fundamentais conhecidas.

É importante destacar que o experimento não detectou matéria escura. Os resultados encontrados até agora são compatíveis com as previsões do Modelo Padrão.

O próximo passo para explorar o universo invisível

Os cientistas esperam ampliar significativamente a capacidade do detector LHCb durante a década de 2030.

As melhorias previstas poderão aumentar a quantidade de dados coletados e permitir medições muito mais precisas desses fenômenos raros.

A pesquisa também enfrenta desafios financeiros. Segundo a BBC, cortes no financiamento britânico colocaram em dúvida parte da participação do Reino Unido nas futuras atualizações do experimento.

Apesar das dificuldades, o resultado representa um avanço importante.

Ao observar transformações que acontecem em frações minúsculas de segundo, os pesquisadores conseguem testar teorias sobre fenômenos que talvez ocorram em escalas impossíveis de alcançar diretamente.

O zeptoverso, portanto, não é um novo universo descoberto, mas uma fronteira da física que pode revelar partículas desconhecidas e ajudar a explicar como a realidade funciona em seu nível mais fundamental.

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